Governo Ratinho troca investimento em docentes por ferramenta de inteligência artificial
Governador lança projeto com o Google para orientar e corrigir textos de estudantes, mas iniciativa reacende debate sobre substituição do trabalho docente por ferramentas tecnológicas
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A falta de professores, a sobrecarga de trabalho e as cobranças por valorização da carreira continuam entre as principais reivindicações da categoria no Paraná. Em meio a esse cenário, o Governo do Estado decidiu ampliar o uso da inteligência artificial dentro das escolas públicas estaduais. Nesta semana, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) lançou o projeto piloto "Tutor IA", ferramenta desenvolvida em parceria com o Google para auxiliar estudantes na elaboração e revisão de redações.
A iniciativa será testada até o dia 10 de julho em duas escolas da rede estadual: o Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba, e o Colégio Estadual Alberto Rebello Valente, em Ponta Grossa. A proposta prevê que a ferramenta ofereça orientações, sugestões e feedbacks automáticos sobre os textos produzidos pelos alunos.
Para a APP-Sindicato, que representa professores e funcionários das escolas estaduais, a expansão das ferramentas digitais ocorre em um momento em que a categoria continua cobrando melhores condições de trabalho, contratação de profissionais e valorização salarial. A entidade também questiona a crescente dependência de plataformas tecnológicas para atividades que historicamente fazem parte da atuação pedagógica dos docentes.
Embora o governo afirme que a inteligência artificial será utilizada apenas como apoio ao processo de aprendizagem, o lançamento reacendeu o debate sobre os limites da tecnologia na educação pública. Críticos da proposta alertam que ferramentas automatizadas não substituem o acompanhamento individual, a mediação pedagógica e a formação crítica proporcionada pelos professores em sala de aula.
Na divulgação oficial do projeto, a Seed destaca que o Tutor IA ajudará os estudantes a desenvolver argumentos, estruturar textos e receber orientações para aprimorar a escrita. O sistema também faz análises automáticas sobre critérios como coesão, coerência, gramática e argumentação.
A coordenadora de Educação Digital da Seed, Lorena Pantaleão, afirmou que a fase piloto servirá para medir o impacto pedagógico da ferramenta antes de uma possível expansão para toda a rede estadual. O projeto conta ainda com acompanhamento presencial de equipes do Google nas escolas participantes.
A iniciativa se soma ao Redação Paraná, plataforma criada pela própria Secretaria da Educação e que já utiliza recursos automatizados para análise textual. Segundo dados do governo, mais de seis milhões de redações foram produzidas na ferramenta em 2025, sendo cerca de 340 mil corrigidas com apoio de inteligência artificial.
Para especialistas e representantes da categoria, o debate vai além da tecnologia. A principal preocupação é que a modernização digital avance mais rapidamente do que as políticas de valorização profissional. Enquanto o governo investe em novas ferramentas tecnológicas, sindicatos e educadores defendem que a prioridade deveria ser o fortalecimento do quadro docente, a redução da precarização do trabalho e melhores condições para quem está diariamente dentro das salas de aula.
A discussão agora é se a tecnologia será utilizada como ferramenta complementar ao trabalho dos professores ou se passará a ocupar espaços que, tradicionalmente, pertencem à atuação humana no processo educacional.
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