Em sessão tumultuada, vereador Éder Borges reage a acusações de nepotismo em meio a ação do Ministério Público
Após virar alvo de ação do MP por nepotismo, Éder Borges reage em plenário, ataca promotores, fala em perseguição política e transforma sessão da Câmara em palco de confronto ideológico
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Rodrigo Fonseca/CMC
Em meio à tramitação de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por suspeita de nepotismo, o vereador Éder Borges (PL) protagonizou, na manhã desta segunda-feira (9/2), um momento de forte reação durante sessão ordinária na Câmara Municipal de Curitiba.
O pronunciamento, feito no pequeno expediente da sessão, expôs a defesa do parlamentar em tom combativo e direcionado, golpeando não apenas as acusações, mas também a credibilidade das instituições que têm tratado do caso.
A acusação e o pano de fundo
O cerne da controvérsia é uma ação movida pelo Ministério Público que acusa Borges de nomear como chefe de gabinete a filha da mulher com quem, segundo o MP, ele teria mantido uma relação de união estável — ligação que, para o órgão, caracterizaria nepotismo, isto é, favorecer parentes em cargos públicos, algo proibido no serviço público pela legislação e pela jurisprudência brasileira.
A denúncia ganhou força nos últimos meses, com diversas reportagens abordando o caso e parlamentares na Câmara pedindo investigações internas. A representação na Corregedoria e no Conselho de Ética pela vereadora Giorgia Prates (PT) chegou a ser arquivada por falta de provas formais antes de o Ministério Público ingressar com a ação.
Reação em plenário
Diante desses desdobramentos, Borges usou a tribuna para afirmar que a acusação é infundada e que o processo tem motivação política. Para o vereador, as notícias veiculadas e a atuação do MP seriam reflexos de uma tentativa de “bloquear” sua atuação e desacreditá-lo politicamente.
“Meu jurídico já está atuando contra essas fake news, totalmente frágeis… não vou dar palco a essas fofocas”, declarou o parlamentar à Casa.
Na sequência, passou a contestar os elementos usados pela promotoria. Segundo ele, fotos pessoais publicadas em redes sociais estariam sendo tratadas como indícios de irregularidade. “Estão dizendo que foto de Dia dos Namorados, foto em casamento, convivência familiar… isso é prova de nepotismo. Estão de palhaçada com a minha cara e com a cara do contribuinte que paga os altos salários dessas promotoras”, afirmou.
Borges sustentou que vínculos afetivos não configurariam ilegalidade. “Noivado não é nepotismo. Namoro tampouco. Qualquer estudante do primeiro ano de Direito sabe disso. E uma promotora não sabe? Vão voltar a estudar”, disparou.
O vereador também criticou a condução da investigação. Disse que testemunhas favoráveis teriam sido ignoradas e que a promotoria teria ouvido apenas o ex-marido e a ex-sogra da chefe de gabinete, pessoas com quem ela mantém conflitos judiciais. “É gente com boletins de ocorrência, pedido de medida protetiva, briga de guarda de filha. Vão lá, falam um monte de coisa sem prova, e a promotoria dá atenção para isso”, declarou.
Em tom ainda mais duro, afirmou que sequer foi chamado para prestar esclarecimentos. “Eu não fui ouvido. A suposta esposa não foi ouvida. Como entram com uma ação sem base? Eu apresentei provas. Isso é ridículo. Vou mostrar hoje a armação.”
As críticas se estenderam ao próprio Ministério Público. “Essa promotoria envergonha a instituição, compromete a idoneidade do Ministério Público”, disse.
Ao defender a chefe de gabinete, Borges afirmou que ela estaria sofrendo exposição pública e preconceito por ser jovem e mulher. “Dizem que ela não tem qualificação. Isso é um absurdo.” Ele citou a formação técnica da servidora, estágio na Secretaria de Segurança Pública e a experiência profissional da família como argumentos para sustentar a aptidão ao cargo.
Por fim, apresentou números do gabinete para rebater as acusações. “No ano passado foram 6.181 requerimentos apresentados. Se somar a bancada inteira do PT, não chega à metade disso. Nosso gabinete produz mais, coordenado por ela”, declarou.
O tom combativo do discurso, transmitido ao vivo pelo canal da Câmara, gerou reações variadas entre vereadores de outras bancadas. Parlamentares que já manifestaram preocupação com o caso consideraram que a defesa do vereador não respondeu diretamente às acusações legais, mas reforçou uma narrativa de confronto político.
Em meio à tramitação do caso
A acusação de nepotismo não é recente. Desde meados de 2025, a situação vinha sendo analisada internamente pela Câmara, inclusive no âmbito do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar — que chegou a instaurar processo antes de arquivá-lo num voto apertado.
Com a ação civil pública do MP-PR, no entanto, o caso ganhou nova vida jurídica e voltou à pauta pública. O Ministério Público pede que seja reconhecida a prática de improbidade administrativa e que sejam aplicadas sanções previstas na lei, além da retirada imediata da servidora do cargo.
Na sessão desta manhã, as falas do vereador deixaram claro que, além de contestar juridicamente as acusações, sua estratégia política tem sido deslocar o foco para um debate mais amplo de “perseguição” — algo que tem repercutido nas redes sociais e na mídia local.
Créditos: Redação
