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Candidato do Novo é cobrado após eleição por serviços de campanha não pagos

Trabalhadores afirmam que não receberam integralmente por serviços prestados na campanha de Matheus Simões; defesa diz que pagamentos estão sendo auditados e que eventuais valores devidos serão regularizados

Gabriel Porta · · 5 min de leitura
Defesa de Matheus Simões diz que pagamentos estão em auditoria
Defesa de Matheus Simões diz que pagamentos estão em auditoria — Crédito: Reprodução / Redes Sociais

A campanha do candidato a deputado estadual pelo Novo, Matheus Simões, terminou com um resultado modesto nas urnas, mas deixou uma série de questionamentos entre pessoas que afirmam ter trabalhado para a candidatura. Simões recebeu 1.532 votos no Paraná. Fora das urnas, porém, os números apresentados à Justiça Eleitoral chamam atenção: o candidato declarou R$ 915.615,95 em patrimônio, sendo R$ 450 mil mantidos em dinheiro em espécie.

No entanto, relatos que chegaram ao conhecimento da reportagem mostram que trabalhadores e pessoas ligadas à campanha afirmam que serviços realizados durante a disputa eleitoral não teriam sido pagos integralmente. Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, cerca de 170 pessoas teriam sido lesadas.

A reportagem teve acesso a documentos, prints de cobranças, vídeos e imagens de pessoas trabalhando para o candidato, além de mensagens nas quais o candidato afirma que iria resolver a situação das pessoas envolvidas, mas, segundo os relatos, sem respostas efetivas.

Relatos de trabalhadores

Segundo os relatos obtidos pela Gazeta, os problemas envolveriam trabalhadores que
atuaram em diferentes áreas da campanha, além de coordenadores e pessoas que participaram da organização da candidatura.
A fonte afirma que os pagamentos não teriam sido feitos integralmente. “Ninguém recebeu 100% dos valores”, relatou.

De acordo com os relatos, alguns trabalhadores chegaram a negociar diretamente com o candidato, enquanto outros tratavam dos pagamentos com integrantes da equipe responsável pela campanha.

Movimentação de dinheiro por contas de terceiros

Um dos relatos mais graves envolve supostas movimentações financeiras por meio de contas bancárias de terceiros.

Segundo a fonte, pessoas ligadas à campanha teriam pedido que trabalhadores utilizassem suas próprias contas para receber dinheiro e, posteriormente, transferir os valores para outras pessoas.

Ainda segundo o relato, a justificativa apresentada para essas movimentações estaria relacionada à tentativa de reduzir o pagamento de impostos.

Trabalhadores estudam registrar boletins de ocorrência

A situação teria se agravado após o encerramento da eleição. Segundo a fonte, um grupo de pessoas estaria se organizando para registrar boletins de ocorrência individualmente.
A intenção, conforme o relato, seria reunir os casos e apresentar os documentos disponíveis às autoridades.

A fonte também afirma que alguns dos envolvidos são pessoas em situação financeira vulnerável, incluindo idosos, aposentados e beneficiários do Bolsa Família.

Também estaria sendo avaliada a possibilidade de uma ação coletiva com acompanhamento de advogados, caso os trabalhadores não consigam receber os valores que afirmam estar pendentes.

Cobrança teria chegado à residência do candidato

Outro episódio relatado à reportagem envolve uma cobrança feita diretamente na residência de Matheus Simões.

Segundo a fonte, aproximadamente dez pessoas teriam ido até o local para cobrar os pagamentos.

Fonte relata problema semelhante em campanha anterior

A fonte também afirma que situações semelhantes teriam ocorrido em uma campanha anterior de Matheus Simões.

Segundo o relato, algumas pessoas que ficaram sem receber teriam recorrido à Justiça e conseguido obter os valores posteriormente. Outras, ainda de acordo com a fonte, teriam desistido de buscar os pagamentos.

Prestação de contas chama atenção pelos valores declarados

Os dados apresentados à Justiça Eleitoral também fazem parte dos questionamentos levantados pela reportagem.
Matheus Simões declarou R$ 915.615,95 em patrimônio. Entre os bens informados estão R$ 450 mil em dinheiro em espécie, apartamentos avaliados em R$ 246.756,86, vagas de garagem de R$ 35.063,16, um consórcio de R$ 53.781,48 e participações societárias de R$ 130 mil.

Na prestação de contas eleitoral, a candidatura aparece com R$ 34.151 em despesas contratadas e pagas, enquanto o limite de gastos informado para a disputa era de R$ 1.270.629,01.

Defesa afirma que pagamentos estão em auditoria

Procurado pela Gazeta do Paraná, o advogado de Matheus Simões afirmou que o departamento jurídico realiza uma auditoria para conferir os contratos, os valores acordados, os pagamentos efetuados e a existência de eventuais saldos pendentes com trabalhadores que participaram da campanha.

Segundo a defesa, houve dificuldades de natureza logística, administrativa e contábil durante o encerramento da campanha, especialmente em razão do número de pessoas envolvidas. O advogado afirmou que não existe intenção de deixar obrigações legítimas sem pagamento e que os valores que forem considerados devidos serão regularizados após a conferência da documentação.

A defesa, no entanto, informou que ainda não é possível estabelecer um prazo para a conclusão dessa apuração.

Sobre os relatos de movimentação financeira por contas de terceiros, o advogado negou que tenha ocorrido utilização irregular dessas contas. Segundo ele, a campanha observou as normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral para arrecadação, movimentação de recursos e prestação de contas.

Em relação aos R$ 450 mil declarados em dinheiro, a defesa afirmou que os valores são provenientes da venda de bens particulares, incluindo imóveis e veículos. Segundo o advogado, a origem dos recursos consta na declaração de Imposto de Renda do candidato apresentada à Receita Federal e possui documentação comprobatória.

O advogado também ressaltou que o patrimônio pessoal de Matheus Simões não deve ser confundido com a movimentação financeira da campanha. Segundo a defesa, o valor declarado como patrimônio não representa, por si só, recursos utilizados no financiamento eleitoral.

Sobre os R$ 34.151 em despesas registrados na prestação de contas, a defesa informou que está realizando a conferência dos registros contábeis, contratos e comprovantes para esclarecer eventuais divergências e verificar o cumprimento das obrigações legais.

O advogado afirmou ainda que a orientação de Matheus Simões é tratar os questionamentos com responsabilidade e transparência, sem antecipar conclusões enquanto a documentação estiver em análise.

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