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MEC encaminha à PF denúncias de violência política em universidades

Ministério reúne relatos de ameaças contra instituições, estudantes e professores e também acionará a AGU; no Paraná, Federação Israelita repudia mensagens discriminatórias em grupos de universitários de Cascavel e Maringá

Repórter Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
MEC encaminha à PF denúncias de violência política em universidades
— Crédito: Divulgação

O Ministério da Educação (MEC) começou a reunir denúncias de violência política registradas em universidades e institutos federais durante e após as eleições de 2026. O material será encaminhado à Polícia Federal (PF) e à Advocacia-Geral da União (AGU), que poderão adotar medidas de investigação e providências jurídicas. A iniciativa inclui relatos de ameaças contra instituições de ensino, estudantes e professores, além de manifestações com referências a símbolos nazistas.

As denúncias chegam por meio da ouvidoria do MEC e de comunicações feitas diretamente pelas reitorias. Segundo o ministério, os registros serão enviados aos órgãos competentes à medida que forem consolidados. A pasta, porém, não informou quantas denúncias recebeu, quais instituições estão envolvidas nem quando pretende concluir os encaminhamentos.

A mobilização foi motivada por ameaças que circularam nas redes sociais antes do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, o MEC já havia solicitado investigação à Polícia Federal e acionado a AGU para avaliar as medidas jurídicas cabíveis.

Entre os episódios mencionados pelo ministério estão ameaças de violência e de destruição de patrimônio, além da utilização de símbolos nazistas contra universidades, estudantes e docentes. A AGU também criou uma força-tarefa para acompanhar o incêndio que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 8 de outubro.

Em nota, o MEC afirmou que as instituições de ensino devem ser espaços de pluralidade, tolerância, diálogo e respeito à diversidade de ideias. O ministério também destacou que a Constituição assegura a liberdade de expressão e de pensamento.

Denúncias no Paraná

No Paraná, a violência e a discriminação no ambiente universitário também motivaram uma manifestação da Federação Israelita do Paraná (FEIP). A entidade repudiou mensagens de caráter xenófobo, discriminatório e de exaltação ao nazismo que teriam circulado em grupos de WhatsApp de universitários de Cascavel e Maringá.

Em nota, a federação afirmou que ataques a estudantes por causa da origem regional, condição socioeconômica ou dependência de bolsas de estudo são incompatíveis com os princípios de igualdade e dignidade humana. A entidade também destacou a gravidade de referências ao nazismo e defendeu a apuração rigorosa dos fatos pelas autoridades.

A FEIP pediu que manifestações de ódio e discriminação sejam enfrentadas com seriedade e responsabilidade. Também ressaltou a importância do combate ao antissemitismo, à xenofobia e a outras formas de intolerância.

Os episódios relatados no Paraná são distintos das denúncias reunidas pelo MEC, mas evidenciam relatos de discriminação e hostilidade no ambiente universitário. A manifestação da federação amplia a cobrança por apuração e responsabilização dos envolvidos.

Encaminhamento e investigação

Com o envio dos registros, a Polícia Federal poderá avaliar a abertura de investigações e a identificação dos responsáveis por eventuais crimes. A AGU, por sua vez, poderá adotar medidas judiciais relacionadas à proteção de estudantes, servidores e do patrimônio público.

Até o momento, o MEC não divulgou o número de casos reunidos nem detalhou se os relatos envolvem ameaças virtuais, violência física, pichações ou ataques a prédios. Também não há informações sobre a abertura de inquéritos, a quantidade de pessoas investigadas ou eventuais medidas de proteção às comunidades acadêmicas.

O ministério informou que novas denúncias serão incorporadas aos procedimentos em andamento. A apuração dependerá da análise dos registros e das provas encaminhadas às autoridades.

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