Caso das primas desaparecidas no Paraná passa de 100 dias; principal suspeito é morto em confronto com a polícia
Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, era considerado foragido e foi localizado em Mandaguari; outro suspeito foi preso em Umuarama. Polícia Civil trata o caso como duplo homicídio e mantém investigação sob sigilo
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O caso envolvendo o desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos, completou mais de 100 dias no Paraná. As jovens desapareceram na madrugada de 21 de abril, depois de serem vistas pela última vez na companhia de Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito.
Clayton foi localizado na manhã desta sexta-feira (21), em Mandaguari, no Norte do Paraná. Segundo a Polícia Civil, os investigadores receberam informações sobre o endereço onde ele estaria havia cerca de uma semana e passaram a monitorar o imóvel.
Durante a abordagem, o suspeito tentou fugir pelos fundos da residência. De acordo com a polícia, ele entrou em outra casa e fez um morador refém. Durante a ação, Clayton foi morto a tiros pelos agentes.
O homem que estava na residência relatou que o suspeito arrombou uma porta, entrou no imóvel e tentou atacá-lo com um garfo durante a fuga.
Além da localização de Clayton, a Polícia Civil confirmou a prisão de um segundo suspeito de participação no desaparecimento das jovens. O homem foi detido em Umuarama, também nesta sexta-feira. Até a última atualização, a polícia não havia divulgado detalhes sobre a participação dele no caso.
Suspeito usava nome falso
Segundo as investigações, Clayton se apresentava em Cianorte pelo nome de “Davi”. Ele também era conhecido pelos apelidos de “Sagaz” e “Dog Dog” e costumava frequentar festas e baladas.
Antes de ser investigado pelo desaparecimento das primas, Clayton já tinha um mandado de prisão em aberto por um roubo cometido em 2023, em Apucarana.
As investigações apontam que ele estava com Letycia e Sttela no último registro conhecido das jovens. Na madrugada de 21 de abril, os três foram vistos em uma boate de Paranavaí.
Depois daquele momento, as primas deixaram de manter contato com familiares. Desde então, equipes da Polícia Civil realizam diligências para esclarecer o que aconteceu com as duas.
Linha do tempo
De acordo com a Polícia Civil, às 22h39 de 20 de abril, Letycia e Sttela foram vistas saindo de Cianorte em uma caminhonete com Clayton. Letycia conhecia o homem pelo nome de “Davi”. Segundo a investigação, o trio deixou a casa de Letycia.
Poucos minutos depois, às 22h54, câmeras de segurança registraram a caminhonete entrando em Jussara, onde Sttela morava com a mãe. A jovem teria ido até a residência para pegar uma mochila.
Às 22h55, Sttela publicou uma imagem nas redes sociais em que aparece dentro do veículo. Na postagem, ela marcou Letycia e escreveu uma mensagem indicando que as duas ainda não sabiam qual seria o destino da viagem.
Às 23h13, o veículo deixou Jussara em direção a Maringá, pela PR-323.
Já à 0h16 do dia 21 de abril, Sttela fez uma segunda e última publicação nas redes sociais, em uma região entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton aparece na imagem.
Por volta da 1h10, os três foram registrados por câmeras entrando em uma boate de Paranavaí. As imagens mostram as primas circulando juntas no estabelecimento e Clayton também aparece com elas.
A última conexão de Sttela à internet ocorreu às 3h17. A informação foi obtida pela polícia por meio de uma quebra emergencial de sigilo de dados do aplicativo de mensagens.
Entre os dias 22 e 23 de abril, Clayton teria retornado sozinho a Cianorte. Conforme a investigação, ele estava sem a caminhonete e posteriormente deixou a cidade utilizando uma motocicleta e sem telefone celular.
Às 9h de 23 de abril ocorreu a última conexão de Clayton à internet. No dia seguinte, a polícia identificou registros indicando que ele teria passado por Maringá.
Em 29 de abril, foi expedido um mandado de prisão contra Clayton por roubo e homicídio. Desde então, ele era considerado foragido.
Ex-companheira também foi presa
Outra etapa da investigação ocorreu em 15 de maio, quando a Polícia Civil prendeu uma mulher apontada como ex-companheira de Clayton. Ela tinha 23 anos e foi localizada em Paraguaçu Paulista, no oeste de São Paulo.
Segundo a investigação, a mulher é suspeita de ter fornecido apoio financeiro e logístico ao homem durante o período em que ele permaneceu foragido.
A prisão foi temporária e determinada pela Justiça após pedido da Polícia Civil. Durante a operação, os investigadores também cumpriram mandados de busca em três endereços e apreenderam um telefone celular, que seria submetido a perícia.
A identidade da mulher não foi divulgada. A Polícia Civil informou que detalhes sobre os desdobramentos da prisão permanecem sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações.
Buscas em área rural
As equipes policiais também realizaram buscas em uma área rural de Paraíso do Norte, no Noroeste do Paraná, em 15 de junho.
A operação foi realizada após denúncias anônimas, levantamento de informações e outros elementos reunidos durante a investigação. O município fica a aproximadamente 32 quilômetros de Paranavaí, onde as jovens foram vistas pela última vez.
Segundo a Polícia Civil, as buscas tiveram como objetivo verificar locais previamente identificados pelos investigadores e procurar vestígios que pudessem contribuir para o esclarecimento do desaparecimento.
Apesar das diversas diligências realizadas desde abril, o paradeiro das duas jovens e as circunstâncias exatas do que aconteceu com elas permanecem sob investigação.
A Polícia Civil passou a tratar o caso como duplo homicídio. Como a investigação segue sob sigilo, novas informações devem ser divulgadas somente quando não houver risco de prejudicar as diligências em andamento.
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