PGR fecha delação com empresário ligado ao financiamento de Dark Horse
Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, firmou acordo sobre investigações que apuram repasses de Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de delação premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações. Ele é citado nas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo informações da CNN Brasil, a empresa de Freixo Júnior teria sido usada para realizar repasses do banqueiro Daniel Vorcaro destinados à produção do filme.
Os valores teriam sido encaminhados ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos que administrava recursos destinados ao longa.
De acordo com a investigação, o fundo teria transferido posteriormente os valores para a Go Up Entertainment, produtora responsável pela realização de Dark Horse.
Um dos administradores apontados para o Havengate é Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A relação entre o fundo e o advogado aparece no contexto das apurações sobre a origem e o destino dos recursos utilizados no projeto.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e nega ter recebido qualquer repasse relacionado ao fundo. O ex-deputado afirma que apenas cedeu os direitos de imagem para a produção do filme.
Delação ainda precisa ser homologada
A colaboração de Freixo Júnior é apontada como a primeira delação diretamente relacionada ao caso Dark Horse e a segunda colaboração premiada ligada às investigações sobre possíveis fraudes envolvendo o Banco Master.
O acordo foi firmado pela PGR nesta quinta-feira (3), segundo a CNN Brasil.
A assinatura, porém, ainda não encerra o processo de colaboração. A proposta será encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e também do inquérito que investiga o financiamento do filme.
Caberá ao ministro analisar o acordo e decidir sobre sua homologação.
A homologação é necessária para que a colaboração passe a produzir efeitos jurídicos dentro da investigação.
O que a investigação apura
As autoridades investigam se houve irregularidades na forma como Dark Horse foi financiado e se os valores repassados por Daniel Vorcaro foram efetivamente utilizados na produção do filme.
Uma das hipóteses investigadas é a possibilidade de parte dos recursos ter sido direcionada a Eduardo Bolsonaro.
Até o momento, essa hipótese continua sob investigação e é negada pelo ex-deputado. Eduardo afirma que não recebeu repasses relacionados ao fundo e que sua participação no projeto ocorreu por meio da cessão dos direitos de imagem.
Os recursos destinados ao filme foram negociados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é candidato à Presidência da República.
Relação com o caso Banco Master
A investigação sobre o financiamento de Dark Horse está inserida em um conjunto maior de apurações relacionadas ao Banco Master e às operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro.
O empresário João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, também firmou anteriormente um acordo de colaboração premiada com a PGR dentro das investigações sobre o caso Master.
A delação de Freixo Júnior pode fornecer novas informações sobre o caminho percorrido pelos recursos usados no financiamento de Dark Horse. Os investigadores também poderão buscar, a partir das informações apresentadas pelo empresário, esclarecer quem participou das operações e qual foi o destino final dos valores.
A colaboração, no entanto, ainda depende de homologação pelo STF para produzir efeitos jurídicos no processo.
Matérias relacionadas
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.