Créditos: Rodrigo Fonseca/CMC
Com "escudo biológico" e novas técnicas, Curitiba reduz casos de dengue em 94%
Durante prestação de contas na Câmara, Tatiane Filipak destacou o uso do Método Wolbachia e anunciou que a capital será uma das seis cidades do país com centro de monitoramento climático do SUS
A secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak, afirmou que os casos de dengue registrados na capital tiveram redução de 94% neste ano. A declaração foi feita durante audiência pública realizada na Câmara Municipal para apresentação do relatório quadrimestral da área da saúde, referente ao período entre janeiro e abril de 2026.
Segundo a secretária, o resultado está ligado a ações preventivas adotadas pelo município, como mutirões de combate ao mosquito e projetos de controle do vetor.
Apesar da queda nos casos, Tatiane Filipak alertou para os possíveis impactos climáticos provocados pela formação de um novo fenômeno El Niño ainda em 2026, cenário que pode intensificar chuvas e favorecer a proliferação do mosquito transmissor da dengue.
“Claro que a gente vai entrar num período de El Niño e podemos ser impactados, mas todas as ações preventivas já estão sendo tomadas”, afirmou.
Durante a apresentação, a secretária também anunciou a adesão de Curitiba a um projeto-piloto do Ministério da Saúde voltado ao monitoramento dos impactos das mudanças climáticas na saúde pública.
A capital paranaense será uma das seis cidades brasileiras a implantar um Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC), iniciativa desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
De acordo com a gestora, o objetivo será monitorar efeitos relacionados às baixas temperaturas e ao aumento de doenças respiratórias.
“Nós estamos vendo isso agora. A temperatura caiu e estamos tendo mais casos respiratórios”, observou.
O projeto faz parte do Plano Nacional de Adaptação do Setor de Saúde às Mudanças Climáticas (AdaptaSUS) e prevê produção de dados epidemiológicos, formação de profissionais especializados e fortalecimento da capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de eventos climáticos extremos.
Combate à dengue
Durante a audiência, Tatiane Filipak destacou ações adotadas pelo município no enfrentamento à dengue e afirmou que Curitiba criou um “escudo biológico” para combate ao mosquito Aedes aegypti.
Entre os projetos apresentados está o uso de estações disseminadoras de larvicidas, tecnologia que utiliza o próprio mosquito para espalhar o produto em diferentes focos.
Segundo a secretária, a ferramenta reduz a necessidade de atuação direta das equipes de endemias.
Outra medida anunciada foi a implantação do Método Wolbachia, desenvolvido em parceria com a Wolbito do Brasil. A técnica consiste na introdução de uma bactéria no mosquito transmissor para bloquear a transmissão viral.
O Distrito Sanitário do Bairro Novo foi escolhido para receber o projeto-piloto.
A Secretaria Municipal da Saúde também informou que ampliou o número de mutirões do programa Curitiba Sem Mosquito.
Outras ações
Na área da atenção primária, a secretária destacou a ampliação da avaliação clínica IVCF-20 e informou que todas as gestantes em situação de rua estão sendo acompanhadas pela rede municipal.
Ela também apresentou avanços relacionados ao enfrentamento da violência, ampliação de exames preventivos, aumento das mamografias por meio de rastreamento ativo e fortalecimento do Programa Saúde na Escola (PSE).
Entre os demais pontos apresentados estiveram a presença de serviços odontológicos nas 109 unidades básicas de saúde da capital, a construção da 110ª UBS, ações de valorização dos servidores e iniciativas ligadas ao uso de inteligência artificial na saúde pública.
