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INPC cai 0,32% em agosto e inflação usada para reajustar salários fica em 3,98%

Índice registra a menor variação mensal desde setembro de 2022; desconto na conta de luz com o Bônus de Itaipu foi o principal responsável pela queda

Por Gazeta do Paraná

INPC cai 0,32% em agosto e inflação usada para reajustar salários fica em 3,98% Créditos: Marcello Casal JR/Agência Brasil

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) recuou 0,32% em agosto, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o indicador acumula alta de 3,98% nos últimos 12 meses. 

O resultado interessa diretamente aos trabalhadores porque o INPC é uma das principais referências utilizadas nas negociações e nos reajustes salariais de diferentes categorias. O índice também influencia a atualização de benefícios previdenciários e outros pagamentos vinculados à inflação.

A queda de agosto foi a maior desde setembro de 2022, quando o INPC também havia registrado variação de -0,32%. Em julho deste ano, o indicador já havia apresentado leve deflação, de 0,01%. Em agosto de 2025, a taxa havia ficado negativa em 0,21%. 

 

Conta de luz puxa índice

O principal responsável pela queda do INPC em agosto foi o grupo habitação, que recuou 2,17% e exerceu impacto negativo de 0,38 ponto percentual sobre o índice geral.

A explicação está principalmente na energia elétrica. Consumidores receberam no período o chamado Bônus de Itaipu, desconto decorrente da distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica.

O efeito também apareceu no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. A conta de luz residencial caiu, em média, 7,63% em agosto. Como o bônus foi concedido especificamente naquele mês, o IBGE alerta que parte desse efeito tende a ser revertida na leitura de setembro. 

 

O que o INPC mede

Embora INPC e IPCA sejam calculados pelo IBGE, eles observam perfis diferentes da população.

O INPC acompanha a variação de preços para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos. Já o IPCA considera famílias que recebem entre um e 40 salários mínimos.

Essa diferença altera o peso dos produtos e serviços dentro de cada indicador. No INPC, por exemplo, os alimentos representam aproximadamente 25% da cesta pesquisada, enquanto no IPCA ficam próximos de 21%. Isso acontece porque famílias de menor renda destinam proporcionalmente uma parcela maior do orçamento à alimentação. 

Ao todo, o INPC acompanha os preços de 367 produtos e serviços.

 

Impacto nos salários

Mais do que indicar se os preços subiram ou caíram em determinado mês, o INPC tem impacto direto sobre a renda de milhões de brasileiros.

O acumulado de 12 meses é frequentemente utilizado como referência nas negociações coletivas. Quando uma categoria negocia reposição integral da inflação pelo INPC, por exemplo, o percentual acumulado no período da data-base funciona como ponto de partida para a discussão salarial.

Com o índice atualmente em 3,98% nos últimos 12 meses, esse é o percentual que retrata a perda de poder de compra medida pelo indicador nesse intervalo. Isso não significa, entretanto, que todas as categorias receberão reajuste de 3,98%, já que cada negociação considera sua respectiva data-base e as condições definidas em acordo ou convenção coletiva. 

 

INSS e salário mínimo

O indicador também é relevante para aposentados e pensionistas. Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) acima do salário mínimo são reajustados com base no INPC acumulado até dezembro.

O seguro-desemprego e o teto previdenciário também têm atualização vinculada ao índice.

Para o salário mínimo, a referência é o INPC acumulado até novembro, combinado com a regra de valorização vigente. A proposta orçamentária encaminhada pelo governo ao Congresso prevê atualmente salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, diante dos R$ 1.621 atuais. O valor, porém, ainda poderá mudar conforme o comportamento efetivo do INPC até novembro. 

Inflação oficial também caiu

O resultado do INPC veio acompanhado de queda idêntica do IPCA. A inflação oficial brasileira ficou em -0,32% em agosto, a menor taxa mensal em quatro anos.

O IPCA acumula agora 4,22% em 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados até julho. Além da energia elétrica, alimentos e transportes contribuíram para a deflação. 

Entre os alimentos, houve quedas expressivas da batata-inglesa, cenoura, cebola e tomate. Nos transportes, as passagens aéreas recuaram 13,17%, enquanto gasolina, etanol e diesel também ficaram mais baratos no mês. 

Os números mostram, portanto, um alívio nos preços em agosto, especialmente para as famílias de menor renda. O efeito sobre os reajustes salariais, contudo, dependerá da trajetória do INPC nos próximos meses e do período considerado em cada negociação coletiva.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp