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Copel acelera venda de patrimônio e coloca sedes estratégicas de Cascavel, Foz e Toledo no mercado

Companhia pretende vender 72 imóveis avaliados em R$ 296,4 milhões. Entre eles estão importantes bases operacionais e de atendimento ao público no Oeste do Paraná

Por Gazeta do Paraná

Copel acelera venda de patrimônio e coloca sedes estratégicas de Cascavel, Foz e Toledo no mercado Créditos: Albari Rosa/Arquivo AEN

A venda de imóveis históricos e estratégicos da Copel avança para uma nova etapa e amplia o debate sobre os rumos da companhia após a privatização. Depois de vender participações em usinas, termelétricas e empresas do setor energético, a estatal privatizada agora coloca no mercado parte de sua própria estrutura física, incluindo sedes regionais que, há décadas, funcionam como centros de atendimento à população e bases operacionais para manutenção da rede elétrica. Os anúncios estão disponíveis no site: https://www.olx.com.br/perfil/colliers-international-a9fc8845?lis=mini_profile_adview.

Ao todo, a empresa pretende vender 72 imóveis espalhados pelo Paraná. O patrimônio colocado à disposição do mercado está avaliado em R$ 296,4 milhões. O dado que mais chama atenção é que apenas dez desses imóveis concentram aproximadamente R$ 222,7 milhões em valor de mercado, o equivalente a cerca de 75% de todo o pacote.

Lista de imóveis à venda está disponível na OLX. Foto: Reprodução/OLX

Entre eles estão três das mais importantes estruturas da região Oeste do Estado: as sedes da Copel em Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo. Os imóveis não são apenas prédios administrativos. Neles funcionam setores de atendimento ao consumidor, almoxarifados, estacionamentos de caminhões, bases das equipes de manutenção e toda a logística responsável pelo atendimento de milhares de consumidores.

O prédio de Cascavel, que tem 12,6 mil metros quadrados, e que atende todas as necessidades da empresa no município, está à venda por R$ 43,3 milhões.

A unidade de Foz do Iguaçu, está avaliada em R$ 4,98 milhões. Localizada na Vila Yolanda, ocupa um terreno de mais de cinco mil metros quadrados em uma das regiões mais valorizadas da cidade, próxima às avenidas General Meira e das Cataratas. O imóvel reúne escritórios administrativos, atendimento ao público e um amplo pátio operacional utilizado diariamente pelas equipes responsáveis pelos serviços na região.

Embora a Copel afirme que a venda faz parte de um projeto de revitalização do patrimônio imobiliário e garanta que não haverá prejuízo ao atendimento, ainda não informou onde essas estruturas serão reinstaladas. Também não foram divulgados detalhes sobre como ficará a distribuição das equipes operacionais após a alienação dos imóveis.

A falta dessas definições gera questionamentos porque as unidades desempenham papel estratégico na operação da companhia. São desses locais que partem veículos, equipamentos e materiais utilizados nas ocorrências diárias da rede elétrica. A eventual substituição dessas bases dependerá da criação de novas estruturas, cujos endereços e cronogramas ainda permanecem indefinidos.

O processo representa mais um capítulo da política de desinvestimentos iniciada após a privatização da empresa, concluída em 2023. Nos últimos anos, a Copel vendeu participações na Compagás, na Usina Hidrelétrica Dona Francisca, nas termelétricas de Araucária e Figueira, além de pequenas centrais hidrelétricas. Agora, o movimento avança sobre o patrimônio imobiliário construído ao longo de décadas.

A estratégia é defendida pela companhia como uma forma de otimizar ativos, reduzir custos e adaptar sua estrutura ao novo modelo operacional. Segundo a empresa, os imóveis disponíveis para venda já não atendem da forma mais eficiente às necessidades atuais e a reorganização permitirá maior racionalização do patrimônio.

Entretanto, a dimensão do pacote chama atenção. Não se trata da venda de imóveis isolados ou ociosos, mas de estruturas que historicamente serviram como sedes regionais e centros de operação da distribuidora. Além das unidades do Oeste, o programa também inclui imóveis de valor histórico, como o prédio que abrigava o Espaço Energia – Museu Copel, onde eram preservados documentos e objetos que contam parte da trajetória da companhia, incluindo peças ligadas ao ex-presidente Pedro Viriato Parigot de Souza. O prédio está avaliado em R$ 33 milhões pela companhia, no site onde ocorre a venda.

Prédio do Museu da Energia aparece no site entre os imóveis à venda. Foto: Reprodução/OLX

A sequência de alienações reforça um cenário de profunda transformação da empresa. Primeiro vieram as vendas de ativos de geração de energia; agora, entram na lista imóveis considerados estratégicos para o funcionamento cotidiano da distribuidora. Enquanto a Copel sustenta que o processo tornará a companhia mais moderna e eficiente, cresce o debate sobre os impactos da redução de seu patrimônio físico e sobre como ficará a presença da empresa nos municípios paranaenses após a venda de sedes que, durante décadas, serviram de referência para consumidores e trabalhadores.

A Copel emitiu uma nota sobre o assunto, afirmando que o processo contribui para a melhor adequação e aproveitamento de sua estrutura física. Confira a nota na íntegra:

"A Copel informa que deu início, em junho, a um projeto de revitalização de seus imóveis, com o objetivo de modernizar e otimizar seus espaços. Como parte dessa iniciativa, a companhia iniciou a venda de alguns imóveis, medida que contribui para a melhor adequação e aproveitamento de sua estrutura física, alinhando os ativos às atuais necessidades operacionais."

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