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PRF e "Redpill": Influenciador Breno Faria, do 'Café com Teu Pai', é alvo de investigação no MPF
Com quase 30 milhões de seguidores, servidor da Polícia Rodoviária Federal é questionado por conteúdos que desqualificam mulheres e por manter atividades comerciais paralelas; defesa nega machismo
A deputada estadual de São Paulo Ediane Maria (PSOL) protocolou pedidos de investigação contra o influenciador Breno Vieira Faria, responsável pelo perfil Café com Teu Pai, que vem sendo associado ao movimento misógino conhecido como redpill, caracterizado pela disseminação de conteúdos que promovem hostilidade contra mulheres.
A parlamentar encaminhou a solicitação ao Ministério Público Federal e à Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal. Breno Faria é servidor ativo da PRF e, conforme apontado por Ediane, pode ter descumprido normas internas da corporação, como a proibição de que policiais exerçam atividades comerciais paralelas ou mantenham outras carreiras.
O influenciador acumula quase 30 milhões de seguidores nas redes sociais, somando plataformas como TikTok e Instagram. De acordo com a deputada, os conteúdos publicados por Faria, que afirma “ensinar mulheres a entenderem os homens”, apresentam discursos que desqualificam o papel feminino. No pedido, ela destaca que há vídeos com mensagens consideradas discriminatórias de gênero, incluindo afirmações de que mulheres com múltiplos parceiros seriam “vagabundas”, enquanto homens na mesma condição seriam valorizados, além do uso de metáforas vistas como ofensivas e que objetificam mulheres.
Ediane também questiona a comercialização de cursos e produtos digitais por parte do influenciador. Segundo ela, os materiais prometem ensinar mulheres a serem “assumidas” em relacionamentos, mesmo sem que Faria possua formação técnica ou qualificação profissional compatível para esse tipo de orientação.
A permanência de Breno Faria no quadro ativo da Polícia Rodoviária Federal também é alvo de questionamento. A deputada sustenta que a conduta do influenciador pode estar em desacordo com o regimento da instituição, que exige dedicação integral e exclusiva de seus agentes, além de vedar o uso de redes sociais para monetização, venda de produtos ou disseminação de conteúdos discriminatórios.
Documentos citados no pedido apontam que o nome de Faria aparece vinculado ao quadro societário de pelo menos duas empresas de marketing digital: “Gonçalves & Souza & Faria Marketing Digital Ltda”, com nome fantasia “B2 Company”, e “Vieira & Lenert Marketing Digital Ltda”, responsável pela marca “Café com Teu Pai”.
Diante dos elementos apresentados, Ediane Maria solicita que as investigações avaliem possíveis sanções administrativas, incluindo a exoneração do servidor, caso sejam comprovadas irregularidades.
Em resposta às acusações, Breno Faria nega ligação com o movimento redpill e afirma que seu objetivo é “ajudar mulheres” por meio de seus conteúdos. Em entrevista concedida à revista Veja, o influenciador declarou não se considerar machista. Segundo ele, há uma interpretação equivocada de suas falas sobre masculinidade. Faria afirmou ainda que nunca defendeu que mulheres não possam trabalhar ou que devam se limitar ao ambiente doméstico, mas disse acreditar que a realização feminina está ligada ao cuidado e à maternidade, que, em sua visão, proporcionaria maior satisfação do que uma carreira profissional.
Outras publicações do influenciador também são mencionadas no documento encaminhado pela deputada, incluindo frases como “mulher rodada não perde fama”. Há ainda conteúdos em que ele orienta mulheres a adotarem comportamentos considerados mais “doces” e a evitarem confrontos diretos, chegando a comparar relações afetivas a técnicas de adestramento.
