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Flávio Bolsonaro defendeu a ditadura e chamou Ustra de “homem correto”

Livro publicado em 2017 pelo então deputado estadual também reúne elogios ao coronel Ustra e críticas à Comissão Nacional da Verdade

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Flávio Bolsonaro defendeu golpe e chamou agentes da ditadura de heróis
Flávio Bolsonaro defendeu golpe e chamou agentes da ditadura de heróis — Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro registrou em um livro publicado em 2017 sua defesa do golpe militar de 1964 e elogios a agentes da repressão durante a ditadura. Na obra “Mito ou verdade”, escrita quando ele ainda exercia o quarto mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro, o parlamentar afirmou que integrantes do aparato de repressão deveriam ser reconhecidos como “heróis nacionais”.

A publicação foi resgatada pelo jornalista Bernardo Mello Franco, de “O Globo”, em meio à disputa eleitoral de 2026. Na época do lançamento do livro, Flávio também articulava sua candidatura ao Senado, cargo para o qual foi eleito no ano seguinte.

No trecho dedicado aos agentes responsáveis pela repressão política, o então deputado escreveu que eles não deveriam ser tratados como figuras marginalizadas.

“Ao invés (sic) de marginalizados, deveriam ser tratados como heróis nacionais”, afirmou Flávio na publicação.

Elogios a Ustra

Outro personagem elogiado por Flávio no livro é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi durante a ditadura militar.

Na obra, o militar é descrito como um “homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”. Flávio também afirmou que Ustra foi “massacrado pela mídia” nas décadas seguintes.

Ustra é apontado como responsável por ações de repressão e tortura durante o regime militar. O material também relata que crianças eram levadas para acompanhar sessões de tortura de seus próprios pais durante interrogatórios.

Flávio também direcionou críticas à Comissão Nacional da Verdade, criada para investigar violações de direitos humanos cometidas durante o período autoritário. Segundo ele, o colegiado tentava “reescrever a História à luz da visão dos terroristas”.

Ao tratar de mortes ocorridas durante a ditadura, o livro também questiona a versão sobre o desaparecimento e morte do ex-deputado Rubens Paiva. O texto atribui a grupos de esquerda a responsabilidade pelo assassinato do político, morto nas dependências do DOI-Codi.

Discursos na Assembleia do Rio

As declarações registradas no livro não foram as únicas manifestações públicas de Flávio Bolsonaro sobre a ditadura. Durante o período em que ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, ele utilizou a tribuna em diferentes ocasiões para defender o regime militar e criticar a versão histórica de que 1964 foi um golpe.

Em 2004, o então deputado afirmou que havia uma “massificação” das críticas ao regime e destacou, segundo sua avaliação, avanços econômicos, sociais e políticos ocorridos durante o período.

Cinco anos depois, em 2009, declarou que tinha “muito orgulho e agradecimento aos militares”.

Em 2010, voltou ao tema ao contestar a classificação de 1964 como golpe. “A esquerda, hoje no poder, insiste em falar que houve um golpe”, afirmou na ocasião.

No ano seguinte, em 2011, Flávio classificou o aniversário do golpe como uma “data especial” e disse ser necessário combater o que chamou de “mentira de que houve um golpe militar”. Na mesma manifestação, resumiu a posição política da família Bolsonaro: “Todos já conhecem o posicionamento da família Bolsonaro”.

Relação com a trajetória de Jair Bolsonaro

A posição de Flávio acompanha declarações historicamente feitas por seu pai, Jair Bolsonaro, que também construiu sua carreira política defendendo integrantes do regime militar e criticando investigações sobre violações cometidas durante a ditadura.

Em 2014, durante a reabertura do caso Riocentro pelo Ministério Público Federal, Jair Bolsonaro acompanhou o interrogatório de um militar investigado. Na ocasião, também atacou os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e defendeu a retomada da Operação Condor no Cone Sul.

O tema voltou ao centro do debate político brasileiro durante as eleições de 2026, após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro e as investigações sobre tentativas de ruptura institucional.

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