Emendas impositivas: proposta é protocolada na Alep e pode reservar até R$ 1 bilhão
Proposta protocolada na Assembleia Legislativa do Paraná torna obrigatória a execução das emendas parlamentares e enfrenta resistência do governador Ratinho Junior
Créditos: Pedro Oliveira/Alep
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui as chamadas emendas impositivas foi protocolada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A medida pretende tornar obrigatória a execução das emendas parlamentares individuais ao orçamento estadual, impedindo que o governo escolha quais indicações dos deputados serão pagas.
A proposta foi protocolada pelo deputado estadual Luiz Fernando Guerra (Novo), mas conta com o apoio de mais de 30 parlamentares, entre integrantes da base governista e da oposição.
Embora o protocolo já tenha sido confirmado por diversos deputados, o texto da PEC ainda não foi disponibilizado oficialmente. Segundo informações divulgadas pelo Blog Politicamente, um dos pontos que ainda deverá gerar discussão é o percentual do orçamento estadual que ficará reservado para as emendas parlamentares.
Proposta prevê reserva de parte do orçamento
Na prática, a PEC estabelece que uma parcela da receita estadual seja destinada obrigatoriamente às emendas apresentadas pelos deputados estaduais.
Nos bastidores da Assembleia, a estimativa é de que o montante destinado às emendas possa chegar a cerca de R$ 1 bilhão.
Caso a proposta seja aprovada, todos os parlamentares, independentemente de integrarem a base do governo ou a oposição, terão direito à execução dos recursos indicados em suas emendas.
Ratinho Junior é contra a proposta
O governador Ratinho Junior (PSD) já declarou publicamente ser contrário à adoção das emendas impositivas no Paraná.
Em entrevista à rádio Jovem Pan Paraná, o governador afirmou que a obrigatoriedade do pagamento das emendas reduziria a capacidade de investimento do Estado. A expectativa nos bastidores é de que o Palácio Iguaçu oriente sua base de apoio a votar contra a PEC.
Atualmente, o governo estadual destina recursos aos parlamentares aliados por meio de programas definidos pelo Executivo. Além disso, parte do dinheiro economizado pela Assembleia Legislativa e devolvido ao Estado é aplicada em ações conjuntas entre os dois Poderes, como construção de creches, pavimentação de vias, hospitais, escolas e outras obras regionais.
Tramitação deve ocorrer após leitura em plenário
A expectativa é que a proposta seja lida em plenário pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi (Republicanos), nas próximas semanas.
No entanto, não há prazo para que a matéria seja colocada em votação. Pelo Regimento Interno, o presidente da Casa é obrigado apenas a fazer a leitura da PEC, sem a necessidade de pautá-la imediatamente.
Como se trata de uma proposta de emenda à Constituição, o texto ainda precisará cumprir etapas regimentais, como a criação de uma comissão especial para análise da matéria antes de seguir para votação em plenário.
Com a proximidade do recesso parlamentar e das eleições de outubro, deputados avaliam que a discussão poderá ficar para depois do primeiro turno.
Eleições podem influenciar andamento
Nos bastidores da Assembleia, parlamentares avaliam que o cenário eleitoral deverá influenciar diretamente a tramitação da PEC.
Isso porque nenhum dos candidatos ao Governo do Paraná demonstrou interesse em assumir a administração estadual já obrigado a destinar parte do orçamento para o pagamento das emendas parlamentares.
Por outro lado, os defensores da proposta argumentam que o Paraná está entre os poucos estados brasileiros que ainda não adotaram o modelo de emendas impositivas, em vigor em boa parte das unidades da Federação.
A avaliação de deputados é que, caso a votação não ocorra antes da definição do próximo governador, a proposta poderá seguir o mesmo caminho de iniciativas semelhantes apresentadas em legislaturas anteriores e acabar sem avanço.
Deputados que assinaram a PEC
A proposta recebeu a assinatura dos seguintes parlamentares:
- Moacyr Fadel (PSD)
- Evandro Araújo (PSD)
- Luiz Fernando Guerra (Novo)
- Thiago Bührer (PSD)
- Jairo Tamura (PL)
- Dr. Leônidas (PP)
- Cristina Silvestri (PP)
- Matheus Vermelho (PL)
- Mabel Canto (PP)
- Marli Paulino (PSD)
- Maria Victoria (PP)
- Secretária Márcia (PSD)
- Fabio Oliveira (Novo)
- Samuel Dantas (PL)
- Alexandre Amaro (Republicanos)
- Delegado Jacovós (PL)
- Pedro Paulo Bazana (PSD)
- Goura (PDT)
- Professor Lemos (PT)
- Requião Filho (PDT)
- Ricardo Arruda (PL)
- Gilberto Ribeiro (PL)
- Tercílio Turini (MDB)
- Alisson Wandscheer (PP)
- Paulo Gomes (PL)
- Delegado Tito Barichello (PL)
- Doutor Antenor (PT)
- Cobra Repórter (PSD)
- Arilson Chiorato (PT)
- Luis Raimundo Corti (PSD)
- Renato Freitas (PT).
