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PL dá ultimato a Ratinho Junior: desistência da Presidência ou rompimento no Paraná
Em reunião, Rogério Marinho exigiu apoio a Flávio Bolsonaro em troca da manutenção da aliança no Paraná. Governadorrecusou o cargo de vice e reafirmou projeto presidencial pelo PSD.
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), afirmou que pretende disputar a Presidência da República caso seja escolhido como candidato do partido. A posição foi reiterada durante reunião realizada na quarta-feira (11) com o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e um dos articuladores da possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
Durante o encontro, Marinho pediu que Ratinho Junior desistisse da candidatura presidencial e apoiasse o nome de Flávio Bolsonaro. A proposta incluía a possibilidade de o governador paranaense ser indicado como candidato a vice-presidente na chapa.
Segundo relatos de pessoas que tiveram acesso às informações da reunião, o governador recusou a sugestão e reafirmou que seguirá com o projeto nacional caso o PSD confirme seu nome.
PSD ainda vai definir candidato
A decisão sobre quem representará o PSD na disputa presidencial deve ser tomada até o fim de março. O partido avalia três possíveis nomes para a corrida ao Planalto: Ratinho Junior, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).
Ratinho Junior teria reiterado a Rogério Marinho que pretende disputar a eleição caso seja o escolhido pela legenda.
PL ameaça romper no Paraná
Durante a conversa, Marinho afirmou que, caso Ratinho Junior mantenha o plano de concorrer à Presidência, o PL poderá romper a aliança política com o governador no Paraná.
Segundo os relatos, o partido pretende garantir um palanque forte no estado para a eventual candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.
Até então, havia um entendimento entre os grupos políticos para que o PL apoiasse o candidato indicado por Ratinho Junior na disputa pelo governo do Paraná em 2026. Em troca, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) disputaria uma das vagas ao Senado com o apoio do grupo do governador.
Com a possibilidade de rompimento, esse acordo pode ser revisto.
Marinho teria dado prazo até a próxima terça-feira (17) para que Ratinho Junior avalie a proposta apresentada.
Moro e Curi entram no radar
Caso a aliança com o governador seja rompida, o PL avalia apoiar outro nome na disputa pelo governo do Paraná.
Entre as alternativas discutidas está o senador Sergio Moro (União Brasil), que aparece bem posicionado em pesquisas de intenção de voto.
Outra possibilidade mencionada é o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi (PSD).
Curi tenta viabilizar sua candidatura ao governo com apoio do atual governador. No entanto, Ratinho Junior também demonstra preferência pelo secretário estadual das Cidades, Guto Silva (PSD), para disputar a sucessão estadual.
Nos bastidores, há ainda movimentações de partidos para construir alianças em torno desses nomes.
Articulações nacionais
De acordo com os relatos, após a reunião com Ratinho Junior, Rogério Marinho entrou em contato com dirigentes de outros partidos para discutir possíveis cenários.
Entre eles estariam o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, e Antônio Rueda, presidente do União Brasil.
A intenção do PL seria fortalecer um palanque para Flávio Bolsonaro no Paraná e ampliar alianças no campo da direita para as eleições presidenciais.
Uma das hipóteses discutidas seria o apoio do PL à candidatura de Sergio Moro ao governo do estado, com indicação do vice.
Aliança ainda pode ser mantida
Apesar das divergências, aliados do governador e do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ainda tentam evitar um rompimento definitivo.
Integrantes das duas bases avaliam que a manutenção da aliança pode ser estratégica para enfrentar candidaturas de esquerda nas eleições nacionais.
Na reunião, Ratinho Junior também teria afirmado que pretende manter o acordo que prevê o apoio à candidatura de Filipe Barros ao Senado no Paraná.
O governador também sinalizou que uma ruptura completa poderia ter reflexos em eventuais alianças no segundo turno da eleição presidencial.
