CODESC reúne Câmaras Técnicas para discutir indústria, agro e infraestrutura até 2050
Encontro em Cascavel debateu agregação de valor às matérias-primas, inovação, qualificação profissional e uso de dados para orientar investimentos em infraestrutura rural
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O Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Cascavel (CODESC) reuniu, na terça-feira (29), as Câmaras Técnicas de Indústria, Agropecuária e Transporte, Mobilidade e Infraestrutura, com participação transversal da área de Inovação, para discutir estratégias de desenvolvimento para o município nas próximas décadas.
O encontro teve como referência o projeto Cascavel 2050 – Cidade Conectada ao Futuro, Sustentável e Próspera e buscou integrar diferentes setores na construção de propostas de longo prazo. A reunião foi conduzida pelo vice-presidente do CODESC, Marco Portes, que apresentou 2 frentes consideradas estratégicas: a identificação de oportunidades para agregar valor às matérias-primas produzidas na região e a criação de uma base técnica de dados para orientar investimentos em infraestrutura.
Participaram também os coordenadores das Câmaras Técnicas de Indústria, Ricardo Parzianello; de Transporte, Mobilidade e Infraestrutura, Carlos Bonamigo; e de Agropecuária, Rosemeire Silva, além de técnicos, representantes do Instituto de Planejamento de Cascavel (IPC), cooperativas, empresas, instituições de ensino e entidades representativas.
Indústria 2050
Durante a reunião, Ricardo Parzianello destacou que a Câmara Técnica de Indústria passa a estruturar seus trabalhos com foco no futuro do setor. O tema também será discutido no próximo Tendências CODESC, marcado para 5 de novembro, com o tema “Indústria 2050 – O Futuro é Produzido Aqui”.
A programação deverá abordar inovação, tecnologia e robótica, além das transformações que devem impactar os processos produtivos.
Para Parzianello, Cascavel precisa aproveitar a força do agronegócio para ampliar a industrialização e criar condições para que empresas locais cresçam e novos investimentos sejam atraídos.
“Nós sabemos a nossa vocação do agro, então temos que realmente aproveitar a matéria-prima que temos. O que precisamos é criar um ambiente propício para que cada uma dessas indústrias possa se desenvolver”, afirmou.
Agregar valor às matérias-primas
Um dos principais pontos do encontro foi a necessidade de ampliar a transformação das matérias-primas produzidas em Cascavel e na região.
Marco Portes propôs a elaboração de um levantamento que identifique os produtos disponíveis, possíveis derivados, tecnologias necessárias, mercados consumidores e potenciais empresas ou investidores.
A análise poderá envolver cadeias como soja, milho, proteína animal e seus subprodutos, além de oportunidades relacionadas à economia circular.
“A ideia é que cada vez mais a gente desenvolva a indústria local, para agregar valor aqui. A gente não pode depender somente da exportação de produtos primários”, afirmou Portes.
Segundo ele, o município possui volume de produção, mas precisa avançar na transformação dessa matéria-prima.
“O desafio estrutural não é mais o volume. Nós temos volume. O desafio é engenharia de valor: criar valor e deixar esse valor aqui”, destacou.
A proposta é organizar essas informações em uma tabela de oportunidades, permitindo identificar setores com potencial de industrialização e novos negócios.
Inovação e pesquisa
A inovação foi apresentada como um eixo transversal dentro do CODESC, conectando as diferentes Câmaras Técnicas.
“A Câmara de Inovação é a única Câmara transversal a todas as outras. Ela tem uma matriz cruzada entre todas as verticais. A inovação tem que estar dentro de todas as Câmaras”, explicou Portes.
O encontro também discutiu a aproximação entre empresas e instituições de ensino. A ideia é fortalecer a pesquisa aplicada e fazer com que problemas enfrentados pelo setor produtivo possam gerar projetos de pesquisa e desenvolvimento.
A formação de profissionais para áreas como automação, inteligência artificial, engenharia, tecnologia e novos processos produtivos também foi apontada como necessária para acompanhar as mudanças da indústria e do agronegócio.
Estradas rurais
Outra frente apresentada durante a reunião envolve a infraestrutura rural de Cascavel.
A proposta é cruzar dados de produção, transporte e movimentação de cargas para identificar quais estradas possuem maior utilização e quais produtos circulam por esses corredores.
A intenção é produzir informações técnicas que possam auxiliar o município na definição de prioridades para manutenção, adequação e eventual pavimentação das vias rurais.
Representantes do IPC informaram que o município já possui um sistema viário com a identificação das principais estradas municipais, que poderá servir como uma das bases para o estudo.
Durante a reunião, foi mencionada uma malha de aproximadamente 1,9 mil quilômetros de estradas rurais em Cascavel. Diante da extensão da rede, os participantes destacaram a importância de utilizar critérios técnicos para direcionar os investimentos.
Planejamento de longo prazo
Os participantes também defenderam que os investimentos em infraestrutura considerem o crescimento futuro do município.
A preocupação é evitar obras que atendam apenas à demanda atual e precisem ser refeitas posteriormente diante do aumento do fluxo de veículos, da instalação de novas empresas ou da expansão das atividades econômicas.
A proposta está diretamente relacionada ao planejamento de longo prazo defendido pelo CODESC.
A integração entre as Câmaras também foi considerada fundamental. Na avaliação apresentada durante o encontro, o agro fornece matéria-prima, a indústria transforma e agrega valor, enquanto a infraestrutura cria condições para produção, transporte e distribuição. A inovação conecta todas essas etapas.
Próximos passos
Ao final da reunião, ficaram encaminhadas 2 frentes iniciais de trabalho: o levantamento de matérias-primas, cadeias produtivas e oportunidades de agregação de valor; e o estudo técnico sobre infraestrutura e fluxos de produção e transporte no território de Cascavel.
Os temas deverão ser aprofundados nas reuniões ordinárias das Câmaras Técnicas e, posteriormente, poderão resultar em propostas conjuntas para discussão na Plenária do CODESC.
Também foi sugerida uma nova reunião de integração antes do encerramento das atividades de 2026, para avaliar os primeiros avanços e definir a estrutura dos trabalhos para 2027.
A proposta é que o CODESC utilize conhecimento técnico e dados para contribuir com decisões estratégicas e com o planejamento de Cascavel para as próximas décadas.
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