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Voo que levou Flávio Bolsonaro aos EUA custou R$ 816 mil e foi pago por intermediário

Dono da companhia aérea informou que o valor saiu de uma conta empresarial nos Estados Unidos e foi transferido para um banco argentino; identidade de quem contratou a viagem não foi revelada

Repórter Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Divulgação
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O voo que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família da Argentina para os Estados Unidos custou US$ 150 mil, o equivalente a cerca de R$ 816 mil. O pagamento foi feito por um intermediário do setor de aviação que vive nos Estados Unidos, mas a identidade de quem contratou o serviço não foi esclarecida. As informações foram divulgadas em reportagem exibida neste domingo (1º), com base em documentos e entrevistas sobre a operação.

A aeronave utilizada foi um jato executivo Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly, pertencente ao empresário Luis Grande. Em entrevista à agência France-Presse (AFP), o proprietário afirmou que o dinheiro saiu de uma conta empresarial em um banco americano e foi transferido para uma instituição financeira na Argentina.

Segundo Grande, o pagamento foi realizado por um intermediário do setor de aviação residente nos Estados Unidos. O empresário, porém, não informou o nome dessa pessoa e disse desconhecer quem foi o contratante final do voo.

Assessor de Trump é citado em relatos

Embora a identidade de quem pagou pela viagem não tenha sido confirmada, veículos da imprensa americana apontaram que Jason Miller, assessor do presidente Donald Trump, teria participado da organização do deslocamento de Flávio Bolsonaro.

O senador e o irmão, Eduardo Bolsonaro, já haviam se encontrado com Miller nos Estados Unidos, quando Flávio ainda era pré-candidato à Presidência da República.

Outra informação publicada pelo jornal argentino Clarín aponta que agentes americanos teriam assumido o controle de parte do aeroporto de Puerto Iguazú durante a operação de saída do senador.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou participação do governo americano na viagem. “Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas”, declarou.

Trajeto passou por Argentina e Equador

O jato partiu de Puerto Iguazú, cidade argentina próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná. A operação para levar Flávio e os familiares até o aeroporto envolveu diferentes deslocamentos.

Uma das versões apuradas indica que o senador teria saído de Brasília na manhã de terça-feira (27), em uma aeronave ligada ao advogado Willer Tomaz, com destino a San Fernando, na região de Buenos Aires. De lá, teria seguido em outro voo particular para Puerto Iguazú.

Já a mulher do senador, Fernanda, e as duas filhas do casal teriam viajado de Brasília até Cascavel, no Paraná, antes de seguir de van para a Argentina.

Embora os registros migratórios argentinos indiquem uma entrada terrestre de Flávio no país, a principal linha de apuração aponta que ele teria chegado a Puerto Iguazú de avião e permanecido por algumas horas dentro da aeronave, aguardando a chegada da família.

A assessoria de Willer Tomaz negou que aviões pertencentes a ele ou a empresas ligadas à família tenham sido utilizados por Flávio ou seus familiares para deixar o Brasil.

Após reunir a família em Puerto Iguazú, o jato da Baires Fly seguiu para os Estados Unidos, com escala em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento.

Flávio, Fernanda e as duas filhas desembarcaram na manhã de quarta-feira (28), no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na região de Miami, na Flórida. A saída do terminal foi acompanhada por helicópteros de emissoras americanas, e os veículos que transportavam a família seguiram com escolta policial. O destino final do grupo não foi confirmado.

Defesa nega fuga

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que entregasse os passaportes à Polícia Federal.

Procurada, a empresa Baires Fly não respondeu aos questionamentos. O advogado Frederick Wassef, representante legal do senador, afirmou que as informações sobre a viagem não eram oficiais nem haviam sido confirmadas. Ele também negou que a saída do país tenha sido uma fuga.

Até o momento, não foi esclarecido quem contratou o voo de R$ 816 mil nem quem foi o responsável final pelo pagamento. A eventual participação de integrantes do governo americano na organização da viagem também foi negada pelo secretário de Estado Marco Rubio.

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