Vorcaro nega fraude de R$ 12 bilhões e chama acusações de “fantasiosas”
Fundador do Banco Master afirmou à PF que operações com o BRB foram legais e não causaram prejuízo ao banco público
Preso preventivamente em Brasília, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou à Polícia Federal, nesta quinta-feira (15), ter cometido fraudes de R$ 12 bilhões envolvendo o BRB (Banco de Brasília). A defesa classificou as acusações como uma “narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo”.
Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que as operações realizadas entre o Master e o BRB foram negócios lícitos, baseados em decisões técnicas e colegiadas das duas instituições. Segundo ele, as transações não provocaram prejuízo ao banco público.
A defesa também informou que pretende apresentar nesta sexta-feira (16) uma contestação na esfera cível e pedir uma perícia para questionar as investigações sobre as supostas fraudes financeiras.
Vorcaro prestou o depoimento no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. De acordo com os advogados, ele respondeu de forma colaborativa às perguntas feitas pelos investigadores.
Críticas à Operação Compliance Zero
No depoimento, Vorcaro atribuiu a situação atual do BRB à deflagração da Operação Compliance Zero, que classificou como “açodada”. Para o ex-banqueiro, a operação teria envolvido a instituição em uma investigação baseada em uma suposta fraude bilionária e abalado a confiança necessária para o funcionamento do banco.
A Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A primeira fase foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília e deflagrada em novembro de 2025, com prisões e buscas em quatro Estados e no Distrito Federal.
O caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2025, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Em janeiro de 2026, ele autorizou a segunda fase da operação, mas deixou a relatoria em fevereiro. O ministro André Mendonça assumiu o caso.
Nove fases da investigação
Na primeira fase, em 18 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez, um dia depois de tentar deixar o Brasil. A operação cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. Ele foi solto em 29 de novembro.
Em 14 de janeiro de 2026, a segunda fase teve buscas em endereços ligados ao ex-banqueiro. Carros, relógios e dinheiro foram apreendidos, enquanto os valores bloqueados ou sequestrados ultrapassaram R$ 5,7 bilhões. A investigação buscava apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master.
Na terceira fase, em 4 de março, Vorcaro voltou a ser preso. Segundo a PF, ele mantinha um grupo responsável por intimidar adversários e pagar propina a dois funcionários do Banco Central. Na mesma data, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar sob custódia da PF e morreu dois dias depois.
A quarta fase, em 16 de abril, teve como alvo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Ele foi preso sob suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. De acordo com a PF, Costa teria recebido propina de Vorcaro por meio de imóveis de luxo.
Em 7 de maio, na quinta fase, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo da operação. A PF citou suspeita de pagamento de propina por Vorcaro ao congressista, que negou. Foram bloqueados R$ 18,85 milhões.
A sexta fase ocorreu em 14 de maio, com sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O pai de Vorcaro foi preso. Segundo a PF, ele articulava o grupo de intimidação e espionagem ligado ao filho.
Na sétima fase, em 19 de maio, a PF investigou o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao Master. O ministro André Mendonça determinou o afastamento de um perito da corporação.
Em 26 de maio, a oitava fase teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ), com mandados de busca e apreensão. A investigação apura suspeitas de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. Segundo a PF, o total movimentado chega a R$ 3 bilhões.
A nona fase foi deflagrada em 18 de junho. O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de medidas cautelares determinadas por Mendonça, que o proibiu de atuar com empresas ligadas ao caso Master e de manter contato com investigados, com exceções para familiares.
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