Renato Freitas presta depoimento no Conselho de Ética da Alep em processos sobre episódio na CCJ e protesto no Muffato
Deputado negou agressões nos dois casos, afirmou ter sido provocado por assessor durante sessão da CCJ e disse que manifestação em supermercado foi pacífica; colegiado encerrou fase de instrução
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Valdir Amaral
O deputado estadual Renato Freitas (PT) prestou depoimento nesta segunda-feira (16) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Paraná em dois processos que investigam sua conduta em episódios ocorridos dentro e fora da Casa.
Durante a sessão, o parlamentar apresentou sua versão sobre os fatos e negou ter cometido agressões. Ao final da reunião, o colegiado declarou encerrada a fase de instrução dos procedimentos, abrindo prazo para apresentação das alegações finais antes da elaboração dos relatórios que embasarão o julgamento.
As representações analisadas pelo conselho tratam de dois episódios distintos: uma discussão ocorrida durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia e um protesto realizado dentro de um supermercado da rede Muffato, em Curitiba.
Discussão na Comissão de Constituição e Justiça
O primeiro processo foi aberto a partir de representação apresentada pelo deputado Tito Barrichello, após um episódio ocorrido em fevereiro de 2025 durante uma reunião da CCJ.
Na ocasião, Renato Freitas discutiu com um assessor parlamentar ligado ao deputado Márcio Pacheco. Imagens gravadas no corredor da Assembleia mostram o momento em que o deputado empurra o assessor após o encerramento da sessão.
Em seu depoimento, Renato afirmou que o episódio ocorreu após provocações durante a leitura de seu voto em um projeto analisado pela comissão. Segundo ele, o assessor teria feito gestos e risadas enquanto o parlamentar apresentava seu posicionamento.
De acordo com o deputado, o conflito começou quando ele pediu que o assessor cessasse as manifestações.
“Enquanto eu estava relatando meu voto, ele ria, apontava e gesticulava. Perguntei se havia algum problema, porque aquilo estava me desrespeitando”, afirmou.
Renato disse que, após o término da reunião da CCJ, encontrou o assessor novamente no corredor da Assembleia. Segundo ele, o funcionário parlamentar estaria esperando por ele fora da sala da comissão.
O deputado afirmou que o contato físico registrado nas imagens não constituiu agressão.
“Eu não dei soco, não dei chute, não xinguei. Apenas o afastei e disse para sair dali”, declarou.
Na avaliação do parlamentar, o episódio foi posteriormente distorcido e transformado em uma acusação de agressão.
Protesto no supermercado Muffato
O segundo processo analisado pelo Conselho de Ética envolve a participação do deputado em um protesto realizado dentro de um supermercado da rede Muffato, em Curitiba.
A manifestação ocorreu após a morte de um jovem que teria sido espancado por seguranças do estabelecimento após uma suposta tentativa de furto de uma barra de chocolate.
Imagens que circularam nas redes sociais mostram Renato retirando uma caixa com produtos de um dos caixas do mercado durante o protesto, o que gerou críticas e levou à abertura da representação no Conselho de Ética.
Durante o depoimento, o deputado negou ter retirado uma cesta de compras de uma cliente e afirmou que o objeto retirado era uma caixa de papelão utilizada para reposição de mercadorias.
“Não retirei nada da mão de ninguém. Era uma caixa de reposição que estava sobre o caixa”, disse.
Renato afirmou ainda que a manifestação foi pacífica e que a paralisação temporária de alguns caixas do supermercado foi uma decisão coletiva tomada pelos manifestantes para chamar atenção para o caso.
Segundo o parlamentar, o protesto teve como objetivo denunciar a morte do jovem e pressionar o estabelecimento a se posicionar sobre o episódio.
“Estávamos ali denunciando um assassinato brutal. A manifestação foi pacífica e buscava chamar atenção para o que havia ocorrido”, afirmou.
O deputado também declarou que o Ministério Público teria arquivado uma denúncia criminal relacionada ao episódio.
Debate no conselho
Durante a sessão, membros do Conselho de Ética questionaram o deputado sobre a possibilidade de ter evitado o confronto com o assessor no episódio ocorrido na Assembleia.
O relator do caso perguntou se Renato não poderia ter deixado o local para evitar o contato físico registrado nas imagens.
Em resposta, o parlamentar afirmou que o assessor estaria aguardando por ele no corredor após o encerramento da sessão e que o gesto teve apenas a intenção de afastá-lo.
“Eu apenas o afastei para evitar um conflito maior”, disse.
No caso do protesto no supermercado, os questionamentos dos deputados se concentraram na retirada da caixa com produtos e na forma como a manifestação ocorreu dentro do estabelecimento.
Renato reiterou que o objeto retirado não era uma cesta de compras de cliente e que o protesto ocorreu de forma pacífica.
Próximos passos
Com o encerramento da fase de instrução, os processos seguem agora para a etapa de apresentação das alegações finais pelas partes.
Na sequência, os relatores deverão elaborar pareceres que serão submetidos à análise do Conselho de Ética da Assembleia.
Créditos: Redação
