Jornalistas da RPC relatam ameaças de corte salarial ligadas ao resultado da eleição
Documento de jornalistas da RPC relata reuniões com chefias, ameaças de cortes salariais e pressão relacionada ao resultado da eleição presidencial
Um documento elaborado por jornalistas da RPC TV, afiliada da Globo no Paraná, relata supostos episódios de assédio eleitoral dentro das redações da emissora. Segundo o relato, funcionários estariam sendo chamados em pequenos grupos para reuniões com chefias e informados de que a manutenção dos empregos no próximo ano dependeria do resultado das eleições presidenciais.
As informações foram divulgadas pelo Plural, que teve acesso ao documento produzido pelos funcionários. Segundo o veículo, o material teria sido encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
De acordo com o documento, as reuniões seriam acompanhadas de ameaças relacionadas a salários e de declarações de caráter político. Os funcionários relatam que gestores teriam associado os efeitos do fim da escala 6x1 ao resultado da eleição.
“Nessas reuniões, gestores afirmam que, com o fim da escala 6x1, os profissionais de redação poderão perder 30% dos salários, enquanto repórteres de rua e cinegrafistas teriam perdas de até 60%. E mais: disseram que tudo dependerá também do resultado das eleições, porque o cenário pode mudar”, diz o documento, segundo o Plural.
O relato também aponta que a empresa teria informado aos funcionários que não haverá mais participação nos lucros e orientado os trabalhadores a não contar com esse pagamento.
Advogado vê possível assédio eleitoral
O advogado Nasser Ahmad Allan, ouvido pelo Plural, afirmou não ter tido acesso diretamente aos fatos relatados. Ainda assim, avaliou que, caso as situações tenham ocorrido conforme descritas, elas podem caracterizar assédio eleitoral.
Segundo ele, a pressão sobre trabalhadores para influenciar o voto, associada a ameaças de redução de remuneração ou perda do emprego, pode configurar esse tipo de prática.
Allan também afirmou que o sindicato da categoria e o Ministério Público do Trabalho podem atuar diante de denúncias desse tipo, inclusive com possibilidade de encaminhamento anônimo ao MPT.
Sindicato diz que acionou o MPT
O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná informou ao Plural que não recebeu, até o momento, uma denúncia formal dos trabalhadores da RPC. A entidade, porém, afirmou já ter tomado conhecimento dos relatos de maneira informal e ter procurado o Ministério Público do Trabalho.
“Nós não recebemos nenhuma denúncia formal por parte dos trabalhadores e trabalhadoras até o momento. Mas já contatamos o Ministério Público do Trabalho. As denúncias devem ser feitas ao Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná ou ao próprio MPT”, informou a entidade, em nota.
Mudança no controle da RPC
Desde fevereiro deste ano, as emissoras de televisão e rádio do grupo passaram a ser controladas majoritariamente pela família Lemanski, que comprou uma parcela significativa das ações pertencentes à família Cunha Pereira.
Segundo o Plural, os dois grupos familiares têm perfil conservador e demonstram preferência pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.
A mudança no controle acionário foi abordada anteriormente pelo próprio Plural em reportagem sobre a redução da participação dos Cunha Pereira na comunicação paranaense.
RPC não respondeu
O Plural informou que procurou a RPC para ouvir a posição da empresa sobre os relatos apresentados pelos funcionários. Até a publicação da reportagem, porém, não havia recebido resposta.
Caso a empresa se manifeste, segundo o veículo, a informação será acrescentada à reportagem.
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