Inflação desacelera para 0,32% em outubro, mas alimentos ficam mais caros; Curitiba registra deflação
Prévia da inflação aponta alta de 4,62% em 12 meses no Brasil; capital paranaense teve queda de 0,27% nos preços, influenciada pelas passagens aéreas e pela redução na tarifa de água e esgoto
A prévia da inflação oficial brasileira perdeu força em outubro, mas os preços dos alimentos voltaram a pressionar o orçamento das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,32% no mês, abaixo dos 0,70% observados em setembro. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da desaceleração mensal, o indicador acumula alta de 4,15% desde janeiro e de 4,62% nos últimos 12 meses, acima dos 4,47% registrados no período de 12 meses encerrado em setembro. Em outubro de 2025, a variação havia sido de 0,18%.
No Paraná, o destaque ficou com Curitiba, única das 11 áreas pesquisadas pelo IBGE a apresentar deflação em outubro. Na capital paranaense, o IPCA-15 caiu 0,27%, enquanto todas as demais regiões tiveram aumento de preços.
Alimentos pressionam a inflação
O grupo Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pela alta nacional, com avanço de 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual no índice geral. A alimentação dentro de casa ficou 1,01% mais cara, acelerando em relação aos 0,38% de setembro.
Entre os produtos que mais subiram estão o tomate, com aumento de 24,54%, a cebola (13,63%), a batata-inglesa (10,96%) e o arroz (5,80%). Em contrapartida, a cenoura apresentou queda de 10,67%, seguida pelas frutas (-1,37%) e pelo café moído (-1,16%).
Comer fora de casa também ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio subiu 0,56%, com reajustes de 0,61% nas refeições e de 0,66% nos lanches.
Curitiba registra menor inflação do país
Enquanto a inflação avançou na maior parte das regiões pesquisadas, Curitiba apresentou recuo de 0,27% em outubro, após registrar alta de 0,62% em setembro.
A queda foi influenciada principalmente pela redução de 11,58% nas passagens aéreas e de 8,05% na taxa de água e esgoto.
Segundo o IBGE, o resultado da tarifa de água e esgoto está relacionado ao desconto de 25% aplicado sobre a tarifa mínima na capital paranaense, a partir de 1º de outubro.
Com o resultado, Curitiba acumula inflação de 2,27% em 2026 e de 2,43% nos últimos 12 meses, índices inferiores às médias nacionais de 4,15% e 4,62%, respectivamente.
Na outra ponta, Belém registrou a maior variação de outubro, com alta de 0,76%, pressionada principalmente pelo tomate e pela energia elétrica residencial.
Combustíveis sobem, mas energia elétrica ajuda a conter o índice
Os combustíveis voltaram a subir em outubro, com aumento médio de 1,20%, após alta de 0,22% em setembro. O óleo diesel ficou 3,70% mais caro, o etanol avançou 2,73% e a gasolina apresentou aumento de 0,92%.
Mesmo com esses reajustes, o grupo Transportes registrou alta de apenas 0,05%, influenciado pela queda de 9,24% nas passagens aéreas.
Já o grupo Habitação apresentou recuo de 0,10%, depois de ter registrado aumento de 2,07% em setembro.
O principal fator foi a energia elétrica residencial, que passou de uma alta de 7,42% para queda de 0,89%. A redução está relacionada à mudança da bandeira tarifária amarela para a verde, que não prevê cobrança adicional na conta de luz.
Por outro lado, o gás de botijão subiu 1,28%, enquanto o aluguel residencial apresentou aumento de 0,28%.
Inflação acumulada segue acima da registrada em setembro
Embora o resultado mensal indique desaceleração, a inflação acumulada em 12 meses avançou de 4,47% para 4,62%. O movimento mostra que a redução do ritmo de aumento dos preços em outubro não foi suficiente para diminuir a taxa acumulada anual.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito apresentaram aumento no mês. Além dos alimentos, as maiores variações ocorreram em Despesas Pessoais (0,55%), Vestuário (0,53%) e Comunicação (0,43%).
Dentro de Despesas Pessoais, destacaram-se os aumentos de cinema, teatro e concertos (4,30%), pacotes turísticos (2,18%) e empregados domésticos (0,62%).
O IPCA-15 é considerado a prévia da inflação oficial do país. A metodologia é semelhante à utilizada no IPCA, mas o período de coleta e a abrangência geográfica são diferentes.
Para o resultado de outubro, o IBGE coletou preços entre 16 de setembro e 14 de outubro de 2026, considerando famílias com renda de um a 40 salários mínimos nas áreas pesquisadas.
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