Créditos: Marcello Casal JrAgência Brasil
Selic: Copom define hoje novo rumo dos juros em meio a pressões inflacionárias
Reunião do Copom ocorre sob impacto da alta dos combustíveis e guerra no Oriente Médio; Boletim Focus projeta redução da taxa para 14,5% ao ano
O Comitê de Política Monetária, do Banco Central do Brasil, realiza nesta quarta-feira (29) a terceira reunião de 2026 para definir o rumo da taxa básica de juros. O encontro ocorre em um cenário de pressão inflacionária, impulsionada principalmente pela alta dos combustíveis diante da guerra no Oriente Médio, mas com expectativa de mercado apontando para um novo corte na Selic.
Atualmente em 14,75% ao ano, a taxa básica permaneceu em 15% entre junho de 2025 e março deste ano, no maior patamar em quase duas décadas. A decisão do colegiado será anunciada no início da noite.
A reunião acontece com desfalques na diretoria do Banco Central. Os mandatos dos diretores Renato Gomes, responsável pela área de Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, da Política Econômica, terminaram no fim de 2025, e ainda não houve indicação de substitutos ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participa do encontro após o falecimento de um familiar.
Na ata divulgada após a reunião de março, o Copom não sinalizou de forma clara a continuidade do ciclo de cortes de juros. O Banco Central destacou que a condução da política monetária dependerá da evolução do cenário, especialmente diante das incertezas externas, como o conflito no Oriente Médio. Segundo o documento, tanto a magnitude quanto a direção dos próximos ajustes serão definidos conforme novas informações forem incorporadas às análises.
Apesar do ambiente de cautela, o mercado financeiro projeta nova redução. De acordo com o boletim Focus, levantamento semanal com analistas, a expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano.
Inflação segue pressionada
O comportamento da inflação ainda é um dos principais fatores de incerteza para a decisão. A prévia do índice oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15, registrou alta de 0,89% em abril, influenciada principalmente pelos preços de combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice avançou para 4,37%, acima dos 3,9% registrados em março.
As projeções também indicam pressão. Segundo o Focus, a estimativa para a inflação em 2026 subiu para 4,86%, ultrapassando o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. Atualmente, a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um limite máximo de 4,5%.
Como funciona a Selic
A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária do Banco Central. Ela serve de referência para as demais taxas de juros da economia e é utilizada nas operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia.
Quando elevada, a taxa tende a reduzir o consumo e o crédito, contribuindo para conter a inflação. Por outro lado, juros mais altos também podem desacelerar a atividade econômica. Já a redução da Selic costuma estimular o crédito, a produção e o consumo, com impacto direto sobre o crescimento econômico.
A definição da taxa ocorre a cada 45 dias, em reuniões realizadas em dois dias. No primeiro, são apresentadas análises técnicas sobre o cenário econômico nacional e internacional. No segundo, os diretores do Banco Central avaliam os dados e tomam a decisão.
Meta contínua de inflação
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, a meta de 3% é avaliada de forma permanente, com base na inflação acumulada em 12 meses, e não apenas no resultado fechado ao final do ano.
Com isso, a análise se desloca mês a mês. Em abril de 2026, por exemplo, considera-se a inflação acumulada desde maio de 2025. No mês seguinte, o cálculo passa a incluir o período a partir de junho de 2025, e assim sucessivamente.
No Relatório de Política Monetária divulgado em março, o Banco Central elevou a projeção para o IPCA de 2026 de 3,5% para 3,6%. No entanto, a autoridade monetária já sinaliza que o cenário pode ser revisado caso o conflito no Oriente Médio se prolongue e continue impactando preços globais, especialmente de energia.
