Curitiba avalia ônibus gratuitos aos fins de semana e pede levantamento sobre impacto financeiro
Requerimento apresentado na Câmara Municipal nesta segunda-feira (19) solicita dados sobre passageiros e custos para calcular a viabilidade da tarifa zero aos sábados e domingos
A possibilidade de oferecer transporte coletivo gratuito aos sábados e domingos em Curitiba entrou na pauta da Câmara Municipal nesta segunda-feira (19). A vereadora Indiara Barbosa apresentou um pedido de informações sobre a quantidade de passageiros que utilizam os ônibus nos fins de semana e os dados financeiros necessários para estimar o impacto de uma eventual implantação da tarifa zero nesses dias.
O requerimento, identificado pelo número 062.001799/2026 na leitura da sessão, busca reunir informações que permitam dimensionar quanto custaria dispensar os passageiros do pagamento da passagem aos sábados e domingos. A medida ainda não foi apresentada como uma decisão da Prefeitura de Curitiba, tampouco há previsão anunciada para sua implantação.
A proposta de levantamento envolve duas questões centrais: quantas pessoas utilizam o sistema de transporte coletivo nos fins de semana e qual seria a repercussão financeira da gratuidade. Esses dados são necessários para avaliar o volume de receitas que deixaria de ser arrecadado com as passagens e as alternativas para financiar a operação.
O pedido também abre espaço para discutir os efeitos de uma eventual mudança sobre a mobilidade urbana. A gratuidade poderia estimular o uso dos ônibus para atividades de lazer, compras, visitas familiares e deslocamentos de trabalhadores que cumprem jornadas aos sábados e domingos. No entanto, a dimensão desses possíveis efeitos dependeria de estudos sobre a demanda e a capacidade do sistema.
Tarifa zero depende de definição sobre financiamento
Uma eventual gratuidade aos fins de semana exigiria a definição de uma fonte de financiamento para cobrir os custos do serviço. Mesmo sem cobrança direta dos passageiros, a operação dos ônibus continuaria envolvendo despesas com motoristas, combustível, manutenção, veículos e infraestrutura.
Por isso, a análise não depende apenas do número de usuários, mas também do modelo de remuneração das empresas operadoras, da participação de recursos públicos e da possibilidade de aumento da demanda. Uma política de tarifa zero poderia exigir ajustes na oferta de viagens caso houvesse crescimento significativo no número de passageiros.
O requerimento apresentado por Indiara Barbosa não estabelece um modelo de financiamento nem propõe, neste momento, alterações na tarifa vigente. Seu objetivo é obter informações para subsidiar uma possível discussão sobre a medida.
Receitas do transporte também são questionadas
O financiamento do sistema apareceu em outro requerimento apresentado na mesma sessão. A vereadora Vanda de Assis solicitou informações sobre a arrecadação municipal, as receitas vinculadas à mobilidade urbana e os recursos destinados ao transporte coletivo de Curitiba entre 2020 e 2025.
O levantamento poderá contribuir para a discussão sobre a composição das receitas do sistema e a participação do orçamento municipal no custeio do serviço. Também permitirá examinar como o financiamento do transporte evoluiu nos últimos anos.
Os dois pedidos tratam de aspectos diferentes da mesma questão: enquanto Indiara Barbosa busca dimensionar o custo de uma eventual gratuidade aos fins de semana, Vanda de Assis pretende obter informações sobre as fontes de financiamento do transporte coletivo.
A apresentação dos requerimentos não significa que a Prefeitura de Curitiba tenha iniciado estudos oficiais para implantar a tarifa zero. Até o momento, a informação confirmada pela sessão legislativa é a solicitação de dados para avaliar a possibilidade.
A eventual adoção da gratuidade dependeria de análises técnicas, definição de recursos e decisões do Poder Executivo. Não há, portanto, calendário anunciado para a implementação da medida nem estimativa oficial de quanto ela custaria aos cofres municipais.
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