Professores aprovam indicativo de greve na rede estadual do Paraná a partir de 23 de março
A paralisação ocorrerá caso não haja avanços nas negociações com o governo estadual até o dia 20 de março
Por Da Redação
Créditos: Gelinton Cruz / APP-Sindicato
Professores e funcionários da rede pública estadual do Paraná aprovaram, em assembleia extraordinária realizada de forma on-line neste sábado (14), a possibilidade de deflagração de greve a partir do dia 23 de março. A paralisação ocorrerá caso não haja avanços nas negociações com o governo estadual até o dia 20 de março. A decisão foi tomada durante reunião convocada pela APP-Sindicato e amplia a mobilização da categoria em torno da campanha salarial de 2026.
Durante a assembleia, os educadores também deliberaram pela manutenção de assembleia permanente e pela intensificação das mobilizações nas próximas semanas. A categoria pretende ampliar o diálogo com a sociedade, reforçar a pressão sobre o governo estadual e acompanhar o andamento das negociações em curso.
Segundo a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, a decisão busca preparar a categoria para diferentes cenários nas tratativas com o governo.
“Neste momento nós temos uma mesa de negociação em andamento, mas diante do prazo eleitoral, o governo precisa finalizar o debate interno e enviar os projetos de lei para a Assembleia Legislativa em tempo de serem aprovados. Por isso, esta assembleia nos prepara para os cenários de luta dos próximos dias. Vamos intensificar a pressão, pois nossas pautas são justas, possíveis, viáveis e necessárias para a valorização do nosso trabalho. A greve é o nosso último recurso”, afirmou.
A assembleia contou ainda com a participação de dirigentes da entidade sindical, entre eles a secretária-geral, Natália dos Santos Silva, e o secretário executivo de Assuntos Municipais, Antônio Marcos Rodrigues Gonçalves. Durante o encontro, a direção da entidade reforçou o chamado para que a categoria participe das mobilizações previstas e intensifique o diálogo com parlamentares e com a comunidade escolar.
Entre as atividades programadas está a Vigília da Educação por Justiça Salarial, marcada para segunda-feira (16), em frente à Assembleia Legislativa do Paraná. No dia seguinte (17), os educadores também devem participar do Ato em Defesa do Serviço Público, em frente ao Palácio Iguaçu, convocado pelo Fórum das Entidades Sindicais.
Principais reivindicações
Entre os pontos centrais da pauta apresentada pela categoria está o pagamento da reposição anual das perdas inflacionárias, conhecida como data-base. O índice reivindicado neste ano é de 12,84%, referente ao período acumulado entre agosto de 2023 e abril de 2025.
Os educadores também defendem a reforma da carreira do magistério com equiparação salarial, correção das tabelas de vencimentos e a regularização do enquadramento por tempo de serviço para funcionários de escola. Outro ponto da pauta é o pagamento de promoções e progressões e o descongelamento de quinquênios e anuênios que ficaram suspensos durante a pandemia da Covid-19.
A pauta também inclui reivindicações voltadas aos aposentados, como a limitação do desconto previdenciário apenas para quem recebe acima do teto do INSS e a criação de mecanismos que garantam correção salarial aos servidores que se aposentaram sem direito à paridade.
Diferença salarial
De acordo com levantamento citado pela entidade sindical, o salário inicial de professores da rede estadual paranaense está entre os menores do país. Enquanto um docente com licenciatura e jornada de 40 horas semanais recebe cerca de R$ 13 mil no Mato Grosso do Sul, no Paraná o valor inicial é de aproximadamente R$ 4,9 mil.
A entidade também aponta diferença em relação a outras carreiras do próprio Executivo estadual. Segundo o sindicato, servidores com ensino superior em outras áreas ingressam com remuneração inicial próxima de R$ 7,9 mil, o que representaria uma diferença de cerca de 37% em relação ao início da carreira do magistério.
Um grupo de trabalho formado por representantes do sindicato e do governo estadual elaborou, ao longo de 2025, uma proposta de reestruturação da carreira docente. O estudo prevê equiparação salarial gradual ao longo de três anos, com implantação em quatro etapas. O relatório final foi entregue ao governo no início deste ano e aguarda encaminhamento do projeto de lei à Assembleia Legislativa do Paraná.
Próximos passos
De acordo com o calendário aprovado na assembleia, caso haja avanço nas negociações, uma nova assembleia estadual será convocada no dia 21 de março para avaliação da proposta apresentada pelo governo.
Se não houver acordo até o dia 20, a entidade prevê a comunicação formal da greve à comunidade escolar e a organização de comandos regionais de paralisação, com início do movimento marcado para 23 de março.
