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Alep admite excessos em reunião do Conselho de Ética e expõe deficiência técnica após tumulto com Chiquini

Presidente do colegiado, deputado Jacovós, reconheceu que houve extrapolação durante sessão sobre representação contra Renato Freitas e pediu à TI da Casa mecanismo para cortar microfone em casos semelhantes; oposição fala em nulidade e promete acionar a OAB

Por Gazeta do Paraná

Alep admite excessos em reunião do Conselho de Ética e expõe deficiência técnica após tumulto com Chiquini Créditos: Valdir Amaral

A sessão plenária desta segunda-feira (13), na Assembleia Legislativa do Paraná, foi atravessada pelos desdobramentos da reunião do Conselho de Ética realizada minutos antes. O que deveria ser mais uma etapa formal da sequência de processos envolvendo o deputado Renato Freitas (PT) terminou em tumulto, troca de acusações e na admissão pública de uma fragilidade operacional da própria Casa.

Em plenário, o deputado Arilson Chiorato (PT) cobrou providências da presidência da Assembleia após a participação do advogado Jeffrey Chiquini em uma das representações analisadas pelo Conselho. Segundo ele, o espaço institucional foi usado para ataques políticos. “Hoje teve comissão de ética aqui na casa. Advogado Jeffrey Chiquini veio xingar deputado aqui na casa. Veio fazer politicagem aqui na casa”, afirmou. Em seguida, elevou o tom: “Qual o papel que a comissão de ética vai tomar? Qual o papel que essa Casa vai tomar aqui dentro? Vai deixar um advogado vir aqui xingar e ofender deputado?”

A crítica de Arilson teve origem direta na fala de Chiquini durante a sessão do Conselho, presidida pelo deputado Jacovós, em processo no qual o advogado figura como autor da representação contra Renato Freitas. Ao usar os dez minutos regimentais a que tinha direito, Jeffrey abandonou rapidamente os limites do caso específico e transformou a manifestação em um ataque amplo ao parlamentar petista.

Logo no início, afirmou que Renato Freitas faz da Assembleia um “picadeiro” e declarou que o deputado trata os demais parlamentares como “palhaços”. Também o chamou de “fora da lei” e disse que ele “não preenche os requisitos mínimos a representar o Estado do Paraná”.

Em outro momento da fala, Chiquini sustentou que a Casa estaria servindo de palco para a vitimização política do deputado. “Nove processos disciplinares hoje estão em curso e o dinheiro do contribuinte está sustentando esse palco, esse palanque”, disse. Mais adiante, pediu uma resposta dura do colegiado: “É hora de uma punição exemplar, porque é isso que os paranaenses exigem dos senhores deputados”.

A manifestação provocou reação imediata da defesa de Renato Freitas. O advogado Abdala protestou ainda durante a sessão. “Não é possível que a defesa faça deste momento… Há acusações chamando o deputado de criminoso”, afirmou, pedindo respeito aos limites do procedimento e criticando o uso de “verborragia ofensiva”.

Mesmo diante da escalada, Jacovós manteve a palavra com Jeffrey Chiquini, pedindo apenas que ele se concentrasse no objeto da representação. “Eu pediria, doutor Jeff, dentro de um contexto da sua representação, se o senhor pudesse se ater efetivamente à questão da sua representação”, disse.

O ambiente, no entanto, já havia saído do controle. Houve interrupções, bate-boca, pedidos de reposição de tempo e acusações cruzadas. Em meio ao tumulto, Renato Freitas reagiu às falas de Chiquini, e a sessão terminou convertida num confronto que extrapolou o caso formal analisado pelo Conselho.

Mais tarde, já no plenário, Arilson transformou o episódio em cobrança política e institucional. “Nós queremos o rigor do processo, a mesma voracidade que essa casa usa contra o deputado Renato Freitas, tem que ser usada agora contra o advogado”, declarou. Segundo ele, a oposição pretende formalizar representação interna, pedir providências à OAB e questionar a validade do procedimento. “Nós vamos entrar com um processo de nulidade sobre o processo do Renato Freitas, porque virou politicagem, virou palco, virou circo de politicagem aqui dentro”, afirmou.

A resposta veio do próprio Jacovós, que reconheceu, em plenário, que a sessão do Conselho de Ética teve extrapolações. “Houve excessos por parte do advogado”, afirmou. Mas não parou aí. O deputado também indicou que o clima de confronto foi mais amplo. “O advogado […] argumentou e o próprio Renato Freitas […] falou bastante palavras lá de cunho que nós não vamos tratar aqui nesse momento”, declarou, apontando que houve excesso de mais de um lado.

Além disso, Jacovós revelou uma deficiência técnica na estrutura das comissões da Assembleia. Segundo ele, diferentemente do que ocorre no plenário principal, o presidente do colegiado não tem instrumento para interromper falas em tempo real. “Nós temos uma falha técnica, inclusive eu chamei na hora lá. Nós precisamos corrigir. O presidente da comissão não tem condição de cortar o microfone de quem está falando, como aqui nós podemos cortar”, declarou.

Na sequência, Jacovós informou que pediu providências à área técnica da Assembleia para corrigir o problema. “Eu peço então à TI dessa Casa que providencie uma forma de que o presidente […] tenha condições técnicas de cortar o microfone de pessoas que estejam extrapolando”, disse.

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