Guto Silva e o impasse de R$ 17 bi em obras com apenas R$ 3,5 bi em caixa
Lideranças municipais relatam desconforto após secretários, incluindo Guto Silva, anunciarem investimentos bilionários. Diferença entre promessas e caixa real pode chegar a R$ 13 bilhões
Créditos: Reprodução/Diario de Maringá
Prefeitos de diferentes regiões do Paraná passaram a manifestar preocupação após uma série de anúncios de obras e investimentos feitos por integrantes do governo estadual. Nos bastidores da política, lideranças municipais apontam que os valores divulgados em agendas públicas podem ser maiores do que o montante efetivamente disponível.
Nos últimos meses, o secretário das Cidades, Guto Silva, percorreu diversos municípios ao lado de deputados estaduais e prefeitos anunciando investimentos em infraestrutura urbana. As agendas também contaram com a presença do secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, e do secretário de Agricultura, Márcio Nunes.
Segundo relatos de parlamentares e gestores municipais, os anúncios somariam cerca de R$ 17 bilhões em obras. No entanto, informações que circulam entre lideranças políticas indicam que o valor disponível em caixa estaria próximo de R$ 3,5 bilhões.
A diferença entre os números começou a gerar desconforto entre integrantes da base aliada do governador Ratinho Junior.
Prefeitos falam em priorização de obras
Em reuniões reservadas, alguns prefeitos teriam sido informados de que não haverá recursos suficientes para executar todos os projetos anunciados.
De acordo com relatos de participantes desses encontros, a orientação repassada aos municípios foi a de priorizar determinadas obras e retirar outras da lista de investimentos previstos.
Caso de Ponta Grossa
A situação ganhou repercussão após um caso envolvendo a cidade de Ponta Grossa.
Durante agendas políticas e publicações nas redes sociais, os deputados Marcelo Rangel e Mabel Canto anunciaram R$ 100 milhões em recursos para obras de pavimentação no município.
A Prefeitura de Ponta Grossa, no entanto, informou que até o momento nenhum valor foi repassado ao caixa municipal.
Nos bastidores, a informação é de que o governo estadual poderia liberar cerca de R$ 37 milhões para as obras, valor menor do que o divulgado inicialmente.
Debate entre deputados
O tema também foi discutido entre deputados estaduais.
Na semana passada, cerca de 30 parlamentares de seis partidos participaram de uma reunião para tratar da situação. Segundo relatos de participantes, alguns deputados criticaram a estratégia de divulgação de obras sem garantia de recursos.
Programas no setor agrícola
Relatos semelhantes também surgiram na área da agricultura. Programas anunciados em agendas públicas com prefeitos estariam enfrentando dificuldades para sair do papel por falta de recursos disponíveis.
Boa parte desses anúncios foi divulgada em redes sociais por secretários, deputados e prefeitos aliados do governo, com apresentações de projetos e promessas de investimentos.
Agora, diante da possibilidade de redução ou revisão dos valores anunciados, prefeitos relatam dificuldade para explicar à população eventuais mudanças nos projetos.
Impacto político
Nos bastidores do Palácio Iguaçu, o tema também tem repercussão política.
Caso o governo estadual decida lançar o nome do secretário Guto Silva como candidato ao governo nas próximas eleições, lideranças avaliam que será necessário reduzir o desgaste entre prefeitos e parlamentares que participaram dos anúncios de obras.
