Famílias denunciam abandono de crianças autistas e falta de atendimento especializado em Assis Chateaubriand
Pais relatam espera de mais de um ano por terapias, negativa de acesso a serviços especializados e ausência de estrutura adequada na rede pública de saúde do município
Por Gazeta do Paraná
Créditos: CGN
Enquanto aumentam as reclamações sobre filas, falta de médicos e dificuldades no atendimento da saúde pública em Assis Chateaubriand, novas denúncias expõem um cenário ainda mais delicado: o de famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que afirmam enfrentar abandono, demora e ausência de suporte especializado por parte do poder público municipal. A apuração é da CGN.
A situação veio à tona após o relato de Tatiane e Tiago, pais da pequena Lílian, de quatro anos, diagnosticada com TEA nível 3, condição que exige suporte elevado e acompanhamento multidisciplinar contínuo. Segundo a família, a criança está há mais de um ano sem acesso adequado aos tratamentos necessários pela rede pública de saúde.
De acordo com os pais, a menina apresenta dificuldades severas de comunicação, ausência de contato visual e episódios intensos de irritabilidade. Atualmente, ela recebe apenas um atendimento semanal na APAE, considerado insuficiente diante das necessidades clínicas do quadro.
O casal afirma ter buscado atendimento diversas vezes junto à Prefeitura e aos serviços municipais de saúde, mas diz encontrar sempre a mesma justificativa: falta de profissionais especializados. Eles também relatam que houve negativa de acesso a outro centro de atendimento voltado a crianças neurodivergentes sob o argumento de que a menina já frequenta a APAE.
Outra alternativa apresentada à família teria sido o encaminhamento ao CAPS. Segundo os pais, porém, o local não possui estrutura adequada para terapias voltadas ao autismo severo. Eles alegam ausência de materiais pedagógicos, recursos lúdicos e profissionais preparados para esse tipo de acompanhamento especializado.
O caso se torna ainda mais grave diante do relato de que, após permanecer durante um ano em fila de espera, a família foi informada de que a criança não poderia receber o atendimento solicitado. Mesmo com laudos emitidos por três neurologistas, os pais afirmam continuar enfrentando resistência para conseguir o suporte necessário.
As denúncias também chegaram ao Ministério Público. Ainda assim, segundo a família, não houve avanço efetivo na garantia do atendimento especializado. O desgaste emocional provocado pela busca constante por tratamento também foi relatado pelos pais, que afirmam ter sido acusados de negligência enquanto tentavam assegurar assistência à filha.
As reclamações envolvendo crianças com TEA ampliam a pressão sobre a administração municipal e se somam a outras denúncias recentes relacionadas à saúde pública de Assis Chateaubriand, incluindo relatos de longas filas, falta de médicos e problemas no transporte de pacientes em tratamento fora do município.
Até o fechamento da reportagem original, a Prefeitura de Assis Chateaubriand não havia se manifestado oficialmente sobre as denúncias apresentadas pelas famílias.
Créditos: Redação
