RESULT

Karina Grossi pode ter mandato ameaçado após TCE apurar uso de assessor público

Vereadora de Mandaguaçu terá 15 dias para explicar suposta atuação de assessor jurídico da Câmara em causa particular; caso tem semelhanças com episódio que levou à cassação de Cris Lauer, em Maringá

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
Karina Grossi pode ter mandato ameaçado após TCE apurar uso de assessor público Créditos: Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aceitou uma representação contra a vereadora de Mandaguaçu Karina de Fátima Grossi. O processo aponta indícios de que a parlamentar utilizou a estrutura da Câmara Municipal para atender a um interesse exclusivamente pessoal.

Segundo o processo publicado no Diário Eletrônico do TCE-PR, o assessor jurídico legislativo Allan Carlos Ferracin Bofete teria atuado como advogado particular da vereadora. Ele ocupa um cargo comissionado e recebe salário pago com recursos públicos.

De acordo com a representação, Allan Bofete elaborou uma petição em nome de Karina Grossi, protocolou o processo e acompanhou o andamento da causa. O relatório afirma que a demanda tratava de assunto de “exclusivo interesse pessoal” da parlamentar.

O cargo de assessor jurídico legislativo existe para atender às atividades institucionais da Câmara. Portanto, o servidor não deve usar o horário de trabalho e a estrutura pública para representar interesses privados de uma vereadora.

Diante dos elementos apresentados, o relator identificou indícios de possível violação aos princípios da moralidade e da impessoalidade. Agora, Karina Grossi e Allan Bofete terão 15 dias para apresentar explicações ao Tribunal.

O recebimento da representação, contudo, não representa uma condenação. O TCE-PR ainda analisará as defesas e decidirá se ocorreu alguma irregularidade.

Caso semelhante levou à cassação de Cris Lauer

A acusação contra Karina Grossi apresenta semelhanças com o episódio que resultou na cassação da ex-vereadora de Maringá Cris Lauer, do Partido Novo. Ela recebeu 7.531 votos na eleição de 2024 e tornou-se a parlamentar mais votada da história da Câmara Municipal.

No caso de Maringá, a denúncia apontou que Cris Lauer utilizou o então chefe de gabinete, que também exercia a advocacia, em processos particulares. Ao mesmo tempo, ele recebia salário da Câmara.

Em maio de 2025, a Justiça condenou Cris Lauer por improbidade administrativa. A sentença determinou que ela devolvesse R$ 19.638,02 aos cofres públicos e pagasse multa no mesmo valor.

Depois disso, a Câmara de Maringá instaurou uma Comissão Processante para analisar a conduta da parlamentar. Em 27 de agosto de 2025, o plenário aprovou a cassação por 20 votos a 2.

Assim, Cris Lauer tornou-se a primeira vereadora da história do Legislativo maringaense a perder o mandato por decisão do plenário. Ela também ficou inelegível por 11 anos. A ex-parlamentar nega qualquer irregularidade e classifica o processo como perseguição política.

Karina Grossi também poderá perder o mandato?

Em tese, Karina Grossi poderá enfrentar um processo de cassação caso as autoridades comprovem as acusações. No entanto, o recebimento da representação pelo TCE-PR não provoca automaticamente a perda do mandato.

O Tribunal de Contas apura possíveis irregularidades administrativas e aplica as medidas previstas dentro de sua competência. Já a Câmara Municipal de Mandaguaçu possui competência para instaurar e julgar um eventual processo político-administrativo contra a vereadora.

Para isso, alguém precisaria apresentar uma denúncia formal ao Legislativo municipal. Em seguida, os vereadores teriam de analisar o recebimento do pedido e, caso aprovassem sua abertura, constituir uma Comissão Processante.

O Decreto-Lei nº 201/1967 permite que a Câmara casse o mandato de um vereador quando ele utiliza o cargo para praticar atos de corrupção ou improbidade administrativa. A norma também prevê essa possibilidade diante de uma conduta incompatível com a dignidade da Câmara ou com o decoro parlamentar.
Ainda assim, qualquer processo deverá garantir o contraditório e a ampla defesa. Além disso, os vereadores terão de analisar as provas e respeitar todas as etapas previstas na legislação.

TCE ainda analisará as explicações
Por enquanto, o processo contra Karina Grossi permanece em sua fase inicial. O TCE-PR recebeu a representação, identificou indícios suficientes para prosseguir com a apuração e abriu prazo para as manifestações dos envolvidos.

Portanto, ainda não existe condenação nem processo de cassação contra a vereadora de Mandaguaçu. A eventual perda do mandato dependeria da comprovação dos fatos e da abertura de um procedimento específico na Câmara Municipal.

Apesar disso, a semelhança com o episódio de Maringá levanta uma questão: se o uso de um assessor pago pelo contribuinte em causas particulares levou à cassação de Cris Lauer, a Câmara de Mandaguaçu adotará o mesmo entendimento caso as acusações contra Karina Grossi sejam comprovadas?

Foto: Divulgação 

Créditos: O Diário de Maringá Acesse nosso canal no WhatsApp