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Flávio Bolsonaro diz que não dará cargo ao pai e manterá fim da 6x1

Flávio Bolsonaro afirmou à Globo que não vai reverter o fim da escala 6x1 se for eleito e disse que pretende exercer apenas um mandato

Gabriel Porta · · 5 min de leitura
Flávio Bolsonaro diz que não vai reverter fim da escala 6x1
Flávio Bolsonaro diz que não vai reverter fim da escala 6x1 — Crédito: Globo/ Manoella Mello

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16), em entrevista à Globo, que não pretende reverter o fim da escala de trabalho 6x1 caso seja eleito. O senador também disse que quer exercer apenas um mandato e afirmou que o pai, Jair Bolsonaro, não está nos planos para ocupar um cargo em eventual governo.

A entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, fez parte da cobertura do segundo turno das eleições. A conversa foi transmitida pela TV Globo, GloboNews e g1.

Sobre a escala 6x1, Flávio explicou que mudou de posição depois de ouvir trabalhadores durante a campanha. Ele havia chamado anteriormente a proposta de eleitoreira e oportunista, mas afirmou que decidiu acompanhar o que identificou como a vontade da maioria.

“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas”, declarou.

Questionado sobre uma eventual tentativa de aliados de retomar uma proposta do PL que previa salários proporcionais às horas trabalhadas, o candidato negou que vá atuar para desfazer o fim da escala.

“Não vou, Renata. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”, afirmou.

Apenas um mandato

Flávio também declarou ser contrário a mudanças nas regras de reeleição que permitiriam a entrada de familiares em uma eventual disputa. Disse que não apoiaria uma mudança para beneficiar o pai ou os irmãos.

O candidato afirmou ainda que não pretende disputar a reeleição. Segundo ele, um mandato seria suficiente para começar a fazer mudanças no país.

“Não quero começar o mandato pensando na reeleição”, disse.

Flávio defendeu que uma eventual mudança no fim da reeleição também alcance governadores e outros cargos do Executivo.

Jair Bolsonaro sem cargo no governo

Questionado sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro ocupar uma função em um eventual governo, Flávio afirmou que o pai nunca tratou de cargo com ele.

O candidato disse que teria no ex-presidente uma pessoa de confiança para consultar, mas descartou a possibilidade de nomeá-lo para uma função no governo.

“Não está no radar”, afirmou.

Flávio também disse que o irmão Eduardo Bolsonaro não será chanceler caso seja eleito. O deputado federal cassado foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão por coação no processo sobre a trama golpista.

Ajuste fiscal

Na área econômica, Flávio afirmou que pretende manter o reajuste do salário mínimo vinculado à inflação e não desvincular o percentual utilizado para corrigir aposentadorias. Também disse que não pretende eliminar os pisos de gastos com saúde e educação.

Segundo o candidato, o ajuste das contas públicas viria principalmente de cortes em pelo menos dez ministérios e de medidas relacionadas a gastos que, em sua avaliação, estão associados à corrupção e à má gestão de estatais.

Ele também citou a possibilidade de securitizar cerca de R$ 3 trilhões em dívidas que a União tem a receber. Segundo Flávio, a medida poderia gerar mais de R$ 200 bilhões anuais em receitas.

Críticas ao Judiciário

Flávio defendeu uma reforma do Judiciário para recuperar, segundo ele, a credibilidade do Poder. Durante a entrevista, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a quem acusou de perseguir adversários políticos.

O candidato também afirmou que o ministro Kassio Nunes Marques deveria ser investigado diante de denúncias sobre supostos vínculos com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.

Flávio defendeu ainda o impeachment de Moraes por, segundo ele, atuação político-partidária.

Caso Master e filme sobre Jair Bolsonaro

O candidato foi questionado sobre os R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, enquanto a produção teria custo de R$ 75 milhões.

Flávio afirmou que o contrato não foi cumprido e que os recursos aportados por Vorcaro e outros investidores permitiram concluir o filme.

Sobre os quase R$ 70 milhões repassados por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos, o senador disse que a produtora brasileira prestou contas dos recursos e que os gastos dependiam de autorização do fundo. Ele classificou o aporte como patrocínio privado e negou ter oferecido contrapartidas relacionadas ao cargo que ocupava.

Atos de 8 de janeiro

Flávio afirmou que os envolvidos nos atos de 8 de janeiro devem ser punidos dentro da lei e de acordo com os crimes cometidos. Também disse que a invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes e as agressões contra policiais foram inaceitáveis.

Ao mesmo tempo, questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe.

Sobre o resultado das eleições, o candidato afirmou que respeitará as urnas e as regras atuais.

“Eu vou respeitar”, declarou.

Armas e Polícia Federal

Na entrevista, Flávio também defendeu políticas de acesso a armas e criticou o Estatuto do Desarmamento. Questionado sobre uma proposta para retirar a marcação de cápsulas de munições compradas pelas forças de segurança, afirmou não saber detalhar quais benefícios a medida traria.

O candidato ainda foi questionado sobre a troca no comando da Polícia Federal durante o governo de Jair Bolsonaro. Flávio negou que o pai tenha feito mudanças na corporação para proteger familiares de investigações.

Sobre aliados investigados no Rio de Janeiro, como o deputado estadual Márcio Canella, o ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar e o ex-governador Cláudio Castro, afirmou ter ficado surpreso com as investigações e disse que todos devem ter direito à defesa.

A entrevista de Flávio ocorreu um dia depois da participação de Lula (PT), que também foi entrevistado por Renata Lo Prete. Os dois candidatos disputam o segundo turno marcado para 25 de outubro.

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