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Governo anuncia nova rodada de apoio a empresas afetadas por tarifas dos EUA Créditos: Valter Campanato/Agência Brasil

Governo anuncia nova rodada de apoio a empresas afetadas por tarifas dos EUA

Plano prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados para setores atingidos pela sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) um novo pacote de medidas para apoiar os setores da economia brasileira afetados pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos nacionais. Entre as ações previstas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de iniciativas para ampliar mercados e facilitar o escoamento da produção.

O anúncio foi feito em Brasília pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, acompanhado do ministro da pasta, Márcio Elias Rosa, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

As novas tarifas norte-americanas, de 25%, entram em vigor no próximo dia 22 de julho. O governo brasileiro considera a medida injustificada e afirma que continuará buscando alternativas para reduzir os impactos sobre as empresas exportadoras.

Setores mais afetados

Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, os segmentos que sofrerão maior impacto são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.

De acordo com ele, essas empresas terão acesso a linhas de crédito voltadas ao capital de giro e aos investimentos, além de apoio para encontrar novos compradores em outros mercados internacionais.

"O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta", afirmou.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente afetadas pelas novas tarifas. Juntas, elas representam aproximadamente 18% das exportações nacionais destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões, considerando os números de 2024.

Governo aposta na diversificação de mercados

Apesar do impacto sobre parte da pauta exportadora, o governo destacou que diversos produtos brasileiros ficaram de fora da nova taxação, entre eles carnes, café, óleos e itens do setor aeronáutico.

Segundo o MDIC, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre 2024 e 2026, movimento que reforça a estratégia de ampliar a presença dos produtos brasileiros em outros mercados.

Lei da Reciprocidade está em análise

Durante a coletiva, Geraldo Alckmin afirmou que o governo avalia a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.

A legislação autoriza o Brasil a adotar medidas de resposta quando ações unilaterais de outros países prejudicarem a competitividade da economia nacional.

"Nós temos uma lei, a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la", declarou o vice-presidente, que classificou a decisão dos Estados Unidos como "injusta" e "descabida".

Fazenda critica decisão dos Estados Unidos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo considera a medida uma interferência externa indevida.

Segundo ele, as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos não possuem fundamento técnico e não refletem a realidade da economia brasileira.

Durigan também avaliou que o tarifaço não comprometerá a estabilidade macroeconômica do país e afirmou que o pacote de apoio deverá exigir um volume de recursos menor do que o disponibilizado no ano passado, já que a lista de produtos isentos da sobretaxa foi ampliada nesta rodada.

Governo rebate críticas ao Pix

Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano para justificar a nova tarifa está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rejeitou a alegação e afirmou que o crescimento do Pix não prejudicou as empresas de cartões de crédito.

Segundo ele, após a implantação do sistema, o mercado de cartões cresceu cerca de 150%, enquanto os principais substituídos foram os cheques e o dinheiro em espécie.

Galípolo comparou a crítica ao Pix à ideia de afirmar que a implantação do saneamento básico prejudicaria empresas que fornecem água por caminhão-pipa, destacando que a comparação não encontra respaldo nos dados do mercado.

Meio Ambiente também contesta acusações

O governo dos Estados Unidos também citou o aumento do desmatamento e o comércio ilegal de madeira entre os motivos para a adoção das tarifas.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, contestou as alegações e afirmou que elas não possuem base técnica.

Segundo ele, o Brasil reduziu em aproximadamente 50% o desmatamento na Amazônia nos últimos três anos, resultado que, na avaliação do governo, contradiz os argumentos apresentados pelas autoridades norte-americanas.

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