Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Governo estuda aumentar mistura de etanol na gasolina para 32%; entenda
Ministro Alexandre Silveira anunciou que proposta será levada ao CNPE em 15 dias; setor sucroenergético defende medida que pode poupar 450 milhões de litros de gasolina importada
O governo federal estuda elevar de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vendida no país. A proposta foi anunciada nesta terça-feira (9) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após reunião com representantes do setor de biocombustíveis e energia.
Segundo o ministro, a medida deverá ser encaminhada ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nos próximos 15 dias para análise. A iniciativa atende a uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e amplia a participação do etanol na composição da gasolina.
Atualmente, a mistura obrigatória é de 30%, percentual que entrou em vigor em agosto de 2025 após aprovação do CNPE. Antes disso, o índice era de 27%.
De acordo com Silveira, o aumento para 32% pode reduzir a dependência externa de combustíveis fósseis. A estimativa do Ministério de Minas e Energia é que cerca de 450 milhões de litros de gasolina deixem de ser importados com a mudança.
"Podemos alcançar a autossuficiência e reduzir a necessidade de importação de gasolina, minimizando também os impactos de cenários internacionais sobre o abastecimento", afirmou o ministro.
Setor defende ampliação
Representantes da indústria sucroenergética também participaram da reunião e defenderam a ampliação da mistura. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, afirmou que o uso maior de etanol contribui para reduzir custos com importações e ampliar a segurança energética do país.
Segundo ele, desde o aumento da participação do biocombustível na gasolina, o Brasil reduziu gastos com importação de combustíveis e os consumidores foram beneficiados pela diferença de preços entre os dois produtos.
Gussi destacou ainda que o etanol custa, em média, R$ 2,40 a menos por litro em comparação com a gasolina e afirmou que a ampliação da mistura poderá contribuir para manter os preços mais competitivos ao consumidor.
Testes já foram realizados
De acordo com o setor, a mistura de 32% já foi avaliada tecnicamente durante estudos realizados antes da implantação do atual percentual de 30%.
A proposta agora será analisada pelo CNPE, órgão responsável por definir as diretrizes da política energética nacional. Caso aprovada, a medida poderá representar um novo avanço da participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
