Entenda o que está por trás da briga entre Do Carmo e Matheus Vermelho na Alep
Confronto em plenário teve origem em provocação sobre emendas impositivas, mas revela disputa política maior envolvendo governo Ratinho e o avanço de Sérgio Moro no Paraná
Por Gazeta do Paraná
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A briga entre os deputados Do Carmo e Matheus Vermelho, registrada durante sessão da Assembleia Legislativa do Paraná, vai muito além de um desentendimento pontual. O confronto, que quase terminou em agressão física, foi provocado por uma discussão sobre emendas parlamentares, mas expõe uma disputa política mais profunda que já domina os bastidores da Casa.
Segundo apuração, o episódio começou quando Do Carmo questionou Vermelho sobre o tema das emendas impositivas. A resposta veio em tom direto e provocativo. “Você vai ter que se vender de novo ao governo”, disse o deputado do PL, em referência à atuação do colega do Podemos.
A frase funcionou como estopim. Do Carmo reagiu imediatamente, avançou em direção a Vermelho e precisou ser contido por outros parlamentares no plenário. Após o episódio, deixou o local visivelmente alterado.
O momento mais tenso ocorreu fora do alcance dos microfones, mas imagens e relatos de bastidores confirmam a intensidade do confronto.
Um plenário já em ebulição
A sessão em que ocorreu a briga já vinha sendo marcada por forte tensão política. Ao longo dos discursos, deputados transformaram o plenário em palco de um embate direto em torno de Sérgio Moro.
“O nosso senador Sérgio Moro é um herói, sim. É um herói que mudou a realidade do nosso país”, afirmou o deputado delegado Tito Barrichello, em defesa do ex-juiz.
Na mesma linha, o deputado Ricardo Arruda reforçou o tom ideológico. “Tenho cada dia mais orgulho de ser de direita e de ser bolsonarista”, disse.
Do outro lado, a reação foi igualmente dura. O deputado Arilson Chiorato atacou diretamente a atuação de Moro. “O acusador combinava com o juiz. Isso está público, está colocado”, afirmou.
Chiorato também questionou a relação do senador com o estado. “O Paraná não pode ser segunda opção. O cara queria ser senador por São Paulo”, disse.
Já o deputado Luiz Claudio Romanelli trouxe uma crítica mais estrutural ao impacto da Lava Jato. “Mais de um milhão e duzentos mil empregos no Brasil foram extintos”, afirmou.
Moro pauta a Assembleia
Mesmo fora do plenário, o nome de Sérgio Moro dominou a sessão. O senador foi citado repetidamente, tanto por aliados quanto por adversários, funcionando como eixo central do debate político.
O movimento revela uma antecipação da disputa eleitoral de 2026 dentro da Assembleia.
De um lado, um grupo de deputados se consolida em torno de Moro e passa a se posicionar como oposição ao governo estadual. De outro, parlamentares ligados ao grupo do governador Ratinho Junior defendem a continuidade do projeto político, hoje associado ao nome de Sandro Alex.
O papel das emendas na crise
A discussão que desencadeou a briga envolve um dos temas mais sensíveis do Legislativo: as emendas parlamentares.
Hoje, deputados podem indicar recursos do orçamento estadual para suas bases, mas a execução depende do governo. As chamadas emendas impositivas mudariam esse modelo ao obrigar o Executivo a liberar os valores.
Na prática, isso amplia o poder político dos parlamentares e garante maior capacidade de levar obras e investimentos para suas regiões, especialmente em ano pré-eleitoral.
De consenso a confronto
O ponto mais revelador é que tanto Do Carmo quanto Matheus Vermelho já estiveram alinhados na defesa do fortalecimento das emendas parlamentares. O que mudou foi o cenário político.
A fala de Vermelho explicita essa ruptura ao transformar o debate em acusação direta. Ao dizer que o colega “vai ter que se vender de novo ao governo”, o deputado do PL não apenas respondeu a uma provocação, mas expôs uma disputa de narrativa sobre quem está, de fato, alinhado ao Executivo.
Aproximação com o governo
Dias antes da sessão, Do Carmo publicou em suas redes sociais uma imagem ao lado de lideranças do governo estadual, incluindo o governador Ratinho Junior, o vice-governador Darci Piana e o pré-candidato Sandro Alex.
A postagem reforçou a percepção de proximidade com o Executivo, elemento que foi explorado politicamente durante o confronto.
Disputa dentro do mesmo campo
A briga escancara uma divisão dentro do próprio campo político que hoje orbita a direita e o centro-direita no Paraná.
Matheus Vermelho, do PL, integra um grupo mais alinhado ao projeto de Moro e que busca consolidar uma posição de oposição ao governo estadual. Já Do Carmo, do Podemos, mantém uma atuação mais flexível, com trânsito junto ao Executivo.
Essa diferença de postura tem gerado tensão crescente dentro da Assembleia.
Muito além de uma briga
O confronto entre os dois deputados é, na prática, um reflexo de uma disputa maior que já está em curso dentro da Alep.
A Assembleia deixou de ser apenas um espaço de votação de projetos e passou a funcionar como palco antecipado da eleição de 2026.
E, nesse novo cenário, até temas que antes uniam parlamentares passaram a dividir e, como mostrou a sessão, a provocar confrontos diretos dentro do plenário.
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