Roni Miranda é escolhido por Zucco para comandar a Educação no Rio Grande do Sul
Atual secretário do Paraná deve levar ao governo gaúcho modelos como as escolas cívico-militares e o programa Ganhando o Mundo; gestão é elogiada por resultados no Ideb, mas criticada por sindicato de professores
O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda Vieira, foi escolhido pelo governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), para comandar a pasta no futuro governo gaúcho, a partir de janeiro de 2027. Natural de Foz do Iguaçu e professor concursado da rede estadual, Miranda ganhou projeção nacional à frente da educação paranaense, que alcançou o primeiro lugar entre os estados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025.
A escolha acompanha a intenção de Zucco de utilizar o modelo educacional do Paraná como referência para a gestão gaúcha. Entre as iniciativas que poderão ser levadas ao Rio Grande do Sul estão a expansão das escolas cívico-militares, o programa de intercâmbio Ganhando o Mundo e medidas de acompanhamento do desempenho dos estudantes.
A futura gestão também deverá priorizar a alfabetização, a recuperação da aprendizagem e a formação de professores. Durante a campanha, Zucco defendeu a participação de policiais militares da reserva como monitores e tutores em atividades extracurriculares, sem alterações no currículo tradicional.
ELOGIOS À GESTÃO PARANAENSE
A escolha de Miranda foi elogiada pela atual secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira. Segundo ela, o secretário paranaense reúne experiência e conhecimento da realidade escolar para dar continuidade a políticas educacionais.
Teixeira afirmou que já havia conversado com Miranda após a eleição e destacou a afinidade dele com o trabalho desenvolvido na área.
A gestão do secretário no Paraná é marcada pela expansão dos colégios cívico-militares, que chegaram a 345 unidades em 2026, atendendo mais de 230 mil estudantes. O modelo combina a gestão pedagógica da Secretaria da Educação com a participação de militares da reserva na organização da rotina escolar.
Outro programa de destaque é o Ganhando o Mundo, que oferece oportunidades de intercâmbio internacional a estudantes da rede estadual.
PRIVATIZAÇÃO E ESCOLAS CÍVICO-MILITARES GERAM CRÍTICAS
Apesar dos resultados apontados pelo governo, a gestão de Miranda enfrenta críticas de entidades representativas dos professores, principalmente em relação à expansão dos colégios cívico-militares e à transferência de parte da administração escolar para empresas privadas.
A presidente da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, afirma que a gestão ampliou políticas de privatização e mecanismos de controle sobre o trabalho dos profissionais da educação.
Um dos principais alvos das críticas é o programa Parceiro da Escola, que transfere a empresas privadas parte da gestão administrativa de unidades públicas. A iniciativa provocou uma greve de professores em 2024 e foi questionada pelo Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR), que suspendeu novas contratações naquele ano por considerar insuficientes os estudos apresentados sobre viabilidade técnica e econômica.
Posteriormente, a Secretaria da Educação e o TCE-PR firmaram um Termo de Ajustamento de Gestão para aprimorar a fiscalização dos contratos de terceirização de pessoal. Mesmo diante dos questionamentos, o programa foi mantido.
GOVERNO APONTA APROVAÇÃO DO MODELO
Em contraponto às críticas sindicais, uma pesquisa de opinião divulgada pelo governo do Paraná em outubro de 2025 indicou avaliação positiva dos colégios cívico-militares entre pais, responsáveis e profissionais da educação.
Segundo o levantamento, 90% dos pais e responsáveis consultados estavam satisfeitos com a disciplina nas unidades que adotaram o modelo, e mais de 70% afirmaram que os filhos passaram a aprender mais.
Entre professores e pedagogos, 73,5% identificaram melhora na disciplina e 82,4% avaliaram positivamente a atuação dos monitores militares.
Os resultados do levantamento são utilizados pelo governo estadual para defender a continuidade do modelo, enquanto entidades sindicais questionam seus efeitos sobre a autonomia pedagógica e a gestão democrática das escolas.
TRANSIÇÃO COMEÇA EM JANEIRO
Zucco foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno, com 58,05% dos votos, e assumirá o cargo em janeiro de 2027. A escolha de Miranda segue a proposta de montar uma equipe com perfil técnico e experiência em áreas estratégicas da administração.
A expectativa é que o secretário leve ao governo gaúcho iniciativas adotadas no Paraná, com o objetivo de melhorar os indicadores educacionais e ampliar programas de formação e acompanhamento dos estudantes.
A transferência de Miranda para o Rio Grande do Sul também projeta nacionalmente o modelo educacional paranaense, que combina resultados positivos nos indicadores oficiais com debates sobre militarização, privatização e autonomia das comunidades escolares.
QUEM É RONI MIRANDA
Natural de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, Roni Miranda Vieira é professor concursado da rede estadual de ensino e atual secretário de Estado da Educação do Paraná. Ele assumiu o comando da pasta em 2023, após passar por funções de gestão na área educacional.
À frente da Secretaria, Miranda coordenou a expansão dos colégios cívico-militares, a implantação do programa Parceiro da Escola e iniciativas de avaliação e acompanhamento do desempenho dos estudantes. Sob sua gestão, o Paraná alcançou o primeiro lugar entre os estados brasileiros no Ideb de 2025.
O secretário também ficou associado a políticas de uso de plataformas digitais, avaliações periódicas e monitoramento de indicadores educacionais. Enquanto o governo atribui a essas medidas parte dos resultados alcançados, entidades sindicais criticam a ampliação da privatização da gestão escolar e os mecanismos de controle sobre o trabalho dos professores.
A escolha de Miranda para comandar a Educação do Rio Grande do Sul sinaliza a intenção do governador eleito Luciano Zucco de utilizar experiências adotadas no Paraná como referência para a futura gestão gaúcha.
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