Após escândalo no Master, Haddad defende ampliar poder do BC sobre fundos de investimento
Na entrevista, Haddad afirmou ter apresentado uma proposta para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central
Por Da Redação
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que os fundos de investimento deveriam passar a ser fiscalizados e regulados pelo Banco Central (BC), atribuição que hoje cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A declaração foi feita em entrevista ao UOL, em meio aos desdobramentos do escândalo envolvendo o banco Master, investigado por fraudes financeiras bilionárias.
Atualmente, a CVM é a autarquia responsável por regular e fiscalizar o mercado de valores mobiliários, incluindo fundos de investimento. Vinculada ao Ministério da Fazenda, a comissão possui autonomia administrativa, financeira e orçamentária. Para Haddad, no entanto, o modelo precisa ser revisto diante da crescente interligação entre fundos e o sistema financeiro.
A Polícia Federal apura, no âmbito da Operação Compliance Zero, o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Master, controlado por Daniel Vorcaro. O objetivo, segundo as investigações, seria viabilizar fraudes de grande porte. Diante das irregularidades, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira e, na semana passada, também determinou a liquidação da empresa responsável pela gestão dos fundos ligados ao grupo da Reag Investimentos, igualmente investigada pela PF.
Na entrevista, Haddad afirmou ter apresentado uma proposta para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central. Segundo ele, há uma intersecção relevante entre fundos de investimento e o sistema financeiro tradicional, com impactos diretos sobre a contabilidade pública e instrumentos como operações compromissadas. O ministro destacou que a iniciativa, por ora, é pessoal, mas que o tema já está em discussão no âmbito do Executivo.
"Apresentei uma proposta, que está sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do BC. Tem coisa que deveria estar no BC, e que está na CVM. O Banco Central tem de passar a fiscalizar os fundos, há intersecção grande hoje entre fundos, finanças. Isso tem impacto sobre a contabilidade pública, a conta remunerada, as compromissadas", disse Haddad.
Haddad também defendeu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmando que o caso Master foi um problema herdado da gestão anterior. De acordo com o ministro, a instituição foi estruturada antes da saída de Roberto Campos Neto do comando do BC, e coube à atual direção “descascar um grande abacaxi” ao conduzir a liquidação. Ele elogiou a atuação da autoridade monetária, classificando o processo como técnico e responsável.
A entrevista abordou ainda a situação da CVM, que atualmente opera com apenas dois dos cinco cargos da diretoria ocupados. Uma recente indicação do presidente Lula para a presidência do órgão gerou críticas no mercado e entre especialistas, que defendem a necessidade de blindagem da autarquia contra influências políticas.
Por fim, Haddad comentou críticas sobre o aumento de impostos e falou sobre seu futuro político. Ele reafirmou que mantém conversas com o presidente Lula, mas disse que ainda não há definição sobre uma eventual candidatura nas eleições de 2026.
