Finep aprova R$ 7 bilhões para inovação no Paraná desde 2023; crédito cresce 112% em um ano
Novos dados da financiadora federal detalham investimentos em empresas e instituições de pesquisa do Estado, com projetos nas áreas de saúde, energia e sustentabilidade
O Paraná acumulou R$ 7,07 bilhões em recursos aprovados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) entre janeiro de 2023 e outubro de 2026. Os números foram encaminhados à Gazeta do Paraná pela instituição, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, após a divulgação de uma nova chamada pública de R$ 450 milhões destinada exclusivamente a empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Embora tenha ficado fora desse edital específico, o Estado figura entre os principais beneficiários de outras linhas federais de financiamento à inovação.
Segundo o levantamento, o Paraná recebeu R$ 1,21 bilhão em aprovações em 2023, valor que mais que dobrou no ano seguinte, alcançando R$ 2,74 bilhões. Em 2025, o montante recuou para R$ 1,11 bilhão, mas voltou a crescer em 2026, quando chegou a R$ 2 bilhões até outubro. O resultado parcial deste ano já supera em aproximadamente 80% o volume registrado durante todo o ano passado.
A maior parcela dos recursos está concentrada nas operações de crédito, que somaram R$ 6,45 bilhões no período. Essa modalidade inclui financiamentos concedidos diretamente pela Finep e operações realizadas por meio de instituições financeiras parceiras. De acordo com a financiadora, o volume de crédito destinado ao Paraná cresceu 112% entre 2025 e 2026, considerando os dados disponíveis até outubro.
Os valores, entretanto, não representam exclusivamente transferências diretas de dinheiro público às empresas. Parte dos investimentos corresponde a financiamentos que deverão ser pagos pelos beneficiários, enquanto outra parcela envolve recursos não reembolsáveis, destinados ao desenvolvimento de pesquisas, tecnologias e projetos considerados estratégicos.
Empresas e universidades
Entre os programas de financiamento, o Paraná se destaca no Inovacred, voltado ao apoio de empresas que pretendem desenvolver novos produtos, modernizar processos produtivos ou incorporar tecnologias. Segundo a Finep, o Estado está entre os que apresentam maior volume de recursos aprovados nessa linha, com R$ 566 milhões contratados.
Além dos empréstimos, a instituição informou que o apoio a projetos empresariais com recursos não reembolsáveis e subvenções econômicas atingiu R$ 209 milhões entre 2023 e outubro de 2026. Nesses casos, o financiamento permite que empresas desenvolvam iniciativas de inovação sem a obrigação de devolver os valores recebidos, desde que cumpridas as condições estabelecidas nos contratos.
As instituições científicas e tecnológicas (ICTs), entre elas universidades e centros de pesquisa, também receberam apoio. As operações não reembolsáveis destinadas a esse segmento ultrapassaram R$ 436 milhões no mesmo período.
A distribuição evidencia que o financiamento federal à inovação não se restringe às grandes indústrias. Os recursos também alcançam pesquisas acadêmicas, desenvolvimento de tecnologias, modernização de pequenas e médias empresas e projetos voltados à solução de problemas sociais e ambientais.
Impressão 3D pode reduzir custos industriais
Um dos exemplos apresentados pela Finep é o projeto desenvolvido pela empresa paranaense Maha, que investiu na ampliação de sua linha de produtos e na aquisição de tecnologias avançadas de impressão tridimensional, inclusive para a fabricação de peças metálicas.
A iniciativa busca transformar processos utilizados pelas indústrias metalúrgica e de plásticos, especialmente na produção de moldes. Segundo as estimativas apresentadas pela financiadora, a incorporação dessas tecnologias poderá reduzir entre 50% e 70% os custos de fabricação.
A expectativa é que os ganhos de produtividade e a ampliação da capacidade de produção contribuam para elevar o faturamento da empresa em mais de 400% ao longo de 18 meses. Trata-se, contudo, de uma projeção apresentada no âmbito do projeto, e não de um resultado já consolidado.
A tecnologia também apresenta vantagens ambientais. Diferentemente de processos tradicionais, que retiram material de blocos metálicos para produzir peças, a impressão 3D permite construir componentes por adição de material, reduzindo desperdícios. O projeto prevê ainda a utilização de insumos reciclados e pós-metálicos reprocessados.
