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Governo tem alívio momentâneo com suspensão da greve da Adapar

Servidores aguardam até a próxima quarta-feira, dia 15 de abril, por um posicionamento formal do Executivo em relação à pauta de reivindicações

Por Da Redação

Governo tem alívio momentâneo com suspensão da greve da Adapar Créditos: Geraldo Bubniak

A greve dos servidores da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), que estava prevista para começar nesta sexta-feira (10), foi suspensa temporariamente. A decisão foi anunciada pelo Sindicato dos Servidores da Defesa Agropecuária do Paraná (Sindefesa-PR), em conjunto com outras entidades que representam a categoria, após uma rodada de reuniões com o Governo do Estado.

De acordo com o sindicato, a suspensão do movimento representa um gesto de boa-fé por parte dos trabalhadores, que optaram por priorizar a continuidade das negociações. Com isso, os servidores aguardam até a próxima quarta-feira, dia 15 de abril, por um posicionamento formal do Executivo em relação à pauta de reivindicações.

A principal demanda da categoria segue sendo a reestruturação das carreiras. O tema vinha sendo discutido ao longo de 2025, mas não avançou dentro do prazo esperado pelos servidores. A frustração aumentou após a confirmação de que o projeto de lei não seria encaminhado à Assembleia Legislativa no primeiro semestre e deve ficar para depois de outubro de 2026, o que, na avaliação dos trabalhadores, inviabiliza avanços concretos ainda neste ano.

Apesar do cenário de impasse, o Sindefesa reforçou, em nota, que a decisão de suspender a greve busca preservar o diálogo institucional. “Nossa prioridade é o diálogo e a valorização de um serviço essencial para todos os paranaenses”, destacou a entidade.

A mobilização havia ganhado força ao longo da semana com a adesão de diferentes segmentos da Adapar. Além dos servidores, engenheiros ligados ao Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR) também haviam aprovado estado de greve, com paralisação prevista para o mesmo período. A convergência entre as categorias indicava a possibilidade de um movimento amplo, com impacto significativo nas atividades do órgão.

A eventual paralisação gerava preocupação tanto no setor produtivo quanto entre autoridades públicas. Isso porque as funções desempenhadas pela Adapar são consideradas estratégicas para o funcionamento do agronegócio paranaense. Entre as atividades estão a fiscalização sanitária de rebanhos, o controle de pragas, a inspeção de produtos de origem animal e vegetal, além da certificação e liberação de cargas para circulação e exportação.

Na prática, uma greve poderia afetar diretamente frigoríficos, produtores rurais e toda a cadeia logística do setor, além de trazer riscos sanitários e comprometer a imagem do Paraná em mercados internacionais.

Um dos pontos de maior atenção era a coincidência entre o início da paralisação e a visita de uma comitiva internacional do Japão ao Estado. A missão tem como objetivo avaliar o sistema de defesa agropecuária paranaense, etapa considerada fundamental para a ampliação das relações comerciais, especialmente na exportação de carnes.

O próprio sindicato havia alertado, anteriormente, que a greve poderia causar impacto negativo nas negociações com o país asiático. Havia o risco de o Japão adiar a abertura do mercado para a carne bovina do Paraná ou até redirecionar compras para outros estados brasileiros, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que também passam por auditoria.

Com a suspensão do movimento, no entanto, a visita ocorreu sem prejuízos operacionais, afastando, ao menos momentaneamente, o risco de impactos imediatos nas relações comerciais internacionais.

Entidades do setor produtivo, como o Sistema FAEP, já haviam manifestado preocupação com a possibilidade de paralisação. Em nota, a federação destacou que a interrupção dos serviços poderia comprometer a produção de alimentos e trazer riscos sanitários no meio rural. A entidade também defendeu a manutenção do diálogo como caminho para evitar prejuízos à economia do Estado.

Do lado do governo, a sinalização até o momento tem sido de continuidade das negociações. A Adapar destacou recentemente medidas de valorização do funcionalismo público estadual, incluindo um pacote estimado em R$ 1,6 bilhão ao ano, com reajuste salarial de 5% referente à data-base e estudos para reestruturação de carreiras. No entanto, ainda não houve anúncio de proposta específica que contemple as reivindicações dos servidores da agência.

Com a suspensão temporária da greve, a expectativa agora se concentra na resposta do governo dentro do prazo estabelecido. Caso não haja avanço nas negociações até o dia 15 de abril, os servidores já indicaram que poderão retomar o movimento paredista a partir do dia 16.

O desfecho das tratativas será determinante não apenas para a rotina da Adapar, mas também para a estabilidade do setor agropecuário paranaense, que depende diretamente da atuação do órgão para manter sua competitividade, segurança sanitária e credibilidade no mercado nacional e internacional.

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