Empresa ligada a investigado do INSS pagou jatos usados por Flávio, diz Folha
Documentos encontrados pela PF apontam pagamentos de empresa ligada à Rede Loto por voos usados pelo senador em viagens pela Europa em 2025
Uma empresa ligada à casa de apostas Rede Loto comprou voos em jatos executivos usados pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante viagens pela Europa em 2025, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (15).
Os documentos que apontam os pagamentos foram encontrados durante uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades envolvendo recursos desviados de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os deslocamentos incluíram viagens entre Portugal e França, além de trechos entre Lisboa e Cascais e destinos como Nice e Paris.
Empresa ligada à Rede Loto
Segundo a reportagem, a compra dos voos foi feita pela Cathedral Holdings S.A., empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. Entre os acionistas estão o advogado Willer Tomaz, familiares dele e o empresário Jorge Barbosa Dias.
Registros empresariais relacionam a Cathedral Holdings à Rede Loto, empresa portuguesa que é sócia da companhia brasileira de apostas e atua no mercado de apostas on-line.
A Rede Loto foi aberta em fevereiro de 2023, em São Paulo. Em maio do mesmo ano, recebeu credenciamento da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro) para operar apostas esportivas.
O que dizem Flávio e Willer Tomaz
À Folha de S.Paulo, a defesa de Willer Tomaz afirmou que os deslocamentos foram passeios de lazer entre amigos e familiares. Segundo a defesa, as viagens foram custeadas pessoalmente pelo advogado e não tiveram qualquer contrapartida.
Flávio Bolsonaro confirmou à reportagem que mantém uma relação de amizade com Tomaz e negou irregularidades. O senador afirmou que associar a relação pessoal a possíveis irregularidades seria uma ilação sem fundamento nos fatos.
A assessoria de Flávio foi procurada pelo Poder360 sobre a reportagem da Folha de S.Paulo, mas não havia respondido até a publicação do texto.
Investigação sobre Willer Tomaz
Em 4 de agosto de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Willer Tomaz durante a Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
O advogado também já havia sido citado em reportagens sobre viagens de Flávio Bolsonaro. Em setembro, uma reportagem da revista Piauí abordou um voo realizado em janeiro de 2025 entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília.
Na ocasião, Tomaz afirmou que tinha participação no avião e que pagou o trajeto utilizando as horas de voo às quais tinha direito. Ele também negou que Vorcaro tivesse custeado ou participado da viagem.
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