Corbelia  Agosto

Professora é agredida por aluno dentro de sala de aula em colégio cívico-militar de Londrina

Caso reacende críticas da APP-Sindicato ao modelo cívico-militar e às medidas adotadas para combater a violência nas escolas

Por Gazeta do Paraná

Professora é agredida por aluno dentro de sala de aula em colégio cívico-militar de Londrina Créditos: Reprodução/Tv Tarobá

Uma professora foi agredida por um estudante dentro de uma sala de aula do Colégio Estadual Cívico-Militar Monsenhor Josemaria Escriva, em Londrina, no Norte do Paraná. O caso aconteceu na tarde da última segunda-feira (24) e deixou a educadora ferida após ela receber socos no rosto e na cabeça, além de ser alvo de ofensas.

Segundo relato da professora Márcia Luciana da Rocha Dei Tos à imprensa local, o episódio começou depois que um aluno pediu para ir ao banheiro. Como faltavam poucos minutos para o fim da aula, ela orientou que ele aguardasse. O estudante teria reagido com xingamentos.

A professora então se dirigiu até a porta para pedir ajuda e retirar o aluno da sala. Conforme o relato, o jovem correu à frente dela, trancou a porta, puxou o chaveiro, quebrou a chave e iniciou as agressões. A violência só teria terminado após a intervenção de outras estudantes.

Márcia, que atua na rede estadual como professora temporária desde 2021 e tem mais de 20 anos de experiência na educação, afirmou que nunca havia passado por uma situação semelhante.

O episódio foi utilizado pela APP-Sindicato para reforçar críticas ao modelo cívico-militar adotado pelo governo do Paraná. A entidade afirma que a presença de militares aposentados nas escolas não seria suficiente para solucionar problemas de violência e defende equipes multidisciplinares para prevenção e mediação de conflitos.

“Estamos acompanhando o caso, procuramos a professora e fomos na escola para prestar apoio e solidariedade”, afirmou a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto. Segundo ela, a solução deveria envolver profissionais preparados para lidar com os estudantes e prevenir conflitos.

Outros casos

A entidade também cita outros episódios registrados em colégios cívico-militares do Paraná. Entre eles estão uma denúncia de assédio sexual envolvendo um militar em uma escola de Cascavel, ocorrida em junho, e um caso em Curitiba em que um aluno teria sido impedido de entrar na sala por causa de uma listra branca no solado do tênis.

Também são mencionadas denúncias de regras consideradas abusivas por estudantes, envolvendo cabelo, acessórios e comportamento. Em um dos relatos, um aluno afirmou que o ambiente escolar passou a parecer “uma prisão”.

Outro episódio citado pela APP ocorreu em Toledo, em março deste ano, quando uma funcionária relatou ter sido ameaçada por um militar aposentado dentro da escola. Segundo a denúncia, ele teria sacado uma arma, apontado para o rosto da trabalhadora e feito ameaças.

A APP-Sindicato também questiona os recursos destinados aos monitores militares. Conforme levantamento citado pela entidade, o governo estadual já teria retirado R$ 156,2 milhões do orçamento da Educação para custear gratificações. O valor mensal informado para os militares é de R$ 5,5 mil.

O modelo cívico-militar também é questionado no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade apresentada por PT, PSOL e PCdoB contesta a legislação que criou o programa no Paraná. Segundo o texto, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou manifestação considerando o programa inconstitucional. O processo tem como relator o ministro Gilmar Mendes.

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