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Empresário do Oeste do Paraná é condenado a mais de 16 anos por golpe de R$ 20 milhões contra produtores

Celso Fruet, dono de cerealista em Campo Bonito, causou prejuízo a mais de 100 agricultores e responde por 126 crimes de estelionato

Por Eliane Alexandrino

Empresário do Oeste do Paraná é condenado a mais de 16 anos por golpe de R$ 20 milhões contra produtores Créditos: Divulgação

O empresário Celso Fruet, de 72 anos, foi condenado a mais de 16 anos de prisão por aplicar um golpe estimado em R$ 20 milhões contra produtores rurais no Oeste do Paraná. A decisão da Justiça também estabelece o pagamento de multa de R$ 959 mil, além da responsabilização por 126 crimes de estelionato.

Fruet era proprietário de uma cerealista em Campo Bonito, onde atuava havia cerca de 30 anos. Ele está preso desde novembro de 2025, quando foi localizado pela Polícia Civil em Francisco Beltrão, após permanecer foragido por aproximadamente quatro meses. A prisão ocorreu após investigações que apontaram prejuízo superior a R$ 20 milhões, atingindo mais de 100 produtores da região.

De acordo com o Ministério Público do Paraná, o empresário recebeu e armazenou grandes volumes de soja, milho e trigo, mas não repassou os valores aos agricultores após a venda dos grãos. As apurações indicam que, mesmo após vender a cerealista para uma cooperativa da região, em junho de 2025, Fruet continuou negociando com produtores sem informar sobre a transação. Ele seguia recebendo a produção normalmente, mas não efetuava os pagamentos.

A denúncia também aponta que mais de 120 produtores foram vítimas do esquema, sendo parte deles idosos. O Ministério Público sustenta que houve enriquecimento ilícito e requer, além das penas previstas, a reparação dos prejuízos causados às vítimas. A defesa do empresário informou que considera a pena desproporcional e que irá recorrer da decisão judicial.

Como funcionava o golpe

Segundo as investigações, Fruet utilizava a credibilidade construída ao longo de décadas no setor para atrair produtores. A cerealista operava como intermediadora na armazenagem e comercialização de grãos, prática comum na região. Para ampliar o volume de negócios, o empresário oferecia valores acima da média de mercado.

“Se a saca custava R$ 100, ele pagava R$ 104 ou R$ 105”, explicou a delegada Raiza Bedim, responsável pelo caso.

O esquema começou a ruir no fim de julho de 2025, quando o empresário desapareceu após esvaziar os silos da empresa. Ao chegarem ao local, produtores encontraram a estrutura sem grãos, sem equipamentos e sem funcionários. Foi nesse momento que muitos descobriram que a cerealista havia sido vendida semanas antes e que não havia qualquer garantia de pagamento pelos produtos entregues.

As investigações também apontam que Fruet já havia sido alvo de apurações por estelionato em outras cidades do Paraná, como Capanema e Virmond, com modo de atuação semelhante. Parte desses casos, no entanto, não resultou em punição devido à prescrição.

Para os órgãos de investigação, o caso evidencia o uso de relações de confiança no meio rural para a prática de fraudes de grande escala. O processo segue com possibilidade de recursos por parte da defesa, enquanto as vítimas aguardam a reparação dos prejuízos causados.

Foto: Divulgação

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