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Quem é o empresário paranaense que foi convocado a depor na CPI do INSS?

Condenado por fraudes contra aposentados e dono de uma vida de luxo, Luciano Fracaro será ouvido pelos parlamentares para explicar o esquema de descontos indevidos que atingiu milhares de beneficiários

Por Gazeta do Paraná

Quem é o empresário paranaense que foi convocado a depor na CPI do INSS? Créditos: Divulgação

O empresário paranaense Luciano Fracaro, figura de destaque no setor de seguros e crédito, condenado por envolvimento em fraudes contra aposentados e hoje dono de patrimônio milionário, foi oficialmente convocado para depor à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no Congresso Nacional.  

Fracaro — empresário ligado ao grupo Suda, com atuação em mercados como seguradora Sudaseg e financeira Sudacred — aparece nas investigações e em centenas de ações judiciais por desconto indevido de valores em benefícios de idosos, que teriam sido feitos sem autorização clara dos beneficiários, segundo denúncias e sentenças.  

O convite para que ele preste esclarecimentos foi aprovado pelos parlamentares após reabertura dos trabalhos da CPMI em Brasília, que investiga o chamado “esquema de fraudes no INSS”, responsável por desvios bilionários em pagamentos de aposentadorias e pensões de segurados.  

Luxo em contraste com vítimas

Luciano Fracaro ganhou notoriedade — e críticas — também pela ostentação de seu estilo de vida: dono de pelo menos dois carros da marca Lamborghini, um BMW, um jato particular e um iate de 22 metros, ele usa as redes sociais para exibir seus bens, que incluem também dezenas de imóveis avaliados em milhões de reais.  

Apesar de condenado em 2023 a três anos de prisão por integrar organização criminosa que promovia descontos indevidos em benefícios de aposentados no Distrito Federal, sua pena foi convertida em medidas alternativas, o que favoravelmente evitou a execução da prisão.  

Executivos de seu grupo enfrentam milhares de processos em tribunais Brasil afora, e empresas ligadas a ele já foram condenadas a pagar indenizações por danos morais coletivos a aposentados prejudicados por cobranças e descontos não autorizados.  


No Paraná 

A equipe de reportagem da Gazeta do Paraná identificou contracheques de aposentados do Governo do Estado do Paraná com descontos lançados em nome de uma das empresas vinculadas ao grupo de Luciano Fracaro.

 

Os documentos analisados mostram: descontos pequenos e recorrentes; lançamentos que não constavam como contratados pelos aposentados; a associação direta do nome da empresa ao desconto; ausência de autorização formal reconhecida pelo beneficiário.

 

A CPMI e o rumo da investigação

A CPMI do INSS foi criada em 2025 para aprofundar a investigação sobre fraudes nos descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social — problema que, segundo estimativas, já afetou milhões de aposentados e pode ter desviado bilhões de reais de recursos previdenciários.  

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e outros parlamentares alegam que o depoimento de Fracaro é essencial para esclarecer como funcionavam os mecanismos de desconto, qual era o papel de suas empresas no contexto mais amplo das fraudes e se houve atuação de terceiros, inclusive relações político-institucionais, que permitiram a continuidade das práticas por anos.  

Fracaro é apenas um dos nomes de empresários que a comissão pretende ouvir. A lista inclui dirigentes de associações, operadores de sistemas de tecnologia que teriam facilitado a inclusão de beneficiários no esquema e ex-dirigentes públicos que poderiam ter ligação com concessão de autorizações para os descontos.  

Pressão política e debates em Brasília

O caso tem causado tensão política em Brasília, com parlamentares de diferentes partidos defendendo maior transparência e responsabilização dos acusados, enquanto a defesa de alguns empresários convocados busca resguardar direitos legais — inclusive o direito ao silêncio em depoimentos, amparado por decisão judicial quando possível.  

A convocação de Fracaro ocorre em um momento em que a comissão também busca aprofundar a conexão entre esse esquema e outros desdobramentos de fraudes no sistema previdenciário — incluindo pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal de dirigentes e de agentes políticos supostamente envolvidos nos processos.  

O depoimento de Luciano Fracaro está previsto para ocorrer nos próximos dias no Senado Federal, em Brasília, com participação de parlamentares, técnicos da comissão e possibilidade de perguntas do público — parte das sessões da CPMI é aberta à sociedade. 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp