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Deputada eleita de 21 anos desativa X após ameaças de morte

Ana Elisa Santos Silva, do PT, denunciou ameaças de morte, estupro e ataques racistas durante a campanha eleitoral

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Ana Elisa denunciou ameaças de morte
Ana Elisa denunciou ameaças de morte — Crédito: anaelisast/ Instagram

A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, desativou a conta na rede social X após receber ameaças de morte e violência sexual durante a campanha eleitoral.

A parlamentar denunciou as mensagens à Polícia Civil de Minas Gerais. Segundo ela, os ataques também tiveram conteúdo machista e racista, além de ameaças de estupro.

Ana Elisa esteve em Brasília na quinta-feira (8) para participar da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais durante o segundo turno. Depois da viagem, segundo a deputada eleita, seus perfis passaram a receber ataques coordenados.

A equipe dela decidiu retirar a conta do X do ar após o recebimento frequente das ameaças.

“Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaças de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país”, afirmou Ana Elisa em outra rede social.

A deputada eleita também disse estar “totalmente vulnerável” por ainda não contar com escolta de segurança.

Mensagem citava grupo supremacista

Ana Elisa já havia publicado imagens de uma mensagem recebida por e-mail em 5 de setembro. O remetente afirmava fazer parte da Ku Klux Klan, grupo supremacista branco de extrema direita.

Segundo o relato da deputada, a mensagem atacava mulheres negras em espaços de poder e continha ameaças de violência sexual.

Deputada mais jovem eleita

Ana Elisa recebeu 524.219 votos nas eleições de 2026 e foi a segunda candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais. O primeiro colocado foi Nikolas Ferreira (PL).

Com o resultado, ela se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara e a deputada federal mais jovem eleita no Brasil.

Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Ana Elisa estuda Direito e trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG).

Ela afirma que começou a se aproximar da política ao acompanhar a mãe em atividades de um sindicato. A deputada eleita ganhou projeção nas redes sociais com vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação.

Durante a campanha, Ana Elisa chegou a quase 2 milhões de seguidores no Instagram. Atualmente, segundo o texto, o perfil ultrapassa 3 milhões.

Violência política contra mulheres

No fim de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com denúncias de violência contra mulheres candidatas nas eleições de 2026.

Os relatos incluem agressões físicas e verbais, além de ameaças de morte e estupro. Dados do próprio TSE apontam crescimento de 11 vezes nos registros de violência política de gênero entre 2022 e 2026.

Como denunciar

Mulheres vítimas de violência política e pessoas que tenham conhecimento desses casos podem procurar diferentes canais de denúncia e orientação.

O Ligue 180 oferece atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas. O serviço também recebe denúncias pelo WhatsApp (61) 9610-0180, por e-mail e por videochamada em Libras.

Também é possível procurar a Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público, a Procuradoria-Geral Eleitoral, a Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça e a Polícia Federal.

A Defensoria Pública da União também oferece assistência e orientação jurídica por meio do Grupo de Trabalho Mulheres.

Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

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