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Papa Leão XIV responde ataques de Trump: "missão do Evangelho é construir pontes, não muros"
Pontífice defende convivência entre religiões após ser chamado de "fraco" pelo presidente dos EUA; Trump associa Papa ao regime do Irã e causa polêmica com montagem de IA
O papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira (15) que o mundo precisa ouvir uma mensagem de paz e convivência entre diferentes povos. A declaração foi dada durante conversa com jornalistas em um voo entre Camarões e Argélia, em meio à viagem oficial de 10 dias que o pontífice realiza pelo continente africano.
A fala ocorre horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a criticá-lo publicamente na rede social Truth Social, pela segunda vez na mesma semana.
Durante o trajeto, o papa destacou a importância do diálogo entre culturas e religiões, citando a experiência recente na Argélia, país de maioria muçulmana onde a Igreja Católica é minoritária.
"Embora tenhamos crenças diferentes, maneiras diferentes de cultuar, maneiras diferentes de viver, podemos viver juntos em paz", afirmou.
"Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje", completou o pontífice.
Mais cedo, Trump publicou uma nova mensagem em tom crítico ao papa. Na rede Truth Social, escreveu:
"Alguém, por favor, diga ao papa Leão que o Irã matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses".
Na mesma publicação, o presidente norte-americano afirmou ainda que considera "absolutamente inaceitável" que o Irã possua uma bomba nuclear.
As críticas não são isoladas. No domingo (12), Trump já havia feito ataques diretos ao pontífice, classificando-o como fraco e criticando sua atuação à frente da Igreja Católica.
"O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (...) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos", escreveu.
Na mesma ocasião, Trump afirmou que prefere o irmão do papa e disse que não é favorável à postura adotada pelo líder religioso em temas internacionais.
Apesar das declarações, não há registros de que o papa tenha defendido que o Irã possua armas nucleares. Em 2025, Leão XIV fez um apelo por um mundo livre desse tipo de armamento. No mês passado, também afirmou que as nações deveriam renunciar às armas.
As declarações do pontífice ocorreram após ele manifestar apoio ao povo libanês e pedir um cessar-fogo, em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que entrou na sétima semana.
Trump também afirmou que o papa só ocupa a posição atual por conta de sua própria eleição como presidente dos Estados Unidos e disse que o líder religioso deveria demonstrar gratidão.
Em conversa com jornalistas no domingo, o republicano reforçou as críticas:
"Não sou um fã do papa Leão XIV. Ele é muito liberal, não acredita em parar o crime, acredita que deveríamos brincar com um país que quer ter uma arma nuclear para que eles possam explodir o mundo", disse.
Além das declarações, Trump chegou a publicar uma imagem criada por inteligência artificial em que aparece vestindo uma túnica e com poderes de cura, em referência a Jesus. A postagem foi apagada no dia seguinte após repercussão negativa, inclusive entre apoiadores.
Na segunda-feira (13), o papa respondeu às críticas e afirmou que não teme o governo norte-americano. Ele também disse que não fez ataques diretos ao presidente ao defender a paz e criticar conflitos.
“Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho. Lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje”, declarou.
“Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível", completou.
