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Hospital Regional do Sudoeste tem mais terceirizados que servidores efetivos

Levantamento do SindSaúde-PR aponta 249 terceirizados entre 458 trabalhadores escalados e fragmentação entre 80 empresas

Por Gazeta do Paraná

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Hospital Regional do Sudoeste tem mais terceirizados que servidores efetivos Créditos: RBJ

A escala de trabalho de agosto de 2026 do Hospital Regional do Sudoeste Walter Alberto Pecoits (HRSWAP), em Francisco Beltrão, expõe a dimensão da terceirização na rede pública de saúde do Paraná. Segundo levantamento realizado pelo SindSaúde-PR, dos 458 trabalhadores distribuídos por 17 setores da unidade, apenas 204 são servidores efetivos do Estado e outros cinco têm vínculo com a Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas). Os demais 249 profissionais, equivalentes a 54,4% da equipe, estão vinculados a empresas terceirizadas ou credenciadas.

O cenário ganha proporções ainda maiores em áreas consideradas estratégicas para o funcionamento hospitalar. Entre os 99 enfermeiros identificados na escala, 73 são terceirizados, o que representa 73,7% da categoria. Entre os técnicos de enfermagem, metade dos profissionais não possui vínculo público. Já os 14 instrumentadores cirúrgicos relacionados no levantamento são todos terceirizados.

Para o sindicato, os números refletem os efeitos de anos de redução do quadro efetivo e de utilização crescente de contratos terceirizados para garantir o funcionamento de serviços permanentes. A entidade sustenta que o problema não está nos trabalhadores contratados por empresas, que desempenham funções essenciais diariamente, mas no modelo de gestão adotado pelo Estado.

Além da quantidade de terceirizados, chama atenção a pulverização dos contratos. Os 249 trabalhadores identificados na escala estão distribuídos entre 80 empresas diferentes. Com isso, profissionais que exercem atividades semelhantes dentro de um mesmo hospital podem estar submetidos a empregadores distintos, com diferentes salários, direitos, chefias e condições contratuais.

Na avaliação do SindSaúde-PR, essa fragmentação dificulta a criação de vínculos estáveis entre as equipes, prejudica a preservação da experiência acumulada pelos trabalhadores e amplia a insegurança nas relações de trabalho. O sindicato também aponta que a ausência de uma carreira pública deixa parte dos profissionais mais vulnerável diante de conflitos trabalhistas e de mudanças nos contratos.

A expansão da terceirização ocorre, segundo os dados apresentados pela entidade, paralelamente à redução do número de servidores efetivos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Em 2014, o Quadro Próprio da Saúde (QPSS) contava com 8.963 servidores. Em 2025, eram 5.967, uma redução de 33,4% no período.

O sindicato questiona ainda a manutenção desse modelo mesmo após a realização e homologação de concurso público para a área da saúde. Segundo a entidade, em vez de priorizar a convocação dos candidatos aprovados para preencher vagas permanentes, o governo continua recorrendo a processos seletivos simplificados (PSS) e à contratação de empresas terceirizadas.

Em julho deste ano, inclusive, o Estado lançou novo edital para contratação temporária de profissionais. Para o SindSaúde-PR, a medida é contraditória diante da existência de candidatos aprovados em concurso aguardando nomeação.

A entidade reivindica a convocação imediata dos aprovados e a suspensão de novas contratações temporárias para funções que já contam com candidatos classificados no concurso público.

O caso do Hospital Regional do Sudoeste é apontado pelo sindicato como um exemplo de uma situação que pode se repetir em outras unidades da rede estadual. A entidade afirma que pretende analisar as escalas de diferentes hospitais para dimensionar a presença da terceirização e os impactos do modelo sobre os trabalhadores e a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná.

Mais do que uma discussão sobre vínculos trabalhistas, os dados levantam questionamentos sobre a forma como o Estado vem estruturando sua força de trabalho na saúde. Em um hospital onde mais da metade dos profissionais escalados não possui vínculo direto com o poder público e está distribuída entre dezenas de empresas, a gestão das equipes e a continuidade dos serviços passam a depender de uma complexa rede de contratos.

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