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Chiorato aciona MP e cobra investigação sobre falhas e impactos da engorda da praia de Matinhos

Denúncia aponta erosão persistente, arraste de sacos de areia e possível desperdício de R$ 513 milhões, no litoral paranaense. Requião Filho reforça críticas e cobra responsabilidade sobre os impactos ambientais e o uso do dinheiro público.

Por Eliane Alexandrino

Chiorato aciona MP e cobra investigação sobre falhas e impactos da engorda da praia de Matinhos Créditos: Divulgação

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) protocolou, na úlima sexta-feira (23), uma representação no Ministério Público do Paraná para apurar possíveis falhas técnicas, danos ambientais e impactos financeiros relacionados à obra de engorda da praia de Matinhos. A intervenção recebeu investimento aproximado de R$ 513 milhões do Poder Executivo estadual.

Presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa, Chiorato relata, na denúncia, episódios de erosão na faixa de areia ao lado do palco do Verão Maior e o arraste de sacos de areia pela maré alta situação que, segundo o parlamentar, deveria ter sido evitada por um projeto dimensionado para resistir às ressacas. Imagens e vídeos divulgados publicamente mostram moradores e surfistas retirando sacos de areia de dentro do mar.

A representação também aponta ocorrências recorrentes de erosão em trechos da praia de Caiobá, mesmo após a conclusão da obra, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade técnica da intervenção e a efetividade dos recursos empregados. Para o deputado, o cenário exige apuração rigorosa dos órgãos de controle, tanto sob a ótica ambiental quanto da correta aplicação do dinheiro público.
“O que era para proteger a praia virou lixo dentro do mar. É o dinheiro do povo sendo engolido pelas ondas. Essa obra foi mal planejada e agora quem paga é a natureza e a população do nosso litoral”, afirmou Chiorato.

No documento, o parlamentar solicita que o MP-PR investigue o licenciamento ambiental, os estudos técnicos que embasaram a obra, os impactos ambientais causados e a efetividade dos recursos públicos. O pedido inclui a avaliação de medidas para cessar os danos, promover a reparação ambiental e responsabilizar eventuais envolvidos, caso sejam constatadas irregularidades. Chiorato ressalta ainda que o litoral paranaense é área de especial proteção ambiental e que intervenções desse porte precisam respeitar a dinâmica natural do mar.

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Críticas também do deputado Requião Filho


O deputado estadual Requião Filho (PDT) também criticou os investimentos no litoral. Segundo ele, há registros de erosão desde outubro do ano passado, com novos episódios no início de janeiro e durante ressacas recentes. “O reforço feito com sacos se desmanchou com a maré alta”, disse.

Requião Filho afirmou ainda que um grupo de pesquisadores de uma universidade do Paraná emitiu três notas técnicas desaconselhando a obra de engorda, apontando riscos ambientais, paisagísticos e financeiros. “O governo não quis refazer estudos nem ouvir quem entende de praia. Foi uma obra feita com pressa, de caráter eleitoreiro. Aqui, o dinheiro público foi jogado no mar, literalmente”, criticou.

O parlamentar também cobrou investimentos estruturantes para a população que vive no litoral durante todo o ano, como saneamento básico, hospital regional em funcionamento, melhorias nas ilhas, escolas, segurança e saúde. “Investir no verão é importante, mas quem mora aqui o ano inteiro precisa de políticas públicas permanentes”, afirmou.

A denúncia será analisada pelo Ministério Público do Paraná, que poderá adotar providências administrativas e judiciais conforme o resultado das apurações.

Foto: Divulgação

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