Resíduos transformados em energia
O potencial das pesquisas desenvolvidas no Paraná também ganhou reconhecimento no Prêmio Finep de Inovação 2025. Três iniciativas paranaenses foram contempladas na etapa regional Sul. Duas venceram suas categorias e uma recebeu destaque especial por ser coordenada por uma pesquisadora.
Uma das vencedoras foi a Ponta Grossa Ambiental, concessionária de serviço público que desenvolve, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), um sistema para transformar resíduos urbanos e lodos de esgoto em energia.
O projeto combina três processos tecnológicos: pirólise, gaseificação e combustão. A proposta é aproveitar materiais que normalmente seriam destinados ao descarte, convertendo-os em energia e ampliando as alternativas de tratamento de resíduos.
Segundo a descrição apresentada à Finep, o equipamento foi concebido para ser modular e adaptável a diferentes realidades regionais, permitindo sua utilização em unidades de recuperação energética de distintos portes. A iniciativa recebeu apoio da linha de subvenção econômica voltada a cidades inteligentes e sustentáveis.
Combustível de aviação produzido a partir de resíduos
Outra iniciativa premiada é da GEO Energética, que desenvolve uma rota alternativa para produzir combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, a partir de resíduos agroindustriais.
O projeto utiliza biogás como matéria-prima e combina processos químicos para produzir hidrocarbonetos que poderão ser empregados na fabricação de combustíveis de menor impacto ambiental.
A tecnologia pretende oferecer uma alternativa aos combustíveis derivados de petróleo e contribuir para a redução das emissões associadas ao transporte aéreo. A proposta também prevê a criação de uma planta piloto nacional para testar a viabilidade técnica e a possibilidade de ampliar a produção.
O projeto foi contemplado pela linha de subvenção econômica Combustíveis do Futuro e venceu a categoria de Bioeconomia, Descarbonização, Transição e Seguranças Energéticas na etapa Sul do prêmio.
Pesquisa sobre câncer infantil também é reconhecida
Na área da saúde, o Paraná recebeu um reconhecimento especial pelo trabalho desenvolvido no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Coordenada pela pesquisadora Luciane Regina Cavalli, a iniciativa investiga novas possibilidades de diagnóstico e tratamento do neuroblastoma, um tipo de câncer que afeta principalmente crianças pequenas.
O projeto busca desenvolver modelos tumorais a partir de técnicas de reprogramação celular, utilizando células obtidas dos próprios pacientes. A proposta é compreender melhor as características de cada tumor e identificar tratamentos mais adequados às condições individuais das crianças.
A pesquisa também pretende identificar marcadores moleculares que ajudem a prever a evolução da doença e a resposta às terapias, contribuindo para diagnósticos e decisões médicas mais precisos.
A iniciativa recebeu o destaque de melhor projeto coordenado por mulheres na etapa Sul do Prêmio Finep de Inovação 2025.
Editais têm diferentes critérios de distribuição
Os dados complementares foram apresentados após a divulgação de uma chamada pública que destinou R$ 450 milhões a projetos de inovação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, sem contemplar empresas sediadas no Sul e no Sudeste.
A seleção regional integra uma política de financiamento que busca ampliar o acesso aos recursos federais em áreas historicamente menos beneficiadas por investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação.
O levantamento encaminhado pela Finep mostra, por outro lado, que a existência de editais com recortes regionais não impede que empresas e instituições paranaenses sejam contempladas por outros instrumentos de financiamento.
Os R$ 7,07 bilhões contabilizados desde 2023 abrangem diferentes modalidades de apoio, desde empréstimos empresariais até recursos destinados a pesquisas científicas. O volume também evidencia a importância das políticas de financiamento à inovação para a indústria, as universidades e os centros de pesquisa do Paraná.
A distinção entre as modalidades, porém, é fundamental para compreender o alcance desses investimentos. Enquanto os financiamentos reembolsáveis representam operações de crédito, os recursos não reembolsáveis constituem apoio direto a projetos selecionados. Em ambos os casos, os valores aprovados ou contratados não significam necessariamente que todo o dinheiro já tenha sido efetivamente liberado aos beneficiários.
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