Result
Público › Eleições 2026

TRE mantém pesquisa Real Time no ar, mas manda instituto complementar dados sobre distribuição territorial

Levantamento divulgado nesta terça-feira foi alvo de nova impugnação da Fortaleza Paraná, que apontou semelhanças com pesquisas anteriores; Justiça negou suspensão imediata, mas determinou complementação de informações

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Sandro Alex e Ratinho Júnior
Sandro Alex e Ratinho Júnior — Crédito: site Sandro Alex

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná manteve liberada a divulgação da pesquisa Real Time Big Data PR-04181/2026, divulgada nesta terça-feira (29), após rejeitar o pedido de suspensão imediata apresentado pela coligação Fortaleza Paraná. A decisão, no entanto, não encerra a discussão sobre o levantamento e determina a complementação de informações relativas à distribuição territorial da amostra.

A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre os dias 24 e 28 de setembro e foi registrada para medir as disputas pelo Governo do Paraná e pelo Senado. O levantamento foi contratado pela TV Independência Ltda. por R$ 20 mil e prevê entrevistas por abordagens telefônicas e digitais, com combinação de entrevistadores humanos e recursos de inteligência artificial.

Divulgados nesta terça, os resultados apontam Sergio Moro (PL) com 36% das intenções de voto para governador, Sandro Alex (PSD) com 28% e Requião Filho (PDT) com 23%. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Impugnação compara cinco pesquisas da Real Time

A ofensiva judicial da Fortaleza Paraná não ficou restrita aos documentos da pesquisa atual. A coligação comparou a PR-04181/2026 com quatro levantamentos anteriores realizados pela Real Time Big Data no Paraná: PR-07845/2026, PR-00532/2026, PR-08220/2026 e PR-09262/2026.

Segundo a representação, o cotejo teria encontrado a reprodução de textos e de cotas entre os levantamentos, incluindo 30 percentuais idênticos. A coligação argumentou que isso indicaria que cotas planejadas poderiam ter sido apresentadas como resultado da composição do campo. Trata-se de alegação da representante, e não de conclusão da Justiça Eleitoral.

A representação também questionou o sorteio de municípios e localidades pelo método PPT, a composição territorial das entrevistas, o questionário utilizado para diferentes formas de coleta, o emprego de dados econômicos do Censo de 2010 e o preenchimento das informações sobre quem pagou pelo levantamento.

Outro ponto levantado foi o fato de o questionário não apresentar campos próprios para identificar data, hora e canal de cada entrevista. Para a coligação, o documento teria formato voltado ao entrevistador humano sem demonstrar, por si só, como funcionariam as abordagens digitais e os recursos de inteligência artificial declarados no registro.

A Fortaleza Paraná pediu que a divulgação da PR-04181/2026 fosse suspensa, sob pena de multa de R$ 200 mil por ato de descumprimento.

 

Questionamentos já apareceram em outros processos

Parte dos argumentos não é inédita na Justiça Eleitoral. A Real Time já enfrentou outras impugnações de pesquisas realizadas no Paraná durante esta eleição.

Na PR-09262/2026, por exemplo, foram questionados aspectos relacionados à ponderação, às abordagens telefônicas e digitais, ao uso de inteligência artificial e à margem de erro. A pesquisa também tinha 1.600 entrevistados.

Naquele processo, a suspensão liminar foi negada e, posteriormente, a representação foi julgada improcedente pela juíza auxiliar Adriana de Lourdes Simette.

Já a PR-00532/2026 teve a divulgação suspensa cautelarmente durante a tramitação de outra representação. Entre os pontos discutidos estavam o uso de dados econômicos do Censo 2010, a documentação do custeio, a metodologia e a margem de erro.

A Real Time sustentou naquele processo que os registros PR-00532/2026 e BR-08843/2026 correspondiam ao mesmo trabalho de campo de 1.600 entrevistas contratado pela Record por R$ 20 mil, o que explicaria a utilização da mesma nota fiscal.

O Ministério Público Eleitoral considerou as explicações suficientes e também entendeu que a utilização do Censo 2010 estava dentro da autonomia técnica do estatístico, além de considerar aceitável a indicação de margem de erro de aproximadamente 2% diante do cálculo de 2,45%.

 

Pesquisa foi divulgada

Com a suspensão imediata rejeitada no novo processo, a PR-04181/2026 foi divulgada normalmente nesta terça-feira. Além do primeiro turno, a Real Time testou três confrontos de segundo turno: Moro contra Requião Filho, Moro contra Sandro Alex e Sandro Alex contra Requião Filho. O questionário também mediu rejeição dos candidatos e avaliação do governo Ratinho Junior.

Para o Senado, o levantamento apontou Deltan Dallagnol (Novo) com 19%, Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL) com 18% cada, Gleisi Hoffmann (PT) com 16% e Cristina Graeml (PSD) com 15%. Considerada a margem de erro informada de dois pontos, esses cinco percentuais têm intervalos sobrepostos.

A declaração apresentada no PesqEle identifica Isabela Zara Cremoneze como estatística responsável, informa 1.600 entrevistas, período de coleta entre 24 e 28 de setembro e valor de R$ 20 mil.

A decisão que rejeitou a suspensão cautelar não equivale a uma declaração de que todas as alegações apresentadas pela coligação são procedentes ou improcedentes. O processo continua, e a determinação de complementação das informações territoriais mantém esse ponto sob análise da Justiça Eleitoral.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.