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Mudanças em regras do consignado no Paraná reproduzem roteiro investigado pela PF no caso Banco Master

Empresa ligada ao grupo Banco Master foi credenciada pelo Estado cinco dias após se instalar no Paraná e, dois meses depois, decreto criou margem exclusiva para cartões de benefício; cronologia é semelhante à apurada pela Polícia Federal em outros estados

Por Gazeta do Paraná

Mudanças em regras do consignado no Paraná reproduzem roteiro investigado pela PF no caso Banco Master Créditos: Reprodução

As investigações da Polícia Federal sobre supostos favorecimentos ao Banco Master em diferentes estados do país lançaram novos questionamentos sobre decisões tomadas pelo Governo do Paraná em 2021. Uma sequência de atos administrativos envolvendo a PKL One Participações, empresa responsável pela operação do Credcesta, reproduz uma cronologia semelhante à que está sob apuração da PF em estados como Rio de Janeiro e Bahia.  

Conforme informações apresentadas pelo deputado federal Homero Marchese em vídeos publicados nas redes sociais, a PKL One instalou uma filial no Paraná em 19 de agosto de 2021. Apenas cinco dias depois, a empresa já estava habilitada pelo Estado a oferecer crédito consignado aos servidores públicos.

“Vejam vocês, apenas cinco dias depois, a empresa já era reconhecida pelo governo do Estado como possível concessora de crédito consignado aqui no Paraná”, afirmou o parlamentar.  

Segundo Marchese, o credenciamento ocorreu por meio da Resolução nº 12.047 da Secretaria de Estado da Administração e Previdência, assinada pelo então secretário Marcel Micheletto. O deputado afirmou ainda ter encontrado dificuldades para localizar o documento nos canais oficiais do governo.

“Eu procurei as resoluções de numeração mais baixa, aquelas de numeração mais alta, achei todas elas, menos a 12.047, que eu só encontrei quando fiz uma pesquisa minuciosa no Diário Oficial do Paraná”, declarou.  

A cronologia avança para outubro de 2021. Em 28 daquele mês, o governador Ratinho Júnior editou o Decreto nº 9.220, que criou uma margem consignável de 10% exclusiva para cartões de benefício consignado, modalidade na qual operava o Credcesta.

“O governador Ratinho Júnior edita o decreto que estabelece uma faixa de 10% na margem consignável dos servidores públicos, exclusiva para cartões de benefício consignado, que era justamente o que fazia o Credcesta”, afirmou Marchese.  

O deputado também chamou atenção para as semelhanças entre os acontecimentos no Paraná e os fatos investigados pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Naquele estado, a PF apura mudanças normativas que permitiram o credenciamento da PKL One poucos dias após a alteração das regras de concessão de crédito consignado.

“Na semana passada, o Estado do Rio de Janeiro testemunhou uma operação da Polícia Federal que está investigando fatos muito semelhantes àqueles que eu apresentei ontem no Paraná”, disse.  

Marchese foi além e afirmou que a possibilidade de o Paraná entrar no radar das investigações não pode ser descartada.

“Pode ser sim que a Polícia Federal venha até o estado do Paraná.”  

Outro elemento que acrescenta peso político ao debate é a relação comercial entre o Credcesta e o apresentador de televisão Carlos Massa, pai do governador. O comunicador estrelou campanhas publicitárias do produto em âmbito nacional, emprestando sua imagem à divulgação do cartão de benefício. Segundo o próprio deputado, empresas da família do governador receberam cerca de R$ 24 milhões de empresas ligadas ao grupo Banco Master entre 2022 e 2025. A família de Ratinho Júnior já declarou publicamente que os valores decorrem, em sua maior parte, de contratos de publicidade relacionados ao Credcesta.  

Embora a existência dos contratos publicitários, por si só, não indique qualquer irregularidade, a coincidência temporal entre o credenciamento da empresa, a criação de uma margem consignável específica para o produto e os vínculos comerciais posteriormente estabelecidos entre empresas do grupo Master e a família do governador têm alimentado questionamentos políticos e pedidos por mais esclarecimentos.

Apesar das semelhanças apontadas, não há, até o momento, qualquer informação pública de que o governador do Paraná ou integrantes do governo estadual sejam investigados pela Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master. Tampouco há notícia de operação policial em curso no Estado.

Ainda assim, a sequência de atos administrativos, instalação da empresa, credenciamento em prazo reduzido e posterior ampliação da margem consignável para o produto operado pela própria empresa, o Credcesta, adiciona novos elementos ao debate político e tende a aumentar a pressão por esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo governo paranaense na época.  

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp