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Alckmin descarta nova indicação de Jorge Messias ao STF após derrota no Senado Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Alckmin descarta nova indicação de Jorge Messias ao STF após derrota no Senado

Vice-presidente afirma ser improvável que Lula insista no nome do AGU e aponta estranheza em votações ocorridas logo após o revés histórico no Congresso

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (5) que lamenta a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal e disse considerar improvável que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte a indicar o AGU para a Corte.

Em entrevista à GloboNews, Alckmin afirmou que Messias possui qualificação técnica e trajetória ligada ao serviço público, além de lamentar o fato de o Supremo continuar operando com apenas dez ministros.

Questionado sobre a possibilidade de Lula insistir no nome de Jorge Messias para o STF, o vice-presidente avaliou que isso dificilmente ocorrerá.

“Mandar de novo Messias? Não, acho pouco provável”, afirmou.

Segundo Alckmin, ele não conversou diretamente com Lula sobre uma nova indicação, mas acredita que o presidente deverá buscar outro nome para ocupar a vaga aberta na Corte.

Vice-presidente cita “fatos que chamam atenção”

Durante a entrevista, Alckmin evitou afirmar que houve um acordo político articulado para barrar a indicação do AGU, mas disse que alguns acontecimentos posteriores à votação chamaram atenção.

“Não tenho como provar acordão ou acordinho”, declarou.

Na sequência, ele mencionou a votação sobre a chamada lei da dosimetria e o arquivamento da CPI relacionada ao Banco Master.

“Coincidentemente, você rejeita um indicado. No outro dia, vota a dosimetria, arquiva CPI do Master. Essas coisas não são adequadas”, afirmou.

Governo nega falha na articulação política

Alckmin também rebateu críticas sobre possível erro na articulação política do governo junto ao Senado.

Segundo ele, houve esforço do Palácio do Planalto para garantir a aprovação de Messias.

O vice-presidente relatou que participou de reuniões e conversas políticas na véspera da votação, incluindo almoço com o senador Rodrigo Pacheco, o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, além do próprio Jorge Messias.

“O governo trabalhou, procurou. Temos que respeitar o resultado. Perdeu, bola pra frente”, afirmou.

Senado rejeitou indicação por margem apertada

O Senado rejeitou o nome de Jorge Messias para o STF por margem mínima.

Foram registrados:

  • 42 votos contrários
    34 votos favoráveis
    1 abstenção

Para aprovação, eram necessários ao menos 41 votos favoráveis.

A votação marcou a primeira rejeição de um indicado ao Supremo em mais de um século. O último caso havia ocorrido em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

Futuro de Messias ainda está indefinido

Após a derrota no Senado, Jorge Messias colocou o cargo à disposição do presidente Lula.

Segundo aliados do governo, Lula não deseja perder o aliado político, mas ainda não definiu qual função ele deverá exercer nos próximos meses.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que o governo pretende encaminhar um novo nome ao Senado antes das eleições deste ano.

A derrota de Messias foi interpretada nos bastidores políticos como um revés importante para o Palácio do Planalto na relação com o Congresso Nacional.