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Eleitor quer mais estabilidade sem abrir mão da liberdade no trabalho, aponta pesquisa

Levantamento mostra que brasileiros valorizam segurança, autonomia e qualidade de vida; tema deve ganhar espaço na eleição presidencial de 2026

Por Gazeta do Paraná

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Eleitor quer mais estabilidade sem abrir mão da liberdade no trabalho, aponta pesquisa Créditos: FOTO: Valquir Aureliano/SECOM (arquivo)

A busca por um trabalho que combine estabilidade e liberdade deve ocupar espaço importante no debate eleitoral de 2026. Pesquisa Ideia, realizada neste mês com 1.500 brasileiros, mostra que os eleitores não querem mais escolher necessariamente entre ter direitos e possuir autonomia para organizar a própria rotina.

A estabilidade no emprego aparece como a condição mais desejada para 21,3% dos entrevistados. Na sequência estão a possibilidade de trabalhar por conta própria, com 16,2%, e a liberdade para definir os próprios horários, citada por 13,1%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

O cenário é representado pela experiência de Leandro Alves, de 47 anos. Morador de Planaltina, no Distrito Federal, ele deixou um emprego com carteira assinada em 2021 para trabalhar com entregas por aplicativos. A flexibilidade permite acompanhar os dois filhos em consultas médicas sem precisar pedir autorização a um chefe.

Apesar da autonomia, a realidade financeira mudou. Alves afirma que, até 2022, conseguia obter cerca de R$ 4,5 mil livres por mês. Atualmente, trabalha aproximadamente 11 horas por dia e diz não conseguir manter os mesmos custos de vida.

— Até 2022, eu conseguia ter uma renda que ajudava minha mãe e meus filhos. Sobravam em torno de R$ 4,5 mil. Hoje, trabalho 11 horas por dia e não consigo manter os custos de vida — relata.

Segurança e qualidade de vida

Quando questionados sobre o que consideram mais importante em um emprego, os brasileiros também colocam a segurança no centro das prioridades. A estabilidade aparece com 27,7%, seguida por plano de saúde (24,1%), flexibilidade de horários (19,7%), férias e descanso remunerados (18,2%), possibilidade de ser o próprio chefe (16,3%) e trabalho remoto ou híbrido (15,1%).

Para a CEO do Ideia, Cila Schulman, os resultados mostram que o trabalhador não quer mais ser obrigado a escolher entre proteção e liberdade.

— Entre estabilidade e liberdade, o trabalhador quer ambas. Estamos falando de qualidade de vida, não só de trabalho — avalia.

A percepção aparece entre diferentes categorias profissionais. Entre servidores públicos, 29,9% apontam a estabilidade como prioridade. O índice é de 23,4% entre assalariados e de 20,1% entre trabalhadores fora desses grupos, como autônomos, PJs e profissionais de aplicativos.

Trabalho por aplicativo entra no debate

A regulamentação do trabalho por aplicativos também deve ser um dos assuntos da campanha. A maioria dos brasileiros, 62,1%, apoia a criação de uma remuneração mínima para motoristas e entregadores. O apoio, porém, diminui quando os entrevistados são informados de que a medida poderia provocar aumento no preço das corridas e entregas.

Entre os principais pontos que deveriam fazer parte da regulamentação, o seguro contra acidentes aparece em primeiro lugar, com 19,5%, seguido pelo reconhecimento de vínculo empregatício com a plataforma (14,6%), remuneração mínima (12,4%) e acesso à Previdência (10,1%).

A pauta também atravessa a divisão ideológica. A remuneração mínima é defendida por 54% dos eleitores da direita bolsonarista e por 57% dos eleitores da direita não bolsonarista. Mesmo com a possibilidade de aumento das tarifas, mais de 40% dos entrevistados de diferentes grupos políticos mantêm o apoio.

Tema pode escapar da polarização

Para o cientista político Josué Medeiros, da UFRJ, as discussões sobre trabalho podem produzir efeitos eleitorais justamente por não seguirem uma divisão rígida entre esquerda e direita.

O governo Lula tende a defender maior proteção social, redução da jornada e o fim da escala 6x1. Já candidaturas de direita apostam mais na flexibilização das relações trabalhistas, em jornadas negociadas e menor interferência estatal.

A pesquisa, entretanto, indica que o eleitor pode combinar posições. Ele pode desejar uma carteira assinada e, ao mesmo tempo, horários flexíveis; ou defender autonomia profissional sem abrir mão de seguro e Previdência.

O fim da escala 6x1 aparece, nesse contexto, como uma discussão que ultrapassa a tradicional pauta trabalhista. Para Cila Schulman, a reivindicação está associada principalmente ao desejo de ter mais tempo para descanso, família e atividades pessoais.

Assim, o desafio dos candidatos à Presidência será apresentar propostas capazes de responder a uma mudança na relação dos brasileiros com o trabalho: mais segurança, mas também mais autonomia e qualidade de vida.

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