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Fim da escala 6x1 divide economistas sobre impactos no PIB e na inflação

Estudos divergem sobre efeitos da redução da jornada, com projeções que vão de queda na economia a geração de empregos

Por Eliane Alexandrino

Fim da escala 6x1 divide economistas sobre impactos no PIB e na inflação Créditos: Reprodução/Redes Sociais

A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil, com o fim da escala 6x1, tem intensificado o debate entre economistas e entidades do setor produtivo. Em análise no Congresso Nacional, a medida levanta divergências sobre seus possíveis impactos no Produto Interno Bruto (PIB), no emprego e na inflação.

De um lado, estudos de confederações empresariais apontam efeitos negativos na economia. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta queda de 0,7% no PIB, o equivalente a R$ 76 bilhões, além de redução da competitividade da indústria. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima aumento de até 21% nos custos com mão de obra, com possível repasse aos preços ao consumidor.

Por outro lado, pesquisas de instituições como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam impactos mais limitados. Os estudos apontam que o aumento médio dos custos para as empresas seria inferior a 10% e poderia ser absorvido em grande parte dos setores, com possibilidade de geração de empregos e estímulo ao consumo.

A divergência entre os levantamentos está relacionada às premissas adotadas. Enquanto parte dos estudos considera que a redução da jornada levará à queda na produção, outros apontam que a medida pode gerar ajustes no mercado de trabalho, como aumento da produtividade e novas contratações.

No campo da inflação, as projeções também são distintas. Entidades empresariais avaliam que o aumento do custo da mão de obra tende a ser repassado aos preços. Já economistas ligados a centros de pesquisa afirmam que o impacto inflacionário seria limitado, podendo ser diluído por fatores como concorrência e capacidade ociosa da economia.

O debate também envolve aspectos históricos. Especialistas lembram que a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais, prevista na Constituição de 1988, não resultou em perda de empregos, segundo estudos acadêmicos posteriores. Ainda assim, representantes da indústria argumentam que o cenário econômico atual é diferente, com maior concorrência global e desafios de produtividade.

Com diferentes projeções e interesses em disputa, a proposta segue em discussão no Congresso, sem consenso sobre seus efeitos na economia brasileira.

Texto: Agência Brasil

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