Delações sobre propinas em concessões reacendem debate sobre PPPs de saneamento no Paraná
As revelações nacionais envolvendo concessões de água e esgoto no Brasil adicionaram um novo elemento ao debate sobre as Parcerias Público-Privadas firmadas no Paraná nos últimos ano
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Divulgação
Delações homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça descrevem pagamentos de propina ligados a contratos de saneamento em diferentes regiões do país. Os depoimentos mencionam executivos ligados ao grupo Aegea e relatam repasses ilícitos para obtenção ou manutenção de concessões entre 2010 e 2018.
Segundo a apuração, os valores citados nas colaborações chegam a cerca de R$ 63 milhões. A empresa afirma que os fatos se referem a períodos anteriores a mudanças de governança interna e não refletem sua estrutura atual.
As delações não tratam do Paraná nem mencionam contratos firmados no Estado. Ainda assim, a repercussão nacional colocou o tema sob nova luz, especialmente porque o grupo atua localmente por meio da Ambiental Paraná, responsável por executar concessões de esgotamento sanitário firmadas com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).
Caso revelado pela Gazeta amplia debate local
O impacto do noticiário nacional ocorre poucos dias após a Gazeta do Paraná publicar uma reportagem investigativa sobre a trajetória da ex-diretora administrativa da Sanepar, Priscila Marchini Brunetta, hoje presidente de empresas ligadas à concessionária privada que opera as PPPs no Estado.
A matéria mostrou que a executiva deixou o primeiro escalão da estatal em abril de 2023, permaneceu vinculada a conselhos internos até outubro do mesmo ano e, no mesmo período, passou a atuar na Ambiental Paraná, empresa criada para operar os contratos de esgotamento sanitário.
Meses depois, ela assumiu a presidência das sociedades de propósito específico responsáveis por executar as concessões bilionárias.
A reportagem não apontou ilegalidades nem irregularidades nas licitações, mas destacou a rapidez da transição entre o setor público e o privado, fenômeno conhecido como “porta giratória” em ambientes regulados.
Presença da Aegea no Paraná
No Estado, o grupo venceu duas concorrências recentes ligadas à ampliação da rede de esgoto. As licitações estruturaram parcerias público-privadas com contratos de longo prazo, abrangendo dezenas de municípios e investimentos bilionários.
As concessões foram formalizadas por meio de sociedades criadas exclusivamente para operar os sistemas concedidos, com responsabilidade por obras, operação e manutenção das estruturas.
O modelo segue a lógica adotada em diversos estados após as mudanças no marco legal do saneamento, que ampliaram a participação privada no setor.
Debate ampliado
Embora não haja qualquer investigação que relacione as delações nacionais às concessões paranaenses, especialistas avaliam que o impacto das revelações está na ampliação do debate público sobre governança em contratos dessa natureza.
Concessões de saneamento envolvem contratos de décadas, tarifas reguladas e forte dependência de fiscalização estatal, o que exige padrões elevados de transparência e controle institucional.
Nesse contexto, episódios locais que já geravam questionamentos passaram a ser analisados em um ambiente mais sensível, influenciado pelo noticiário nacional.
Efeito político e institucional
Nos bastidores, a combinação entre o noticiário nacional e reportagens locais elevou o nível de atenção sobre o setor no Paraná.
O tema voltou a circular em gabinetes políticos e órgãos de controle, especialmente diante do volume financeiro envolvido e da importância estratégica do saneamento para políticas públicas de longo prazo.
A discussão não ocorre por denúncias específicas envolvendo os contratos estaduais, mas pelo efeito indireto da repercussão nacional sobre um modelo que ainda está em consolidação no Estado.
O que diz a empresa
Em manifestações públicas, a Aegea tem afirmado que os fatos mencionados nas delações são anteriores a mudanças internas implementadas na companhia e que a empresa reforçou seus mecanismos de governança nos últimos anos.
A companhia sustenta que os contratos atuais seguem regras rígidas de compliance e que mantém cooperação com autoridades em processos investigativos relacionados a períodos passados.
Novo nível de atenção
Se por um lado as delações não trazem acusações relacionadas ao Paraná, por outro elevaram o nível de atenção sobre concessões de saneamento em todo o país.
No Estado, onde os contratos são recentes e ainda em fase de implementação, o efeito imediato tem sido mais debate, mais cobrança e maior acompanhamento público.
Créditos: Redação
