🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Pref corbelia alto
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Flávio Bolsonaro é investigado pela PF por financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro

Senador e candidato à Presidência é alvo de inquérito no STF que apura suspeitas envolvendo repasses de Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”

Gabriel Porta · · 5 min de leitura
Flavio Bolsonaro
Flavio Bolsonaro — Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal. A informação de que Flávio Bolsonaro está entre os investigados veio a público nesta sexta-feira (11), depois que o relator retirou o sigilo do procedimento a pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Segundo a decisão, a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que, em tese, podem ter sido praticados por Flávio Bolsonaro no contexto do financiamento do filme e das negociações com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi consultada sobre a abertura da investigação e não apresentou oposição.

Mendonça determinou que o caso fosse encaminhado à Polícia Federal para a realização das diligências que não dependessem de autorização judicial.

Dois inquéritos investigam financiamento do filme

O financiamento de "Dark Horse" é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF.

O primeiro está sob relatoria de André Mendonça e apura os repasses feitos por Daniel Vorcaro para a produção.

A investigação busca esclarecer em quais circunstâncias os pagamentos foram realizados, qual era a origem dos recursos, o valor total movimentado e qual foi o destino do dinheiro.

Os investigadores também suspeitam que parte dos recursos destinados ao filme possa não ter sido utilizada na produção.

É nesse inquérito que Flávio Bolsonaro aparece como investigado.

O segundo procedimento é relatado pelo ministro Flávio Dino e apura se a produtora Go Up Entertainment utilizou recursos provenientes de emendas parlamentares para financiar a produção.

Na quinta-feira (10), a Polícia Federal realizou uma operação e cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares.

Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora responsável pelo filme.

Contrato de R$ 108 milhões também é investigado

Além das investigações no STF, havia um procedimento conduzido pela Polícia Civil de São Paulo para apurar um contrato entre a organização ligada a Karina da Gama e a Prefeitura de São Paulo.

O acordo previa a instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia da capital paulista.

Segundo as informações da investigação, o contrato não teria sido cumprido integralmente e existem suspeitas de desvio de parte dos recursos.

Esse inquérito passou a tramitar no STF sob a relatoria de Flávio Dino.

Como surgiu a investigação sobre o filme

"Dark Horse" ganhou destaque depois que o site Intercept Brasil divulgou conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Nas mensagens, segundo a publicação, o senador teria solicitado recursos ao então banqueiro para financiar a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

Vorcaro teria ajudado a financiar o filme. As negociações envolveram contatos diretos com Flávio Bolsonaro, que, segundo as informações divulgadas, teria solicitado recursos e cobrado os pagamentos.

O banqueiro chegou a repassar R$ 61 milhões aos produtores do filme por meio de um fundo nos Estados Unidos, segundo as informações que integram as investigações.

Ainda de acordo com o Intercept Brasil, Flávio teria negociado um repasse de US$ 24 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões na época, para financiar a produção.

Os valores citados no caso são:

  • R$ 75,1 milhões: valor que a produtora afirma ter gasto na produção;

  • R$ 61 milhões: valor que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme por meio de um fundo nos Estados Unidos;

  • R$ 134 milhões: valor que Flávio Bolsonaro teria negociado antes da prisão de Vorcaro;

  • R$ 108 milhões: valor de contrato entre uma ONG ligada a Karina da Gama e a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi, acordo que também é alvo de investigação.

Operação Make Up

As apurações relacionadas ao uso de emendas parlamentares também resultaram na Operação Make Up, realizada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Flávio Dino autorizou as medidas por ser o relator, no STF, de processos que investigam possíveis irregularidades no repasse de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

O ministro também determinou medidas cautelares contra Mario Frias. O deputado ficou proibido de deixar o país e de manter contato com outros investigados no inquérito que apura possíveis desvios de recursos públicos.

Crise envolvendo investigações do Banco Master

As investigações sobre o financiamento do filme também estão inseridas no contexto da crise envolvendo apurações relacionadas ao Banco Master no STF.

O caso envolve decisões e divergências entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, além da atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, posteriormente, de Flávio Dino.

Antes da divulgação do relatório que provocou uma sequência de decisões, já havia divergências entre o gabinete de Mendonça e a direção da Polícia Federal sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.

Mendonça é relator de apurações envolvendo o banco e também do inquérito que investiga os repasses destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia orientado Andrei Rodrigues a procurar Mendonça para tratar da relação entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro.

A investigação sobre Flávio Bolsonaro continua em andamento. O inquérito busca esclarecer a origem, o destino e as circunstâncias dos recursos relacionados ao financiamento de "Dark Horse", além de verificar se houve a prática dos crimes investigados.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.