Eu não posso aceitar o silêncio
O povo está esperando explicações. Está entrando todos os dias nas redes sociais do governador para ver se ele fala alguma coisa. E o que recebe em troca? Bloqueio. Silêncio. Fechamento.
Créditos: Imagem gerada por IA
Eu vou falar porque não é possível ficar calado diante do que está acontecendo. O Paraná inteiro só fala disso: os áudios que escancaram um esquema de corrupção dentro da Sanepar. E não estamos falando de qualquer coisa. Estamos falando de um patrimônio imensurável do Estado, do povo paranaense, sendo dilapidado na calada da noite.
O que me incomoda profundamente é essa forma de governar vendendo patrimônio público, inventando leilões, empurrando decisões estratégicas para longe do debate público. Licitação de verdade, na forma da lei, não se faz mais. A coisa toda é conduzida desse jeito torto, como se o povo não tivesse direito de saber o que está sendo feito com o que é dele.
E eu quero cobrar diretamente o governador. Quem é esse tal de Guto? Quem é esse cara que aparece nos áudios falando de sacanagem, de roubalheira na Sanepar? Os próprios áudios dizem que ele manda mais que o governador. Então eu pergunto: quem governa de fato o Paraná? Porque, para mim, governador de direito e de fato é quem foi eleito pelo voto popular.
Eu votei no Ratinho Jr. E digo isso sem medo. Justamente por isso eu posso cobrar. Eu posso exigir explicações. O mínimo que se espera é que ele venha a público explicar quem é esse personagem e por que seu nome aparece associado a práticas tão graves. Vai deixar esses áudios circulando até virarem “verdade” pelo simples fato de serem repetidos?
Eu tenho visto nesse governo uma coisa muito perigosa: mentira atrás de mentira. Isso não é novidade histórica. Uma mentira repetida mil vezes vira verdade. Eu já disse e repito: eu não considero o governador fascista e não quero que ele carregue essa pecha. Mas não pode permitir que esses papagaios de pirata, esses cretinos corruptos que ficam orbitando o poder, joguem isso nas costas dele. Parem de mentir. É mais correto, mais digno e mais responsável dizer a verdade.
Se o governador não sabia, que venha e diga: “não sabia”. Que convoque a imprensa, que encare o problema, que diga ao povo do Paraná que foi pego de surpresa. Governador não é onipresente, pode ser enganado. Eu ainda dou a ele o benefício da dúvida. Ainda acho que não sabia da corrupção dentro da Sanepar. Mas as provas estão chegando, e o silêncio começa a ficar insustentável.
Não dá para empurrar tudo para a Operação Ductos, como se isso resolvesse o problema. A Ductos não acabou, não tem sentença final. Dizer que tudo isso é coisa antiga é mentira. E mais: quem aparece agora nos áudios nem fazia parte daquele esquema. Isso não é passado. Isso é repetição de práticas de corrupção.
E não é só a Sanepar. Se quiser ajudar de verdade, governador, mande investigar imediatamente o que está acontecendo na Secretaria da Saúde. Tem conversa séria sobre contratos com hospitais. Se isso for verdade, não sobra nada de pé. Eu não estou acusando ninguém. Estou alertando. Estou ajudando. Cabe a quem governa mandar investigar.
Agora, uma coisa é inadmissível: chantagem. Governador nenhum pode aceitar ser chantageado por funcionário ou ex-dirigente. Isso é o fim da linha. Se houve chantagem, é gravíssimo. Se não houve, explique. Mas não dá para fingir que não aconteceu. Principalmente quando o personagem citado deixou a Sanepar para assumir um cargo ainda mais poderoso, presidindo um banco público que financia iniciativas do Estado.
O que se vê, enquanto isso, são festas, palmas, vídeos bem editados, eventos para inglês ver. Um verdadeiro circo de horrores. Uma farra para poucos, enquanto o povo é enganado, ludibriado e roubado. Batem palma uns para os outros, filmam, espalham propaganda e tentam vender a ideia de que o Paraná está aplaudindo.
Não está.
O povo está esperando explicações. Está entrando todos os dias nas redes sociais do governador para ver se ele fala alguma coisa. E o que recebe em troca? Bloqueio. Silêncio. Fechamento.
Eu continuo acreditando que ainda há tempo de fazer o certo. Mas isso exige coragem. Coragem para vir a público, prestar contas, detalhar o que está acontecendo nas madrugadas do governo. Sem mentiras, sem encenação, sem empurrar para baixo do tapete.
Em democracia, quem se cala diante de denúncias tão graves não preserva autoridade — perde. E eu não falo isso como inimigo. Falo como eleitor, como cidadão e como alguém que não aceita ver o patrimônio do Paraná tratado dessa forma.
Créditos: Marcos Formighieri
